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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ EM PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 624, referente ao período de 18 a 24 de junho de 2017. ***** Editor: Daslan Melo Lima ***** Timbaúba, Pernambuco, Brasil ***** Telefones: (81) 99612.0904 (Tim) e (81) 99277.3630 (Claro) ***** WhatsApp: +55 81 99612.0904 ***** E-mail: daslan@terra.com.br

sábado, 24 de junho de 2017

Cavaleiros do Céu


           “Y-pi-a-ê, y-pi-a-ô, y-pi-a-ê, y-pi-a-ô. / Vaqueiro do Arizona, desordeiro e beberrão / Corria em seu cavalo pela noite no sertão. / No céu, porém, a noite ficou rubra num clarão / E viu passar num fogaréu um rebanho no céu.”
          “Cavaleiros do Céu”, a velha canção norte-americana, parte da trilha sonora da quadrilha Vuco Vuco, fala de touros como fogo que galopam sem cessar; e de vaqueiros como loucos a gritar, vermelhos a queimar também, galopando para o além.
          Enquanto os brincantes se divertem, as singelas bandeirinhas convidam meu coração para administrar antigas emoções que ainda incendeiam o meu São João. 
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– Daslan Melo Lima, na praça Carlos Lyra, junho em Timbaúba, Pernambuco.

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Y-pi-a-ê, y-pi-a-ô.
Vaqueiro do Arizona, desordeiro e beberrão
Corria em seu cavalo pela noite no sertão
No céu, porém, a noite ficou rubra num clarão
E viu passar num fogaréu um rebanho no céu
Y-pi-a-ê, y-pi-a-ô, correndo pelo céu

A rubras ferraduras punham brasas pelo ar
E os touros como fogo galopavam sem cessar
E atrás vinham vaqueiros como loucos a gritar
Vermelhos a queimar também, galopando para o além
Y-pi-a-ê, y-pi-a-ô, seguindo para o além

Centelhas nos seus olhos e o suor a escorrer
Sentindo o desespero da boiada se perder
Chorando a maldição de condenados a viver
A perseguir, correndo ao léu, um rebanho no céu
Y-pi-a-ê, y-pi-a-ô, correndo pelo céu

Um dos vaqueiros, ao passar, gritou dizendo assim:
"Cuidado, companheiro, ou tu virás prá onde eu vim
Se não mudas de vida tu terás o mesmo fim
Querer pegar no fogaréu um rebanho no céu"
Y-pi-a-ê, y-pi-a-ô, correndo pelo céu

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A música “Cavaleiros do Céu” é uma versão de Haroldo Barboza (1915-1979) de “Ghost Riders in the Sky”,  do norte-americano Stan Jones (1914-1963). ***** Clique no link abaixo e ouça a canção na voz de Carlos Gonzaga.



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DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - Maria Eduarda Regis, memórias de uma intercambista na Nova Zelândia

>>>>> Aluna da Eremt fala das emoções e de como amadureceu longe de casa.

           Quando você muda de país para fazer um intercâmbio você não tem a mínima ideia do que vem pela frente. Você consegue imaginar algo, idealizar momentos, você até tenta, mas quando chega ao destino TUDO é completamente diferente do que você pensou e do que te disseram. Nos primeiros minutos o frio na barriga ataca e o nervosismo também. São tantas dúvidas que você acha que já respondeu, mas na verdade você realmente não o fez. Diziam-me que o primeiro mês era o mais difícil, mas nunca me explicaram que eu me veria só na minha cama durante a noite chorando com saudade dos meus pais. Não me avisaram que o choque da mudança drástica de rotina, temperatura e fuso-horário iriam afetar integralmente na minha vida. Minha alimentação mudou, meus horários mudaram, meus hábitos mudaram e passar por tudo isso no começo foi muito doloroso, principalmente por estar longe da minha família. Ninguém me contou que às vezes eu precisaria de um abraço, mas eu não teria quem abraçar e que, eu não teria a quem expressar o que eu sentia da maneira que eu queria, porque eu não confiava nas pessoas e não me via capaz de botar tudo para fora. Quando você vai para um intercâmbio você pega todo o pacote: todas as coisas legais e divertidas, mas também todas as coisas ruins que você tem que aprender, sozinho, a viver com apenas 17 anos. 

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Duda Regis, como é carinhosamente conhecida, ladeada pelos pais Danielli e Fabio Regis. Duda deseja cursar Medicina.
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          O segundo mês já é mais leve, você começa a se sentir independente e quer desesperadamente sair para conhecer tudo de uma vez só. Você aprende a fazer uma refeição decente por conta própria, se habitua a lavar prato e fazer faxina, coisas que antes você não fazia. Aprende que nem sempre você estará acompanhado na hora do jantar e que a solidão, em muitos momentos de sua vida, será sua melhor amiga. Você se sente independente porque você não precisa mais pedir para ir para os lugares (só avisar por consideração) e você pode gastar seu dinheiro do jeito que você quer. O mesmo dinheiro que você usa para comprar chocolate e roupas é usado para comprar seus itens de necessidade básica e depois de certo tempo você se vê fazendo contas e separando as quantias igual você via seus pais fazendo. Você vai passar por situações de aperto financeiro e talvez você até chegue a chorar quando todo o seu dinheiro for embora em um único dia sem você perceber, e vai ser nesse momento que você se dá conta que cresceu e que já não é mais aquela criança bancada por mamãe e papai. 
          O intercâmbio me fez crescer cinco anos em cinco meses e eu não exagero ao falar isso. Tudo que eu faço é de total responsabilidade minha e, qualquer mínima coisa que eu desejar, eu é quem tenho que fazer. No terceiro mês você já tá tão acostumado com tudo aquilo que não é nem mais novidade, quando você vê já faz tudo parte da sua vida. No quarto mês você percebe que já não é mais o mesmo de 16/17 semanas atrás, e percebe que, sem perceber, você criou uma vida TOTALMENTE diferente da que você tinha antes. Seus hábitos alimentares mudam. Seus horários de estudo, descanso, almoço, janta mudaram completamente. Seu gosto musical já não é o mesmo, e seus desejos e sonhos passam a ser outros. Você percebe que sua dieta mudou e que, agora você é apaixonado por brócolis e pimenta. 17 graus para você agora é calor, e você fica torcendo para que essa seja a máxima do dia. 

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Duda Regis em Auckland, o principal centro financeiro e econômico da Nova Zelândia. 
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          Quando você se dá conta o último mês chega e com ele a saudade antecipada. Um filme passa pela sua cabeça e você então se dá conta que agora vai ter que deixar para trás tudo aquilo que você teve tanto esforço para construir: a relação com a escola, amigos e, principalmente, com sua família que te acolheu com tanto amor. A família a qual você será sempre grato apesar de toda as vezes que você ficou chateada com algum membro dela, porque afinal, somos todos humanos. Em minha opinião a dor de voltar pra casa é maior do que a de vir para o intercâmbio. Quando você deixa sua casa de origem você sabe que você vai voltar para tudo o que você tinha antes e que você vai ver todas (ou a maioria) das pessoas relacionadas com você. Quando você está indo embora/voltando para casa de origem, você entra no avião cheio de dúvidas. Você não sabe se, e quando, verá tudo aquilo que faz parte da sua história, novamente. Você tem que ser forte e deixar para trás aquela nova vida que você construiu, e olhar só para as lembranças e memórias que restaram. Hoje me resta apenas 1 dia aqui na Nova Zelândia e tudo que eu vivi foi um sonho. 
          Passou tão rápido que eu nem senti. Lembro-me das primeiras reuniões de orientação com a agência, as dúvidas bobas (tão bobas que vocês nem imaginam) e o quanto eu ficava ansiosa para saber sempre mais sobre minha jornada. Lembro-me também do passo a passo, eu preenchendo documento de visto, matrícula da escola e toda a correria antes da viagem. Para mim os dias passavam tão lentamente contra minha vontade que eu não conseguia nem dormir de tanta ansiedade. Agora, eu não quero mais que os dias passem, quero congelar o tempo ou volta-lo, mas nem tudo é como queremos, e nossos sonhos só são sonhos enquanto dormimos, porque a graça de ter sonhos é essa, poder voltar para a realidade ao acordar, e assim, almejar algo maior novamente.
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Maria Eduarda Regis, 17 anos, Intercambista Nova Zelândia 2017.1

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SESSÃO NOSTALGIA – Miss Beleza Internacional 1964, uma joia chamada Gemma Tereza Guerrero Cruz

Daslan Melo Lima

       "O primeiro dia de uma miss internacional ainda é pontilhado das emoções do sucesso acabado de acontecer. No caso de Gemma Tereza Guerrero Cruz, entretanto, essas emoções não perturbavam a sua maneira simples e quieta de conversar com os repórteres. Miss International Beauty Congress, Miss IBC para os íntimos, estava tranquila diante das perguntas. E disse o que tinha a dizer. Sem vacilar e sem tremer a voz."
         Assim começava o texto da reportagem Uma jóia chamada Gemma, publicada na revista O Cruzeiro, Ano XXXVI, nº 49, de 12/09/1964.


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Uma joia chamada Gemma

Uma jóia chamada Gemma - Ubiratan de Lemos entrevista Miss IBC em Long Beach. Fotos de Indalécio Wanderley. ***** Á esquerda, fotos de Gemma Tereza Guerrero Cruz, a "Mimi", nascida em 30/09/1943, Miss Filipinas, Miss Beleza Internacional 1964, e de Vera Lúcia Couto dos Santos, Miss Guanabara, vice-Miss Brasil e terceira colocada no Miss Beleza Internacional 1964. ***** Á direita, Gemma Tereza Guerrero Cruz na manhã do dia 15/08/1964, após ter conquistado na noite anterior, no Long Beach Auditorium, um dos mais cobiçados títulos de beleza do mundo.  
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- É verdade que você doou os 10 mil dólares do prêmio para as crianças americanas?
- Mandei dar o dinheiro às crianças, não às americanas, que não necessitam de contribuição financeira, mas às do meu país.
-  Você só fala inglês?
- Também uso o espanhol. Com Verinha, de quem me tornei amiga desde logo, só converso na língua de Cantinflas.
- Você tinha candidata a rainha do IBC?
- Sim, Verinha. Não estou dizendo isso agora. Verinha e as outras sabem que meu voto era dela. Para mim ela é a Miss IBC, e eu a sua amiga e fã.
- Por que você escolheu Verinha? Por que não Miss Alemanha, ou a loura da Argentina?
Simplesmente porque acho Verinha completa: tem plástica, personalidade, encanto de conversa, e uma coisa muito importante que eu não sei o nome em inglês.]
 - É borogodó.
- Que é borogodó?
- Borogodó é isso que Verinha tem e você não sabe dizer. Borogodó é magia mulata. Desculpe-nos. Um repórter é um sujeito às vezes profissionalmente mal educado. Você tem costume de ler? Ler páginas de longo curso, não apenas histórias de enredo certo?
 - Ler não é um hábito. Ler é um movimento da vida. É claro que leio coisas sérias e outras sem importância. Entre as primeiras nomeio os escritores franceses, que são os da minha preferência. Cito André Gide, Camus e Mauriac.
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      Já sabíamos da educação de fino trato da charmosa Gemma. Uma doçura em tudo, educação universitária americana, financiada pelo capitalismo de seus pais.   
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- Gemma, você é religiosa?
- Sou católica apostólica romana. O meu país é católico como o Brasil.
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  Deixamos de lado Gemma e tomamos Verinha pelo braço:
- Você está satisfeita com o 3º lugar?
 - Invente outra palavra. “Satisfeita” não satisfaz. Estou explodindo de alegria. Estou que não me aguento.
- Vimos você de conversinha com Arlene Dahl. Que era aquilo?
- Ela foi me dizer que tinha votado em mim. Disse também que gostaria de conhecer o Rio.
- Os americanos trataram bem de você, Verinha? Alguma queixa deles?
- Vou falar francamente. Vou dizer, talvez, o que não deveria dizer: os americanos me tratarem em Long Beach – o povo da rua e a  plateia do estádio – melhor do que fui tratada no Maracanãzinho. E nas ruas do Rio, depois que fui Miss Brasil número 2. Achei os louros do Pacífico adoráveis. Nem por um segundo senti a tal da discriminação. Não é para botar banca não, mais fui beliscada de olho por muito bonitão de olhos azuis.
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Gemma, agosto de 1964

Gemma é abraçada por Vera Lúcia Couto dos Santos. Foto: revista Manchete, 29/08/1964, Ano 12, nº 645.
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Gemma sendo coroada pelo ator Hugh O'Brian (1925-2016). ***** Imagem: web.
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Gemma e sua mãe, a escritora Carmen Guerrero Nakpil. Imagem: web.
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Vera Lucia Couto e Gemma Tereza na capa da revista Manchete, 29/08/1964, Ano 12, nº 645.
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"A beleza pura alegra para sempre os olhos - Miss Filipinas, agora Miss Beleza Internacional de 1964, nunca fora fotografada em maiô. E pediu que não mandasse tais fotos para seu país, onde é funcionária de um museu e escreve sobre história. Mas Verinha está habituada a posar assim, como uma estátua de ébano animada por um sopro de vida." - Texto e foto de Gervásio Batista, revista Manchete, 29/08/1964, Ano 12, nº 645.
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Gemma Cruz Araneta, um orgulho das Filipinas

Gemma Cruz Araneta - alchetron.com

    A herança ancestral da Gemma Tereza Guerrero Cruz, ou simplesmente Gemma Cruz Araneta, como é mais conhecida atualmente, inclui personalidades proeminentes na história filipina. Maria Rizal, irmã de José Rizal (1861-1896), herói nacional das Filipinas, é sua bisavó. Sua mãe, Carmen Guerrero Nakpil, foi casada com o capitão Ismael Argüelles Cruz, neto de Maria Rizal e Daniel Cruz. Ele foi torturado e morto por soldados japoneses, juntamente com seu pai, Mauricio Cruz (filho de Maria Rizal) durante a "Libertação de Manila" em fevereiro de 1945.
       Gemma tem muitos primos que também são descendentes das irmãs de Rizal. Uma tia se casou com um descendente da família Laurel, que deu ao país um presidente, um vice-presidente, um senador e um presidente da universidade.  Através de seu casamento com o Dr. Antonio Sebastian Araneta, pai da sua única filha Fatimah Araneta, está vinculada a quase todas as famílias que produziram líderes filipinos até o presente, bem como clãs aristocráticos de influências regionais. Outro membro do clã Araneta é  Jorge Araneta, que se casou com a primeira vencedora do concurso Miss Beleza Internacional, a colombiana Maria Stella Márquez Zawadzky, eleita em 1960.
            Em 1968, o presidente Ferdinand Marcos (1917-1989) nomeou a Miss Beleza Internacional 1964 diretora do Museu Nacional. Gemma foi membro do Instituto Nacional de História e Secretária do Departamento de Turismo.  Em 2003, foi eleita Diretora Administradora e Presidente da Heritage Conservation Society of Philippines (HCS) e reeleita em fevereiro de 2006. A HCS tem um projeto em andamento com o Departamento de Educação - Heritage Schoolhouses Restoration Program. Até agora, três casas escolares da época colonial americana foram restauradas, aumentando o inventário nacional de escolas.
         

       Gemma é autora de vários livros, entre eles a biografia de José Rizal, herói nacional das Filipinas. 
"Eu definitivamente quero cutucar a curiosidade intelectual dos estudantes filipinos, esperando que mergulhem mais fundo, mais sérios nos estudos da história das Filipinas. Os jovens devem aprender a amar a nossa pátria e estar preparados para defendê-la em todos os momentos." Gemma Cruz Araneta.
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 Fonte: sites das Filipinas 
          
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       Timbaúba, Pernambuco, Brasil, 24 de junho de 2017. Um forró toca ao longe. É noite de São João. Acredito que não há festas juninas nas Filipinas, pelo menos da forma como nós conhecemos no Brasil. O que sei é que os filipinos adoram concursos de misses. 
        Houve um tempo em que o Maracanãzinho atraía mais de 25 mil pessoas nas noites em que jovens sonhadoras de todos os estados brasileiros disputavam o título de Miss Brasil. Nos meses de junho, por essa época. já sabíamos quem iriam representar o País nos concursos de Miss Universo, Miss Beleza Internacional e Miss Mundo.  
        Se sonho com a volta de um Maracanãzinho repleto? Sim! Sonhar não é proibido. Paixões são paixões, simplesmente paixões, não se explicam.  

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Aqui termina mais uma edição de PASSARELA CULTURAL. Rolando abaixo, você vai encontrar uma seleção de todas as postagens do blog.
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         A trajetória de PASSARELA CULTURAL começou em 02/07/2004, com o nome de Timbaconexão, como coluna sociocultural do extinto site de entretenimento Timbafest,  editado por Walfredo Silva (Wal Boy). Em 12/10/2007, Timbaconexão migrou para blog com o nome de PASSARELA CULTURAL. Detalhe: a contagem de visitas a este site só teve início em outubro de 2007. 
        PASSARELA CULTURAL também tem uma visibilidade impressa através das colunas socioculturais que assino em dois veículos de comunicação da região: jornal CORREIO DE NOTÍCIAS e revista TIMBAÚBA EM FOCO.
     Duas secções do blog são responsáveis por sua popularidade:  DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO , sobre a cena sociocultural timbaubense, e SESSÃO NOSTALGIA, focalizando os antigos concursos de Misses, uma das minhas paixões.
       Grato a todos pela atenção. - Daslan Melo Lima

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“Gosto que me leiam e saibam o que acho das coisas. É uma forma de existir. Trabalho é a melhor maneira de escapar da realidade. “
Paulo Francis  (1930-1997) pseudônimo de Franz Paulo Trannin da Matta Heilborn,  jornalista carioca, escritor, articulista e crítico de teatro, literatura e arte.

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sábado, 17 de junho de 2017

Mil sonhos para cada ilusão

     


                  Estranhei ao ver no teto da AABB uma imagem de São José entre as figuras dos santos festejados em junho, Antônio, João e Pedro. 
         Estranhei mas adorei, pois é com São José, patrono de São José da Laje, a cidadezinha alagoana onde nasci, com quem tenho mais aproximação. 
            "Tenho fé em São José", dizia minha mãe, quando rezava pedindo que isso ou aquilo acontecesse.
              Lembro-me de uma música onde Luiz Gonzaga pede a São João para que fale com São José, a fim do seu milho dar vinte espigas em cada pé. Parodiando a canção, vou pedir a Deus que continue me dando mil sonhos para cada ilusão. 



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- Daslan Melo Lima, junho em Timbaúba, Pernambuco.

DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - São João da Chã, “roça de milho, roça meu filho”

>>>>> Faz 18 anos que uma rua de subúrbio promove um dos melhores São João da cidade.


      Foi no final de uma tarde fria de maio de 1999, que o radialista Aldo Cabral e sua amiga Patrícia Duarte Silva tiveram a ideia de fazer um arraial exclusivamente infantil.  Moradores da rua Dativo de Souza Reis, na área conhecida como “chã”, no bairro de Timbaubinha, eles viram a meninada brincando ao som de “Olhinhos de Fogueira”, na interpretação de Mastruz com Leite, quando o sonho nasceu. 

Explodiu meu coração
Feito bomba no São João
Quando deslizei as mãos
Pelas suas costas nuas. 
Vi estrela no salão 
Luar cheio de balão
Teus olhinhos de fogueira
Me queimando de paixão
.
    Imediatamente começaram a traçar o formato de um arraial e de uma quadrilha com vinte pares. Não foi fácil conseguir patrocinadores, mas foram à luta e tiveram êxito.  

Aldo Cabral e Patrícia Duarte, os idealizadores do São João na Chã.

     Com a morte prematura de Aldo, em 2009, Patrícia Duarte se afastou e em seu lugar ficou a estudante Isavane Ferreira, contando também com o apoio de Josenilda Félix.  
       As tarefas são divididas. Extrovertida, Josenilda não tem problema algum em sair solicitando colaborações financeiras entre pessoas físicas e jurídicas. Tranquila, Isavane cuida da distribuição dos gastos e outras tarefas.  Mas ambas estão sempre em sintonia, tanto que na última semana de maio a rua já está decorada com as famosas e singelas bandeirinhas de São João. Para este ano, a contribuição de cada pessoa que desejar brincar no arraial é de apenas 20 reais, o que dá direito às comidas típicas, ficando as bebidas sob a responsabilidade dos participantes.
      A comida é farta, com tudo aquilo próprio da época junina: pamonha, milho cozido, mungunzá e canjica, além de paçoca, tapioca e cocada. A programação dos dois dias já está definida: na noite de 23 de junho, quadrilha saindo da praça do Centenário às 21 horas e show de Leo e Banda, às 23 horas. No dia 1º de julho, apresentação de Litinho e Banda, às 21 horas. “Os sucessos musicais não se restringem apenas ao forró. As atrações musicais tocam e cantam de tudo, rock, sofrência, brega...”, esclarece Josenilda.
          Entre as pessoas e instituições que não hesitam dar apoio cultural ao São João na Chã estão: Frei Damião Construções, Bar do Bode, CDL, Comercial Alvino, Luiza Magazine, Nelson Seguros, Neto Apolinário, Pedrita do Hospital e Tonhão Motos.
          Emocionada, Patrícia Duarte diz que é feliz com o rumo tomado pelo São João na Chã, que hoje atrai um público estimado em cem pessoas. “Lá do céu, o Aldo também está feliz”, afirma. E emocionada cantarola o refrão daquela música que tocava na rua  Dativo de Souza Reis há dezoito anos.  

Roça de milho, roça meu filho
Roça assim teu corpo em mim 
Roça mulata, roça a batata
Roça assim teu corpo em mim
Roça de milho, roça meu filho
Roça assim teu corpo em mim
Roça mulata, roça a batata
Roça assim teu corpo em mim

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Por Daslan Melo Lima

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SESSÃO NOSTALGIA – Akiko Kojima, Miss Universo 1959, um exemplo de perseverança

Daslan Melo Lima

      Uma postagem de Claudio Belussi na página do Facebook do grupo Historic Miss Universe, no dia 11 de junho, levou-me a um assunto que eu desconhecia: a japonesa Akiko Kojima, antes de ter sido eleita Miss Universo 1959, foi a segunda colocada no Miss Japão 1953.

TOP 3 - MISS JAPÃO 1953 - Da esquerda para a direita, Akiko Kojima,  segundo lugar;  Kinuko Ito, primeiro; e Aki Wakikawa, terceiro lugar.

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      Abaixo, a edição das trocas de mensagens entre mim, Claudio Belussi e Roberto Macêdo, no Facebook, sobre a curiosidade. Fantástico é que, na ansiedade de chegar logo à verdade, o Roberto Macêdo buscou, e logo encontrou, na internet, um livro sobre a vida de Akiko Kojima.

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Daslan Melo Lima -  E Akiko Kojima voltou a disputar o Miss Japão seis anos depois? Eu não sabia. Valeu a perseverança da Miss Universo 1959.
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Claudio BellussiEncontrei essa foto ontem, e a legenda dava esses nomes. Procurei saber mais, mas não encontrei nada que confirmasse. Também nunca tinha ouvido falar que Akiko já tivesse disputado o Miss Japão. Publiquei justamente para ver se algum profundo conhecedor dos concursos, como você ou o Roberto Macêdo confirmava. Difícil dizer se na foto é ela ou não, mas pode bem ser. Em 1953, ela tinha 18 anos e em 1959, acredito 25.
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Daslan Melo Lima - Você encontrou a imagem na net ou em alguma publicação impressa?
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Claudio Bellussi - Na net, em japonês, tive que traduzir com o automático. Infelizmente não salvei o site. Dizia também que Kinuko Ito, que nas poucas fotos que vi nunca me impressionou positivamente, era de uma beleza excepcional, uma das mais belas misses japonesas.
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Roberto MacêdoOlá Claudio e Daslan, nunca soube disso. O que a revista O Cruzeiro traz numa das reportagens é que a Akiko seria candidata a Miss Japão 1958 mas não pode concorrer por conta de um acidente. Voltou no ano seguinte. Vamos pesquisar ou perguntar a algum missólogo japonês. Rsrsrs.
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Roberto Macêdo - Claudio e Daslan é verdade!


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Daslan Melo Lima - Roberto, que coisa! Mais um dado fantástico para o nosso acervo.
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Claudio Bellussi - Obrigado, Roberto. Pela foto me parecia que era ela mesmo. Sempre bom saber coisas novas.
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Roberto Macêdo - Pessoal, consegui comprar o livro na Amazon. Parece bastante interessante e conta toda a história de Akiko Kojima.


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Daslan Melo Lima - Que beleza! Mais adiante, no novo Miss News, temos certeza que você irá compartilhar as passagens mais importantes do livro.
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Roberto Macêdo - Certamente... Rsrsrs


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        Na história dos concursos de beleza, muitas foram as jovens que pisaram nas passarelas mais de uma vez em busca da vitória. Algumas conquistaram seus objetivos e outras não. 
         Akiko Kojima é um exemplo de perseverança. Em 1953, vice-Miss Japão. Em 1958, um acidente de automóvel impossibilitou que voltasse a disputar o título de Miss Japão. Em 1959, Miss Japão e Miss Universo. 

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PASSARELA CULTURAL já focalizou Akiko Kojima duas vezes na secção SESSÃO NOSTALGIA

12/07/2008 - Akiko Kojima, Miss Universo 1959, o escândalo de um "líquido plástico" 
http://passarelacultural.blogspot.com.br/2008/07/sesso-nostalgia-uma-miss-universo-dos.html

29/08/2015 - Akiko Kojima, Miss Universo 1959, olhos de amêndoas com toque de infância
http://passarelacultural.blogspot.com.br/2015/08/sessao-nostalgia_29.html


Aqui termina mais uma edição de PASSARELA CULTURAL

Aqui termina mais uma edição de PASSARELA CULTURAL. Rolando abaixo, você vai encontrar uma seleção de todas as postagens do blog.
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         A trajetória de PASSARELA CULTURAL começou em 02/07/2004, com o nome de Timbaconexão, como coluna sociocultural do extinto site de entretenimento Timbafest,  editado por Walfredo Silva (Wal Boy). Em 12/10/2007, Timbaconexão migrou para blog com o nome de PASSARELA CULTURAL. Detalhe: a contagem de visitas a este site só teve início em outubro de 2007. 
        PASSARELA CULTURAL também tem uma visibilidade impressa através das colunas socioculturais que assino em dois veículos de comunicação da região: jornal CORREIO DE NOTÍCIAS e revista TIMBAÚBA EM FOCO.
     Duas secções do blog são responsáveis por sua popularidade:  DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO , sobre a cena sociocultural timbaubense, e SESSÃO NOSTALGIA, focalizando os antigos concursos de Misses, uma das minhas paixões.
       Grato a todos pela atenção. - Daslan Melo Lima

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“Gosto que me leiam e saibam o que acho das coisas. É uma forma de existir. Trabalho é a melhor maneira de escapar da realidade. “
Paulo Francis  (1930-1997) pseudônimo de Franz Paulo Trannin da Matta Heilborn,  jornalista carioca, escritor, articulista e crítico de teatro, literatura e arte.

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sábado, 10 de junho de 2017

De graça, diante do arco-íris


DE GRAÇA - A tarde fria de junho morre lentamente diante do arco-íris. Minhas garças artificiais, ao redor das caixas d'água, não imaginam que pulo de alegria com esse espetáculo de graça. 
     Clico a imagem no momento exato em que garças de verdade voam, tornando o instante quase irreal. 
        Meu quintal, nesta tarde que lentamente morre, é um teatro onde a peça me leva aos desencontros e encontros dos mistérios da vida e da morte, de graça. 
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- Daslan Melo Lima, na quinta tarde de junho de 2017, em Timbaúba, Pernambuco.

DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - O legado de Jeruza Gouveia




        “Olha pro céu, meu amor. / Vê como ele está lindo. / Olha praquele balão multicor, / como no céu vai sumindo.”

       De onde vinha aquela música que tocava naquele começo de junho de um tempo que se foi? Vinha de uma lojinha localizada na praça João Pessoa, a Império dos Discos. Entrei no estabelecimento comercial, comprei o vinil que estava tocando e, mais que isso, fiz amizade com Jeruza Gouveia, simpática, alegre, comunicativa e com um profundo sentimento de religiosidade (independente de religião). 

       Minha amiga se foi no dia 19 de maio, antes de junho chegar trazendo o ritmo contagiante do forró.  Em sua homenagem, imagino que o vento estará declamando junto às fogueiras de Timbaúba aqueles versos de Mário Quintana: Que importa restarem cinzas se a chama foi bela e alta? “

       O legado de Jeruza Gouveia, um exemplo de vida, exala o perfume das pessoas iluminadas, por isso nossa fé e nossa esperança vão ao encontro de “A bela Cidade”, um hino religioso cantado durante a despedida do seu corpo físico.


Tenho lido da bela cidade,
Construída por Cristo Jesus;
É murada de jaspe luzente;
Toda cheia de glória e de luz;
E no meio da praça há um rio;
É qual fonte de vida eternal,
Mas metade da glória celeste
Jamais se contou ao mortal.

CORO: Jamais se contou ao mortal;
Jamais se contou ao mortal;
Metade da glória celeste
Jamais se contou ao mortal.

Tenho lido das lindas moradas
Que Jesus foi, no Céu, preparar,
Onde os crentes fiéis, para sempre,
Mui felizes irão habitar.
Nem tristeza, nem dor, nem temores
Entrarão na mansão paternal,
Mas metade da glória celeste
Jamais se contou ao mortal.

Tenho lido das vestes brilhantes,
Das coroas que os santos terão,
Quando o Pai os chamar e disser-lhes:
"Recebei o eternal galardão."
Tenho lido que os santos na glória
Pisarão ruas de ouro e cristal,
Mas metade da glória celeste
Jamais se contou ao mortal.

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Para ouvir o hino "A Bela Cidade, clique neste link: https://www.youtube.com/watch?v=zMvhnM4NvNs
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Jeruza Gouveia
* 02 de abril de 1950
+ 19 de maio de 2017
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A revista TIMBAÚBA EM FOCO está circulando com o texto resumido da crônica, na página PASSARELA CULTURAL
Por lapso, na matéria impressa, citei duas vezes o nome de Jeruza Gouveia como Jeruza Farias.
Aos meus amigos Bianca, Tarcísio, Raquel e Jocafe, filhos de Jeruza, deixo aqui o meu sentimento pela sua partida, certo de que ela está em paz, cumprindo outra missão, em um dos fantásticos mundos do Pai.   
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Daslan Melo Lima

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