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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ EM PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 637, referente ao período de 17 a 23 de setembro de 2017. ***** Editor: Daslan Melo Lima ***** Timbaúba, Pernambuco, Brasil ***** Telefone: (81) 9.9612-0904 (Tim). ***** WhatsApp: +55 81 9.9612.0904 ***** E-mail: daslan@terra.com.br

sábado, 16 de setembro de 2017

Setembro me basta

      


        Dezenas de pessoas entram e saem numa loja que promove liquidação de roupas da última estação. Não tenho interesse em comprar nada, a não ser caminhar de mãos dadas com minha inspiração. 
        Setembro me basta, mas a moça do cartaz convida para sentar e namorar o momento, sem pressa, com calma. Convite aceito. O menino que fui aprendeu a caminhar com o saldo de primavera da minh'alma. 


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- Daslan Melo Lima, setembro de 2017, no centro do Recife.

MEMÓRIAS DE SÃO JOSÉ DA LAJE - Diante do rio, horas a fio





             Diante do rio, eu ficava embevecido, horas a fio. Em sua eterna caminhada para o mar, ele mudava de fisionomia, influenciando minhas emoções e minha poesia. E seguia em frente, ora vazio, ora caudaloso, ora bravio, ora dengoso. 
           Ao vê-lo assim, mais uma vez desejando ser mar, suplico a Deus que o rio Canhoto continue apenas sendo rio, pois parte do menino que fui continua diante dele, embevecido, horas a fio. 
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Daslan Melo Lima - Memórias de São José da Laje, a cidadezinha alagoana onde nasci.

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DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO


DAS DORES

               Acordei com o som de uma deliciosa chuva caindo, copiosamente caindo. Uma bênção para a terra do sol inclemente, neste dia consagrado a Nossa Senhora das Dores, padroeira da minha terra adotiva. Na capa da nova edição da revista TIMBAÚBA EM FOCO, a imagem transmite força e fé. Nada mais emblemático diante das turbulências que nosso Brasil enfrenta.
         Faz anos que aprendi a chamar esta senhora de Nossa Senhora das Dores, dos Amores e Desamores. Feriado em Timbaúba, Pernambuco. Pausa para reflexão diante dos mistérios da nossa passagem pelo planeta Terra, marcada por desamores, amores e dores.  
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Daslan Melo Lima. Timbaúba, PE, 15 de setembro de 2017 

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Antigomobilismo


No dia 24, último domingo de setembro, o destaque sociocultural da região será a 7ª Mostra de Antigomobilismo de Timbaúba, evento que reunirá colecionadores de carros antigos de Pernambuco e Estados vizinhos. As festividades começarão às 10 h, no Timbaúba Tênis Clube, sob a coordenação geral de Jefferson Leal. Contatos: (81) 9.9975-3396 e (81) 9.9628-0100.

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SESSÃO NOSTALGIA - Bianca Figueirôa, Miss Pernambuco Globo 1994


Daslan Melo Lima

          Segunda colocada no concurso Rainha dos Estudantes de Pernambuco 1993, Bianca Alves Figueirôa foi a quinta colocada no Miss Brasil Globo 1994. 
          No dia 21 do próximo mês, vai completar vinte e três anos que dela ganhei um beijo, um abraço e um autógrafo, quando esteve em Timbaúba para abrilhantar com sua presença a eleição da Garota Verão. O concurso Rei e Rainha dos Estudantes de Pernambuco era coordenado pelos jornalistas Fernando Machado e Muciolo Ferreira, com renda destinada à Campanha Pernambucana Pró-Infância.
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Bianca Figueirôa - Perfil do Consumidor

Matéria de Fernando Machado - Coluna Sociedade-Alex - Jornal do Commercio - Recife, 21 de março de 1994.

        Bianca Figueirôa, 1,76 de altura, olhos verdes, estudava no Colégio Independência, no bairro da Estância, Recife, quando disputou o Rainha dos Estudantes de Pernambuco. Nascida no Recife, morava em Jaboatão dos Guararapes, região metropolitana da capital pernambucana. Era madrinha do Clube Jaboatanense, Rainha do Bloco Carnavalesco Clube do Futuro e tinha 18 anos completos na época do Perfil de Consumidor. 
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Bianca Figueirôa no Miss Brasil Globo 1994

         O Miss Brasil Globo 1994 foi realizado em Camboriú, Santa Catarina, no dia 30/04/1994, uma promoção da Federação Brasileira de Cronistas Sociais, coordenado pelo jornalista Danilo D'Ávila.

Coluna Sociedade-Alex. Jornal do Commercio, Recife, 30/04/1994
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Sociedade - Alex. Jornal do do Commercio, Recife, 18/05/1994
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TOP 5 - Miss Brasil Globo 1994 - Da esquerda para a direita: Marina Quites (Tocantins), segundo lugar; Alessandra Polisseli (Paraná), terceiro; Fabiana Fontanela (Santa Catarina), quarto; Bianca Figueirôa (Pernambuco), quinto; e Tatiane Possebon (Rio Grande do Sul), primeiro lugar. 
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Da esquerda para a direita, Marina Quites, Miss Tocantins, segundo lugar;  Bianca Figueirôa, Miss Pernambuco, quinto;  Tatiane Possebon,  Miss Rio Grande do Sul, primeiro lugar, e Alessandra Polisseli, Miss Paraná, terceiro lugar.  ***** Tatiane Possebon, primeira colocada, representou o Brasil no Miss Model of the World 1994, realizado no dia 20/06/1994, no Holiday Inn Crown Plaza, Istambul, Turquia. Marina Quites, segunda colocada, representou o Brasil no Miss Globo Internacional 1994, também realizado em Istambul, Turquia, no dia 1º/07/1994. ***** Fotos coloridas: Arquivo de Fernando Machado.
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         Por onde anda você, Bianca Figueirôa? Faz quase vinte e três anos que ganhei um beijo seu, um abraço e um autógrafo. 
        Saiba, eterna Miss Pernambuco Globo 1994, que ainda hoje encontro pessoas que perguntam por você.   “Por onde anda aquela loura que conquistou Timbaúba?". Respondo sempre: “Continua linda e é uma mulher feliz, muito feliz.”

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Aqui termina mais uma edição de PASSARELA CULTURAL. Rolando abaixo, você vai encontrar uma seleção de todas as postagens do blog.
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“Gosto que me leiam e saibam o que acho das coisas. É uma forma de existir. Trabalho é a melhor maneira de escapar da realidade. “
Paulo Francis  (1930-1997) pseudônimo de Franz Paulo Trannin da Matta Heilborn,  jornalista carioca, escritor, articulista e crítico de teatro, literatura e arte.
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         A trajetória de PASSARELA CULTURAL começou em 02/07/2004, com o nome de Timbaconexão, como coluna sociocultural do extinto site de entretenimento Timbafest,  editado por Walfredo Silva (Wal Boy). Em 12/10/2007, Timbaconexão migrou para blog com o nome de PASSARELA CULTURAL. Detalhe: a contagem de visitas a este site só teve início em outubro de 2007. 
        PASSARELA CULTURAL também tem uma visibilidade impressa através das colunas socioculturais que assino em dois veículos de comunicação da região: jornal CORREIO DE NOTÍCIAS e revista TIMBAÚBA EM FOCO.
     Duas secções do blog são responsáveis por sua popularidade:  DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO , sobre a cena sociocultural timbaubense, e SESSÃO NOSTALGIA, focalizando os antigos concursos de Misses, uma das minhas paixões.
       Grato a todos pela atenção. - Daslan Melo Lima

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sábado, 9 de setembro de 2017

"Dúvida", um poema para recordar

         "Dúvida", cuja autoria desconheço, foi o primeiro poema romântico que conheci. Eu deveria ter nove anos de idade quando o encontrei numa folha de revista que embrulhava um produto na oficina de consertos de sapatos do meu pai, na minha alagoana São José da Laje. 
        

DÚVIDA

Estou ficando com medo
de que este nosso brinquedo
não seja simples assim

Junto a ti só te vejo
longe de ti só revejo
as horas `inda sem fim

E se te vejo não rias
eu penso noites e dias
se também pensas em mim




         Faz alguns anos que dei a ideia ao Marcelo Soares, poeta e xilogravador, para elaborar um projeto gráfico contemplando os versos, ilustrado pela figura de um garoto sonhador. 
         O quadro decora o terraço da minha casa, entre poeira, sombras, claridade, sonhos e enigmas da vida e da morte. 
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Daslan Melo Lima, setembro em Timbaúba, PE

MEMÓRIAS DE SÃO JOSÉ DA LAJE - "Magister adest et vocat te"

          


        Está na Bíblia, em João, Capítulo 1, versículos 25-28: “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu isto? Disse-lhe ela: Sim, Senhor, creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo. E, dito isto, partiu, e chamou em segredo a Maria, sua irmã, dizendo: O Mestre está presente e chama-te.” 
          Eu era menino e não tinha dúvida alguma no que estava escrito em latim na nave da Igreja Matriz: "Magister Adest Et Vocat Te", cuja tradução em português quer dizer “O Mestre está presente e chama-te.” 
         O Mestre estava ali e me chamava para levar uma vida santificada. Fiquei homem e a Poesia, minha fiel amante, de vez em quando grita em silêncio os meus ouvidos: "Magister Adest Et Vocat Te." 

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Daslan Melo Lima - Memórias de São José da Laje, a cidadezinha alagoana onde nasci.

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DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - Gente fina e Roteiro poético

Gente fina

Vera Borba em temporada na Suíça.
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Mercês Ferreira turistando na Polônia.
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TÚNEL DO TEMPO - Tânia Coutinho na sua inesquecível festa de debutante.
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Roteiro poético

O azul do céu se derrama sobre um sobrado da rua Zulmira de A. Borba, bairro de Timbaubinha.
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É sempre primavera no interior do Colégio Timbaubense.
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Silêncio em um dos corredores do Colégio Timbaubense. 


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Imagens
Pessoas, Arquivo Pessoal 
Lugares, DML/Passarela Cultural



SESSÃO NOSTALGIA – “Nunca fiz mal a ninguém, mas a vida me castigou.” Os desabafos de Marta Rocha, a eterna Miss Brasil

Daslan Melo Lima

      Quem vai celebrar idade nova no dia 19 deste mês é Marta Rocha, a mais famosa Miss Brasil de todos os tempos. Dela já se falou incontáveis vezes, inclusive de ter perdido o título de Miss Universo por causa de duas lendárias polegadas (5,08 centímetros) a mais nos quadris. O que falar sobre ela? 

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      Encontrei algo diferenciado no meu acervo, a revista Claudia (Ano XIII, nº 153, junho de 1974), com marcas do tempo.  A publicação traz uma reportagem de quatro páginas com texto de Lea Maria Reis e fotos coloridas clicadas por Marisa de Lima, onde Marta Rocha confessava ser míope, pontual, perfeccionista, vaidosa, às vezes feia. E desabafava várias vezes.

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Marta Rocha - 20 anos depois

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        Tímida, míope, sofrida, gente. Pouca gente conhece este lado da imagem de Marta Rocha Xavier de Lima, miss celebrizada até em letra de samba, modelo de beleza – até hoje – das mulheres brasileiras e, sobretudo, namorada de um povo inteiro, com foto pregada em porta de guarda-roupa de toda uma geração. Hoje, mãe de três filhos, casada com o industrial Ronaldo Xavier de Lima – seu segundo casamento -, Marta talvez seja ainda mais bela. Mais consciente de sua pessoa humana, e não apenas de uma imagem. Um pouco triste, quando diz:
     - Ninguém nunca me perguntou se sou bonita por dentro. Olhe, minha alma não é feia, não. Nunca fiz mal a ninguém, mas a vida me castigou. No entanto, se tivesse que recomeçar, faria tudo o que fiz outra vez. Às vezes, o lendário olhar azul foge, e ela, sentada no terraço de sua cobertura da avenida Atlântica, em Copacabana, se torna um pouco como que ausente. O olhar foge para o mar, uma de suas paixões (“as outras são cachorro, cavalo, árvore, flor, natureza, tudo o que é belo e natural”), mas quase imediatamente, fração de segundo, Marta volta à conversa e me diz:  
    - Por que você não me deixa fazer algumas perguntas, eu mesma? Coisas que nunca ninguém teve ideia de me perguntar.
     - Por exemplo...
    - Ninguém nunca me perguntou como sou na realidade. Poucos são os que conhecem. Têm uma imagem muito vazia de mim. No fundo, poucos foram os que me deram realmente atenção, no sentido de indagarem quem é Marta Rocha.
    “Para começar, sou míope. Sou perfeccionista – como convém a alguém nascido sob o signo de Virgem. Nada deixo pela metade na tarefa que me proponho fazer. Sou pontual. E cansei de não procurarem saber como é meu espírito. Sou forte, Me recupero sempre. E às vezes sinto dores de cabeça fortes.”

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A excessiva emoção levou Marta à Psicanálise


          “Sofria demais com a miséria humana, hoje procuro mudar: me libertar de uma excessiva emotividade que projetava nos outros, nos desastres que aconteciam com amigos, nas tristezas deles, em seus problemas. Hoje, estou mais do que nunca preocupada em viver no nível da realidade.”
          Por isto Marta faz psicanálise. Quatro vezes por semana. Há um ano. É uma mulher ocupada em se conhecer e, justamente como diz, em “viver num nível de realidade”. Sem idealizações. Nascida num dia 17 de setembro, sétima filha entre os onze irmãos da família de Álvaro Rocha, engenheiro e professor baiano, de Salvador, e de Hansa Heckel Rocha, de origem alemã, nascida no sul, Marta sempre ouviu dizer, desde criança: “Os olhos dela são duas contas azuis; sua pele parece louça”.
        Estudante, quando mocinha, do Colégio Sofia Costa Pinto, estudava alemão, francês, inglês, espanhol. Era interessada em línguas e vivia sua vida de garota da Barra – do Farol da Barra, como ela mesmo frisa -, classe média, lindíssima, “só que o rosto era um pouco mais bochechudo”, quando pediram ao pai concorresse ao Miss Bahia. Era o ano de 1954. Em julho do mesmo ano, depois de eleita a mais linda da Bahia, Marta era coroada, no Hotel Quitandinha, Miss Brasil e, logo a seguir, em meio a uma campanha de publicidade intensa, era considerada a moça mais bonita do concurso internacional de beleza, em Miami. Apesar do segundo lugar – Miss Universo foi eleita a americana Miriam Stevenson -, e todos sabiam que Marta era o rosto e o corpo mais harmoniosos do concurso. Sua premiação foi de Miss Universo: - Lembro bem: me deram um Dodge especial, branco, forrado de vermelho, conversível, que trouxe comigo e que usei muito. – Ela diz isto rindo. – E pérolas, e presentes, quantos presentes!
          Eram dias de glória e de fama. Marta Rocha – e a célebre história de suas duas polegadas a mais (na verdade era uma só, ou seja, cerca de três centímetros) – tornava-se o primeiro ídolo nacional da sociedade brasileira prestes a entrar na sua fase de comunicação de massas.
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Corrigindo a reportagem: Marta Rocha nasceu num dia 19 de setembro. O concurso Miss Universo 1954 foi realizado em Long Beach. A história sempre foi de duas polegadas a mais nos quadris. Uma polegada equivale a 2,54 centímetros. Duas somam 5,08 centímetros.
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Todas se achavam seu namorado, mas quem venceu foi Piano

Não ganhou o título, mas ficou com a glória - A revelação em 54: Marta perde o titulo de Miss Universo, mas torna-se ídolo nacional, letra de música, exemplo, namorada de uma geração. Daí para o casamento com Piano é um passo. No carnaval é capa de revista, o ídolo de sempre.
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Marta Rocha: sempre notícia, sempre modelo - No segundo casamento, vestiu azul: as noivas do ano desistiram do branco. Marta era moda de novo. Cada filho seu se transformou em manchete, como é notícia cada fantasia que usa para realçar sua beleza. 
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          “Namorada do Brasil” era o título que mais frequentemente lhe davam. Todo brasileiro da época sentia-se assim: namorado de Marta. Então, ela conhece o português Álvaro Piano, radicado na Argentina, banqueiro. Casa aos 23 anos. Vai morar em Buenos Aires, torna-se mãe de Álvaro, hoje com 17 anos, olhos azuis iguais aos da mãe, garoto louro e bonito. Dois anos depois Piano morre em desastre de aviação em Mar del Plata. Marta, viúva, volta ao Brasil, em férias. Nova consagração. No Maracanãzinho recebe a maior homenagem à sua beleza. Vestia roupa preta, era discreta, apesar de aparecer assim, para a multidão, ao vivo. É quando conhece um dos rapazes da famosa turma da rua Miguel Lemos, de Copacabana, Ronaldo Xavier de Lima, que em companhia de amigos, visita Marta, na casa de sua maior amiga, Bebete Freitas, no Rio, pedindo seu apoio para uma campanha política de um companheiro do grupo.
        Conversa vai, conversa vem, os dois começam a sair juntos. Primeiro programa: um passeio no Itanhangá Gol Club, onde Ronaldo jogava pólo (coisa que faz até hoje, ele é um apaixonado desse esporte, e, no estúdio recém construído na cobertura do casal, várias taças, sobre uma cômoda, atestam sua habilidade). Ronaldo vai à Bahia, pede Marta em casamento. A cerimônia é realizada com pompa, em meio a uma multidão delirante, na igreja da Candelária. Marta usava um vestido azul-claro, da Casa Canadá, com uma capa por cima. A roupa faz escola, várias noivas dos próximos tempos copiam o feitio.
       Para Marta começava uma segunda etapa em sua vida. Torna-se mãe de mais dois filhos: Carlos Alberto, hoje com 16 anos, e Cláudia, de 10 anos. “Os três, observa Marta, “têm grande personalidade. São teimosos, às vezes, mas sempre sabem o que querem. Eu adoro isto, neles.” E então, chega-se a hoje. Vinte anos depois, Marta diz, enquanto é fotografada: “Estou cansada de usar penduricalhos. Quero o esporte, o descontraído, quero as calças compridas, quero o informal.”
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Corrigindo a reportagem: Álvaro e Carlos Alberto são filhos de Marta Rocha com o seu primeiro esposo, Álvaro Piano. Com Ronaldo Xavier de Lima, seu segundo esposo, ela teve apenas uma filha, Cláudia. 
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Sinto-me bem em qualquer ambiente: pobre ou grã-fino


          - Então por que frequenta com tanta assiduidade as festas formais da alta sociedade?
          - Porque gosto de frequentar lugares – sejam grã-finos ou simples e pobres – onde me sinta bem. Se estou me sentindo bem, não me importa onde estou.
             - E a solidão? Incomoda, às vezes?
          - Há momentos em que gosto de ficar sozinha. Mas, afinal, fui criada numa casa sempre cheia. Com muitos irmãos. Com muito movimento: gente entrando, gente saindo, amigos, calor. A solidão não me incomoda. Sempre que quero, tenho amigos que me aconchegam. “Mas sofri muito. Me sinto muito sensível. E sofri sem necessidade. Por pessoas que às vezes nem conhecia, que nem me diziam respeito. Há frustrações. Por exemplo: não ter estudado mais.  Agora, quero voltar à faculdade – são projetos para o ano que vem. Quero estudar línguas e me aprofundar nos estudos.”
          Marta vaidosa. Assumindo a vaidade natural da mulher. Cuidando da linha. “Sem precisar ser magérrima, como um manequim de Dior. Sem fazer disto religião. Mas me sentir bem fisicamente.” Come frutas, peixes, carnes, sempre que engorda mais um pouco. “Mas detesto alface. E adoro agrião. Como agrião todos os dias.” Verduras, legumes. Biscoitos cream crackers dietéticos. Ioga. “Faço sozinha. Aprendi. Faço ioga antes de dormir, quando estou muito tensa. É ótimo.” Para a pele – ainda uma pele de “de louça”, com um bronzeado natural, surpreendente, que não precisa de nenhum creme bronzeador – Marta usa creme hidratante. Da Revlon. Com vitamina E. E o creme Acquamarine, também da Revlon, para o corpo. Seu peso, hoje, é de 58 quilos. O manequim, 42. A altura de Marta: 1,70 m. Suas roupas são simples. Os vestidos importantes, sempre de Gérson, seu costureiro predileto, já há anos. Brancos, azuis, verdes, as cores preferidas para vestir. E de roupas esportivas, os jeans, as malhas, as peças compradas em várias boutiques. “Onde passo e vejo alguma coisa de que gosto; não há nenhuma preferida em especial.” Seu cabelo é Demoar – que faz o corte de seus cabelos louros, de um louro natural. Ou então Jambert. O seu maquiador – ela usa maquilagem – é Paulo Flores.  
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Marta se diz dinâmica, ordeira, arrogante

        Organizada, meticulosa, Marta diz que gosta de ter tudo cuidado, guardado “em caixas que sei sempre onde estão e o que contêm”. É dinâmica: “Não sei ficar parada. Sabe? Me conheço já bastante. Sei, por exemplo, que sou decidida, determinada. Arrogante, no sentido em que me protejo da curiosidade alheia, malsã”.
            - Mas dentre as perguntas que você gostaria de fazer...
          - “Você sacha que todo mundo tem a obrigação de me achar bonita?” é uma delas. Eu respondo: “Não. Entendo perfeitamente que haja gente que me ache feia. Eu mesma, quantas vezes, me acho feia”.
         Ela é muito honesta quando mostra a necessidade que sente de ser reconhecida e aceita pelo que é. Não pela beleza extraordinária. Insiste: “Minha alma não é feia. Se eu pudesse, faria todas as pessoas felizes. Se tudo dependesse de mim, tudo seria mais bonito.
          O olhar azul da “namorada do Brasil”, de até hoje ídolo, foge outra vez para o mar. Mas ela sabe que ainda hoje – porque sua amiga Bebete, está presente, e conta – é um símbolo de beleza para a alma brasileira. O jornaleiro da esquina outro dia mesmo comentava: “Dona Marta? É incrível. Depois de vinte anos, ela ainda é quem mais vende revista aqui, em Copacabana. Marta Rocha na capa esgota rapidamente". E isto pesa. Sem dúvida.

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Marta Rocha -  Foto: Mário Sérgio Costa/Divulgação


        Depois daquele julho de 1974, quando foi focalizada na Claudia, o casamento de Marta Rocha com Ronaldo Xavier de Lima, já falecido, acabou. Teve outros relacionamentos. Enfrentou aborrecimentos e conheceu dificuldades financeiras. Viajou muito pelo Brasil e recebeu lindas homenagens.
             Feliz idade nova, Marta Rocha, eterna namorada do Brasil. 

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Esta é a capa da revista ClaudiaAno XIII, nº 153, junho de 1974.
A jovem é Ângela Catramby (1952-2016), Senhorita Rio 1968.

sábado, 2 de setembro de 2017

É setembro outra vez

       

      
      Maravilha acordar e saber que é setembro, meu mês favorito. Minha Rosa do Deserto talvez tenha essa mesma consciência, pois amanheceu com doze flores desabrochadas. 
    Agosto se foi levando inquietações e em outubro celebro idade nova, em meio a antigas interrogações. É você, setembro, que me encontra todo ano meditando sobre ritmos, ciclos e inacabadas emoções.
     Grato a Deus, abraço minha Rosa do Deserto, feliz pelo saldo de primavera que ainda existe em minha vida. 
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- Daslan Melo Lima, setembro em Timbaúba, Pernambuco.

MEMÓRIAS DE SÃO JOSÉ DA LAJE - Circo, nostalgia e poesia


          



        A minha amiga Eliane Aquino, jornalista,  tem ótimas recordações dos circos do passado. Diz ela: "Na minha infância, circo sempre era uma diversão, mas a parte mais interessante para mim sempre foi a encenação dos dramas, peças teatrais improvisadas como último ato da noite. Um desses dramas, apresentado pela maioria dos circos, provocava no público uma interação emotiva muito grande. Coração de mãe tinha como enredo a história de um homem, coagido por uma mulher, que matava e arrancava o coração da própria mãe para presentear a esposa.

        Outra conterrânea, minha ex-professora de Português e Miss São José da Laje 1965, Josenira Degroot (Josenira de Albuquerque Silva) afirma: "Lembro-me que uma vez participei de uma dramatização improvisada no circo. Fugi de casa naquele domingo à tarde e fui assistir ao espetáculo. Fui carimbada para ter a permissão de assistir gratuitamente ao espetáculo noturno. Resultado: contei para minha mãe, levei uma surra e fui obrigada a deitar-me mais cedo do que de costume. Morro de saudades dessa coragem que hoje não tenho mais.” 

     Mabel Rôse Cavalcanti, de quem fui colega no Ginásio São José, confessa: "
Quanta saudade que eu sinto dos circos da minha infância.Tinha circo que era armado em frente a nossa casa. Eles pediam as poltronas lá de casa emprestadas e a gente tinha direito a entrada. Recordações maravilhosas.
       Meu primo José Paulo de Melo Lima afirma: "Um circo que marcou minha infância foi o "Jota Mariano", instalado em São Jose da Laje no final dos Anos 50. Ficou marcado até hoje na minha memória." 

    Uma pena que as crianças de hojeencantadas com jogos eletrônicos, não sentirão um dia a suave nostalgia e a doce poesia que hoje moram nos corações dos meninos e meninas da minha geração. 
         
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Daslan Melo Lima, memórias de São José da Laje, a cidadezinha alagoana onde nasci.         
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O CIRCO

José Maria de Mattos, arquiteto radicado em Maceió, AL




          Todas as vezes que chegava um circo no interior, ou mais precisamente em São José da Lage, ficávamos aguardando o primeiro dia de espetáculo, porque era nesse dia que saia o Palhaço "perna de pau" nas ruas, no período vespertino, anunciando o referido espetáculo.
         Os garotos de menor ou quase nenhum poder aquisitivo, ficavam horas e horas na porta do circo a fim de acompanharem o Palhaço para poder ter a sua entrada na casa garantida. Depois, é claro, de ajudar a divulgar o espetáculo circense noturno, na volta eram marcados no pulso com uma tinta e isso era a prova de que participaram da caminhada. Você lembra disso?

Palhaço: Hoje tem espetáculo?
Galera: Tem sim senhor!
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Palhaço: 8 horas da noite?
Galera: Tem sim senhor!
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Palhaço: Tem trapezista?
Galera: Tem sim senhor!
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Palhaço: Tem malabarista?
Galera: Tem sim senhor!
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Palhaço: E arrocha negrada!
Galera: ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!
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Palhaço: Mais um pouquinho!
Galera: ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!
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Palhaço: Mais um bocadinho!
Galera: ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!
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Palhaço: Ô raio, ô sol, suspende a lua.
Galera: Olha o palhaço no meio da rua.
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Palhaço: Hoje tem espetáculo?
Galera: Tem sim senhor!
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Palhaço: 8 horas da noite?
Galera: Tem sim senhor!
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Palhaço: Tem malabarista?
Galera: Tem sim senhor!
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Palhaço: Tem rumbeira?
Galera: Tem sim senhor!
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Palhaço: E arrocha negrada!
Galera: ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!
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Palhaço: Mais um pouquinho!
Galera: ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!
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Palhaço: Mais um bocadinho!
Galera: ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!
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Palhaço: Três pimenta num dá um molho.
Galera: Cabeça de nêgo só tem piolho.
----------.
Palhaço: Hoje tem espetáculo?
Galera: Tem sim senhor!
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Palhaço: 8 horas da noite?
Galera: Tem sim senhor!
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Palhaço: Tem equilibrista?
Galera: Tem sim senhor!
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Palhaço: Tem cantores?
Galera: Tem sim senhor!
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Palhaço: E arrocha negrada!
Galera: ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!
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Palhaço: Mais um pouquinho!
Galera: ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!
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Palhaço: Mais um bocadinho!
Galera: ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!
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Palhaço: Pipoca, amendoim torrado.
Galera: Carreguei tua mãe num carrinho quebrado.
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Palhaço: E arrocha negrada!
Galera: ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!
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Palhaço: Mais um pouquinho!
Galera: ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!
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Palhaço: Mais um bocadinho!
Galera: ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!

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