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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ EM PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 649, referente ao período de 11 a 17 de dezembro de 2017. ***** Grato por sua atenção.

sábado, 26 de agosto de 2017

A sociedade embrutecida

Editorial do jornal Diario de Pernambuco, Recife, PE, 25/08/2017  - Imagens reproduzidas da internet.

          O Brasil tem muito o que aprender quando se trata de tolerância e preconceitos de naturezas diversas. Dois casos ocorridos esta semana, um nacional e outro local, servem como balizadores do ódio que é disseminado e agora potencializado em redes sociais de relacionamento na internet e em aplicativos de celulares. O primeiro diz respeito à Miss Brasil 2017, a recém-eleita piauiense Monalysa Alcântara, vítima de recorrentes ataques racistas após receber a coroa no concurso de beleza desbancando outras 26 concorrentes. Universitária e modelo de 18 anos, a terceira negra eleita no país em 60 edições do Miss Brasil foi chamada de “plebeia”, “empregadinha” e houve até quem desejasse a morte para ela antes do Miss Universo.



          Em Pernambuco, a fúria de muitos se voltou contra o casal formado por Taynan dos Prazeres e Yudi dos Santos, o primeiro transsexual-pai de Pernambuco. Os dois moram em São Lourenço da Mata e são pais de Ariel, um bebê de um mês que ganhou nome agênero, ou seja neutro, e que será criado dentro da mesma filosofia. Segundo eles, Ariel será orientado sem binarismo para que no futuro possa escolher ser e viver como mulher ou homem.
          Não só a notícia, dada com exclusividade nas páginas do Diario de Pernambuco e tratada como indicativo de um fenômeno social que começa a ser visto no mundo, mas os próprios personagens se transformaram em alvo de centenas de ataques verbais. A família da criança diz ter se sentido intimidada diante de tamanha reação negativa dos leitores.


          O tema é dos mais delicados. Até mesmo entre simpatizantes e militantes da Comunidade LGBT surgiu divergência sobre o futuro que está sendo construído para Ariel. Compreende-se. Aceita-se. Debates sobre excessos, valores, sexualidade, gênero e sobre o futuro que queremos e teremos são opiniões moldagem para o novo mundo, que está aí e não se pode negar.
          Tanto no caso de Ariel quanto no caso de Monalysa o que não é aceitável é a falta de respeito para com os outros. Até que ponto a divergência e a contrariedade diante de algo com o qual não se apoia dão livre passagem para que um cidadão provoque ou ataque o outro como bárbaros embrutecidos?


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MEMÓRIAS DE SÃO JOSÉ DA LAJE - Notícias de 1952

      

  Através do rádio, um luxo para a época, chegavam notícias como se fossem de outras galáxias:  

“Tico-Tico no Fubá”, filme nacional baseado na vida do compositor Zequinha de Abreu, fazia sucesso nas telas dos cinemas;
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Nas Olimpíadas de Helsinque, na Finlândia, o atleta brasileiro Ademar Ferreira da Silva vencia a prova de salto triplo;
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Vítima de desastre de automóvel, morria o cantor Francisco Alves;
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João Martins e Ed Keffel, da revista O Cruzeiro, fotografaram um disco voador no Rio de Janeiro.
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       São José da Laje estava em festa com a visita de Arnon de Mello (1911-1983), governador de Alagoas. Talvez ele revertesse o problema d’água que afetava a população. Por coincidência, a música de maior sucesso era o samba “Lata d’água”, de Luiz Antônio (1921-1996) e Jota Junior (1923-2009), gravada por Marlene (1922-2014).

Lata d'água na cabeça,
lá vai Maria, lá vai Maria.
Sobe o morro e não se cansa.
Pela mão leva a criança.
Lá vai Maria.

Maria lava roupa lá no alto,
lutando pelo pão de cada dia,
sonhando com a vida do asfalto
que acaba onde o morro principia.

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Neste  link, cena do filme "Tudo Azul", onde Marlene canta “Lata d’água”, www.youtube.com/watch?v=XNskWy9aIFs

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Daslan Melo Lima - Memórias de São José da Laje, a cidadezinha
alagoana onde nasci. 

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DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - Tereza Nogueira, confissões na tarde timbaubense

Daslan Melo Lima

>>>>> Tereza Nogueira, a delegada-cantora, natural de Petrolina, já conquistou Timbaúba e vai conquistar o Brasil, quiçá o mundo.

Tereza Nogueira, à vontade diante das câmaras, como se fosse uma modelo 
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Tereza Nogueira e eu, pausa para um flash na tarde timbaubense
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          Foi numa tarde fria de julho, na casa timbaubense da produtora musical Regina Glória, que conhecei pessoalmente a delegada e cantora Tereza Nogueira. A minha amiga ​Regina Glória está radicada há anos em Portugal e de vez em quando vem matar a saudade do Brasil, agora com mais frequência por conta de sua atividade profissional, assessorando as carreiras musicais de talentos como o de Tereza Nogueira.


Regina Glória e Tereza Nogueira
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          Conversar com Tereza Nogueira e ouvi-la falar da sua trajetória, foi uma grande satisfação. Natural de Petrolina, a delegada migrou com a mãe e um irmão para o Recife aos 12 anos de idade. Aos 14 já trabalhava como serviços gerais numa loja para ajudar nas despesas de casa. A música era algo que estava lá dentro do seu coração, pronta para ser externada, o que só veio acontecer anos depois. Aprovada para cursar Direito numa instituição particular, a Unicap, Universidade Católica de Pernambuco, não tinha ideia de como faria para pagar a alta mensalidade. “Eu escolhi o Direito em busca de uma segurança financeira. A gente passou por muitas dificuldades no Recife. Eu não podia cantar durante a noite ganhando apenas R$ 30. Por isso, tive que optar pela área jurídica por ser minha segunda vocação”, confessou emocionada.
          De repente, na fila da matrícula, um cartaz lhe chamou a atenção. Tratava-se de uma seleção para compor o grupo artístico MPB Unicap.  Os selecionados ganhariam, nada mais, nada menos, do que uma bolsa de estudos integral. E eis que Tereza Nogueira, com seu timbre de voz mezzo-contralto, foi aprovada. Um sonho.
         Terminado o curso de Direito, focou sua energia para se preparar para o concurso de Delegado de Polícia Civil, pois não poderia se dar ao luxo de apostar totalmente na música como alternativa primordial. Aprovada no concurso, carreira consolidada, eis que surge Tereza em 2013, lançando seu primeiro cd intitulado ‘Madrugada Fria’, com 13 músicas, sendo 11 delas composições próprias, em parceria com o esposo Gustavo Coelho. O CD foi gravado no Recife e masterizado em Londres, no mesmo estúdio dos Beatles, o Abbey Road. O trabalho foi dirigido por Renato Bandeira, músico da SpokFrevo Orquestra, além da assinatura de grandes nomes da música do Recife.




         A forma como Tereza Nogueira concilia a atividade de delegada com a de cantora desperta muita curiosidade, tanto que isso a levou para o programa Encontro com Fátima Bernardes, na TV Globo, há três anos. Quando da nossa entrevista, Tereza tinha show agendado no Bar do Animal,  em Timbaúba, mas antes, a mais nova sertaneja do Brasil ia  lançar seu EP, no Senhor Chopp, Recife. 
        Se depender da sua determinação, carisma e talento, daqui a pouco a cantora e compositora vai ganhar todo o Brasil, quiçá o mundo.

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Um pouco de Tereza Nogueira no São João de Timbaúba, Pernambuco
www.youtube.com/watch?v=g6dqvfLgHlo
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SESSÃO NOSTALGIA - Monalysa Alcântara, a nova namorada do Brasil

Daslan Melo Lima

           No sábado, 19, antes de o relógio marcar 22h30min, eu já estava diante da televisão, a fim de assistir ao concurso Miss Brasil 2017, transmitido pela Band, direto do Teatro de Vermelhos, Ilhabela, São Paulo.  


              Das 27 concorrentes ao Miss Brasil 2017, eu só conhecia pessoalmente duas: Iulli Thaísa, Miss Pernambuco, e Saiury Carvalho, Miss Sergipe. Com base nas imagens que tinha visto pela internet, meu Top 5, por ordem de preferência, era:

Isabel Correia, Miss Rio de Janeiro;
Monalysa Alcântara, Miss Piauí;
Islane Machado, Miss Tocantins; 
Saiury Carvalho, Miss Sergipe; 
Iulli Thaísa, Miss Pernambuco.  

          As minhas demais preferidas, destinadas a compor o meu hipotético Top 15, por ordem dos Estados, eram: 


Bahia, Caroline Oliveira
Ceará, Aléxia Duarte
Distrito Federal, Sthépane Dias
Goiás, Jeovanca Nascimento
Pará, Stéfany Figueiredo
Paraná, Patrícia Garcia
Rio Grande do Norte, Milena Balza
Rio Grande do Sul, Juliana Mueller
Roraima, Nathália Lago
Santa Catarina, Tamiris Ficht

          Aquela que eu esperava ser vencedora, a representante do Rio de Janeiro, não obteve classificação, assim como as Misses Distrito Federal, Pará, Roraima e Santa Catarina.  

Paixão antiga

            Paixão antiga, as misses entraram na minha vida quando eu era criança. Minha tia Soledade Lima só ia dormir depois que a transmissão precária pelo rádio, direto do Maracanãzinho, anunciava quem era a nova Miss Brasil. Eu adorava ouvir ela contar no dia seguinte as suas impressões sobre o evento. Sua imaginação fluía, já que tia Dade tinha apenas ouvido pelo rádio, e não visto pela televisão.  Duas semanas depois, era uma festa a chegada em São José da Laje, a cidadezinha alagoana onde nasci, das revistas O Cruzeiro, Manchete e Fatos & Fotos, com reportagens generosas sobre o concurso.  

Do que gostei e do que não gostei

             Do que gostei do concurso Miss Brasil 2017?  De várias coisas, entre as quais: 1 – Ver uma Miss Brasil de anos anteriores na comissão julgadora, no caso Leila Schuster, semifinalista (Top 10) no Miss Universo 1993; 2 – Da agilidade de como o evento foi realizado; 4 – De cada Miss se apresentando; 5 - Das perguntas feitas às classificadas à medida que avançavam na competição; 6 – De ouvir a canção “Morena Rosa”, de Dorival Caymmi (1914-2008) na voz de Marina de La Riva, durante o desfile em traje de gala. A propósito, imagino como seria interessante se cada Miss levasse seu próprio vestido para o concurso, como no passado. Há muitos figurinistas por esse imenso Brasil fazendo muita coisa bonita. Seria uma maneira de valorizar a arte de cada Estado brasileiro.             
            Do que não gostei do concurso Miss Brasil 2017? De várias coisas, entre as quais: 1 – A ausência de trajes típicos, dos singelos, e não dos  extravagantes; 2 – Da falta de um momento onde, após anunciado o resultado do Top 3, esse ficasse junto bem junto para ser focalizado pelas câmaras. 
        Caso alguém da Bee Emotion leia esta crônica, tome tudo isso aqui escrito como críticas construtivas de quem ama o  mundo Miss e deseja o melhor para o certame.
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         Em décadas passadas, quando uma jovem se destacava pelo seu talento, beleza e carisma, uma revista lhe atribuía o título de “namorada do Brasil”. Como O Cruzeiro, Manchete, e Fatos & Fotos fazem partem do passado, PASSARELA CULTURAL aqui está para outorgar a você, Monalysa Alcântara, Miss Piaui, Miss Brasil 2017, o título de NAMORADA DO BRASIL

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Vídeo com a performance completa de Monalysa Alcântara no Miss Brasil 2017

sábado, 19 de agosto de 2017

SESSÃO NOSTALGIA - Miss Brasil 2017




SEMPRE UNIDOS, LESTE, OESTE, NORTE E SUL, NA BELEZA DAS MULHERES DO BRASIL 

            Neste sábado, 19, quando o relógio estiver marcando 22h30min, se Deus permitir, estarei diante da televisão, a fim de assistir ao concurso Miss Brasil 2017, transmitindo pela Band. 
          Paixão antiga, as misses entraram na minha vida há muitos anos, herança da minha inesquecível Tia Soledade, que só ia dormir depois que a transmissão precária pelo rádio, direto do Maracanãzinho, anunciava quem seria a representante brasileira no Miss Universo. Depois disso, era esperar que as revistas O Cruzeiro, Manchete e Fatos & Fotos chegassem à nossa alagoana São José da Laje, duas semanas depois, trazendo a cobertura do concurso. 
            Das 27 concorrentes ao Miss Brasil 2017, conheço pessoalmente apenas duas: Iulli Thaísa, Miss Pernambuco, e Saiury Carvalho, Miss Sergipe. Com base nas imagens que já vi pela internet, ouso apontar meu Top 5, por ordem de preferência: RJ, PI, TO, SE e PE. Ao vivo, talvez, minha percepção de favoritas seria outra. Em ordem alfabética, também gosto das misses BA, CE, DF, GO, PA, PR, RN, RR, RS e SC. O nível está muito bom. 
          Enquanto isso, até à hora do concurso, estarei cantarolando silenciosamente “Canção das Misses”, de Lourival Faissal, sucesso gravado por Ellen de Lima, trilha sonora dos concursos Miss Brasil dos anos 60. 

Os Estados brasileiros se apresentam 
nesta festa de alegria e esplendor. 
Jovens misses seus Estados representam 
seus costumes, seus encantos, seu valor. 

Em desfile, nossa terra, nossa gente, 
pela glória do auriverde em céu de anil. 
Sempre unidos, Leste, Oeste, Norte, Sul,
na beleza das mulheres do Brasil.

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 – Daslan Melo Lima
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Canção das Misses,

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MEMÓRIAS DE SÃO JOSÉ DA LAJE - Os eleitos dos deuses

                 

 
         Vários alunos do Ginásio São José eram extrovertidos, esportistas, tinham uma intimidade fantástica com a bola e eram a própria personificação da famosa citação latina “mens sana in corpore sano”, uma mente sã num corpo são. 
      Eu era introvertido e não tinha habilidade para os esportes. Em vão, perguntava a mim mesmo o porquê de não ter sido eleito pelos deuses como aqueles rapazes predestinados aos aplausos.   
          Vestido de roupas tecidas durante incontáveis fases da lua, entendi muito tempo depois que cada um, com o seu talento diferenciado, tem o seu espaço no espetáculo da vida. Na foto há um lugar invisível. É o meu. 
        Os eleitos alagoanos de São José da Laje, coroados pelos deuses, estavam prontos para colher aplausos. Eu estou pronto para administrar sonhos e diluir emoções inacabadas. 
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Na foto, da esquerda para a direita: Estanho - Ederlindo - Walter de seu Nem - ? - Nelson de Sinita - Iran -  Iranildo Valença - Rudval. ***** Sentados, na mesma ordem: Clarício Valença Neves Neto - Pedro Paiva - ? - Nelson - ? - Sandino e Roberto Valença.
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Daslan Melo Lima - Memórias de São José da Laje, a cidadezinha alagoana onde nasci.

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DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - Túnel do Tempo. "Nada será como antes"




   Foto de 26/11/1972, acervo de Ana Lygia Cajá

         Em pé, da esquerda para a direita, Joel Monteiro, proprietário da empresa Auto Viação Monteiro, que fazia a linha Timbaúba/Recife/Timbaúba, e “Zé da Macaca”, filho do Dr. Irajá. Sentados: Manoel Cajá (com sua neta Ana Lygia Cajá), Dr. Irajá D'Almeida Lins, Juiz de Direito na época, e João Alves Ferreira
        “Nada será como antes”, dirá alguém ao viajar no túnel do tempo através desta foto. Alguém vai até cantarolar uma música de Milton Nascimento gravada por Elis Regina, um dos grandes sucessos daquele distante 1972. 

Alvoroço em meu coração 
Amanhã ou depois de amanhã 
Resistindo na boca da noite um gosto de sol
Num domingo qualquer, qualquer hora 
Ventania em qualquer direção 
Sei que nada será como antes...

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sábado, 12 de agosto de 2017

"Um pouco de luz vence muitas trevas"

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       - “Flores?” 
        O vendedor oferece flores para a moça e ela responde: 
     - “Saí apressada, sem bolsa, sem nada e aqui no meu bolso só tem um cartão.”
       Imediatamente, ele pondera: 
       - “Tudo bem, porque eu também aceito débito, crédito e até refeição”. 
    Assim tem início o belo, romântico, leve e doce comercial musical da Minizinha, máquina leitora de cartões para pagamentos online, protagonizado pelo cantor Marcelo Teló e pela atriz Luísa Arraes
      Em meio ao noticiário televisivo sobre os problemas da atualidade brasileira, nada mais relaxante para o corpo e o espírito do que uma propaganda desse nível. 
      “Um pouco de luz vence muitas trevas”, já dizia o diplomata, dramaturgo e poeta francês Paul Claudel (1868-1955)
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– Daslan Melo Lima 

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Para assistir ao Flores, o comercial da Minizinha, clique neste link:
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DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - Espíritas timbaubenses, “um dia a gente chega, no outro vai embora”

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Iniciativas religiosas, independente de religião, fortalecem a esperança num mundo melhor.
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          Fomos buscar numa matéria de Leandro Sarmatz, jornalista, escritor e dramaturgo gaúcho, para a Super Interessante, a introdução desta matéria.
        Criado por um pedagogo, o Espiritismo surgiu na França no século XIX. Hoje, o Brasil possui a maior comunidade espírita do mundo. Os espíritas consideram a morte apenas uma etapa da evolução pessoal. Religião ou doutrina? Se você perguntar a algum frequentador assíduo de centro espírita, provavelmente receberá a seguinte resposta: o Espiritismo é uma doutrina revelada pelos espíritos superiores a Allan Kardec, que a codificou em cinco obras.  O Espiritismo reivindica não apenas um status de religião, mas também de ciência e de filosofia. Ou seja: é uma fé e uma doutrina cujas manifestações – contato com espíritos, regressões a vidas passadas e textos psicografados – poderiam ser comprovadas através do método dedutivo herdado da ciência.

       Neste julho de inverno generoso, espíritas timbaubenses promoveram dois eventos inesquecíveis, um chá beneficente e a apresentação de um cantor lírico. O primeiro foi realizado num domingo à tarde, no Colégio Timbaubense, com renda destinada às iniciativas solidárias do Centro Espírita Bezerra de Menezes.
Equipe do Centro Espírita Bezerra de Menezes, coordenadora do chá.

          A noite musical foi realizada na FET, Federação Espírita de Timbaúba, com a presença do paulista Allan Vilches, cantor lírico, tenor, espírita atuante que ministra palestras e apresentações musicais a convite de casas espíritas e em ações beneméritas. 


     
   Uma canção popular, “Tocando em Frente”, de Renato Teixeira e Almir Sater, na voz de Allan Vilches, arrancou inúmeros aplausos na FET e diz muito da atitude de quem comunga com o Espiritismo.

Ando devagar porque já tive pressa
e levo este sorriso porque já chorei demais. 
Hoje me sinto mais forte, mais feliz, quem sabe?
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei, ou nada sei.

Conhecer as manhas e as manhãs,
o sabor das massas e das maçãs. 
É preciso amor pra poder pulsar. 
É preciso paz pra poder sorrir. 
É preciso a chuva para florir.

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
compreender a marcha, ir tocando em frente.
Como um velho boiadeiro levando a boiada,
eu vou tocando os dias pela longa estrada, eu vou, estrada eu sou. 

Todo mundo ama um dia, todo mundo chora.
Um dia a gente chega, no outro vai embora. 
Cada um de nós compõe a sua história.
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz, de ser feliz.

         Após a apresentação, Allan Vilches deu um show de simpatia autografando cds e dvds. 

Ladeado por Antônio e Carmélia Pedrosa, seus anfitriões.
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 Marcela e o pai João Marcelo foram prestigiar o evento. 
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 Allan Vilches ladeado pelo casal Marcos Antônio e Matilde Vasconcelos.
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 Walter Correia e Poline  Albuquerque também adquiriram cds e dvds.
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 Allan Vilches e Celma Lucia Vasconcelos
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O assunto desta secção, em forma compacta, é o destaque da página Comportamento, edição de julho da revista TIMBAÚBA EM FOCO.
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Para quem ainda não conhece o talento de Allan Vilches, basta um clique nos links abaixo.

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MEMÓRIAS DE SÃO JOSÉ DA LAJE - Minha América, meu céu, meu lar

         


         Até a idade de doze anos, o mundo para mim se resumia apenas a São José da Laje. Eu não conhecia nenhum outro lugar, a não ser a cidadezinha alagoana onde nasci. 
         Naquele cenário havia um detalhe mágico, o rio Canhoto, que passava atrás da casa do meu avô materno, Gustavo Souza Melo, o "seu" Xéu, na rua Passagem de Maceió. Enquanto lavava roupas no rio, minha mãe cantava uma música que dizia assim: 

        Deus salve a América, terra de amor, 
         verdes mares e o os campos cobertos de flor. 
        A bonança é a esperança do altar. 
        Deus salve a América, meu céu , meu lar.

       As pedras, os patos nadando, as “baronesas”, minha mãe cantando, o vento, o silêncio e a igreja ao longe faziam parte do meu paraíso particular. São José da Laje era minha América, meu céu , meu lar. 
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Daslan Melo Lima - Memórias de São José da Laje, a cidadezinha alagoana onde nasci.

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SESSÃO NOSTALGIA – O primeiro dia de Adalgisa Colombo e Sônia Maria Campos depois do concurso Miss Brasil 1958

Daslan Melo Lima

       O concurso Miss Brasil 1958 foi realizado na noite de 21 de junho, no Maracanãzinho.  Era época de Copa do Mundo da Fifa e o nosso País estava fazendo uma excelente campanha. A revista O Cruzeiro de 05 de julho, circulou com oito páginas dedicadas ao certame e trinta e duas à conquista brasileira do seu primeiro campeonato mundial de futebol. 
       O concurso Miss Brasil atraía tanto a atenção da população quanto a Copa do Mundo. Prova disso é a capa da O Cruzeiro, que teve uma edição de 500.000 exemplares, trazendo Teresinha Morango, Miss Amazonas, Miss Brasil e Vice-Miss Universo 1957, coroando Adalgisa Colombo, Miss Distrito Federal, Miss Brasil 1958.  
  
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Primeiro dia das mais belas
Texto de Luís Edgard de Andrade e fotos de Indalécio Wanderley
O Cruzeiro, Ano XXX, nº 39, 05/07/1958


Adalgisa em quatro tempos no seu primeiro dia depois de Miss Brasil. As fotografias foram feitas por Indalécio Wanderley no Sítio Vale do Ipê, do industrial Santos Afonso.

Perfil de Adalgisa, eleita no concurso patrocinado pelo Leite de Rosas.
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Adalgisa guardou flores para São Judas Tadeu – Quando acordou na manhã do domingo, o sol já alto, Adalgisa Colombo sentou-se na cama e ficou espiando a faixa verde-amarela estendida na cadeira. Esfregou os olhos. “Será minha mesmo?” – pensou. Mandou buscar todos os  jornais. Começaram a chegar as flores. Muitas rosas. Reuniu-as todas para dá-las de presente a São Judas. Uma promessa.

Passou o primeiro dia do seu reinado, fora do Rio, num sítio chamado Vale do Ipê. Durante a viagem, foi mostrando a estrada Rio-Petrópolis a Sônia Maria Campos, Miss Pernambuco, que tirou o segundo lugar e vai a Londres disputar o título de Miss Mundo. “Não deixe de ir à Holanda” – aconselhou Adalgisa, que conhece a Europa – “Lá, tem as tulipas, e as vaquinhas, no inverno, vestem um casaquinho abotoado na cintura.”

Um dia cheio.  Adalgisa tirou retratos, descansou a vista no verde da paisagem, subiu um morro e rezou cinco minutos na capelinha do alto. Só voltou à noite. As luzes da cidade estavam acendendo. Ela às vezes guardava silêncio, mas não cabia em si de contente. Um dado instante, gritou dentro do carro (os vidros levantados por causa do frio): “Eu cheguei! Eu cheguei” Ficará em hotel até a partida para os Estados Unidos. Quem sentiu mais foi o seu gatinho. Ele ficou sozinho em casa, é preto, tem dezesseis anos de idade e passa o dia dormindo.

Adalgisa Colombo ganhou dois títulos em 7 dias – Miss Mundo é o objetivo de Miss Pernambuco.
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Detalhes: O Miss Distrito Federal 1958 foi realizado na noite de sábado, 14. Sete dias depois, no sábado, 21, aconteceu o Miss Brasil.  Adalgisa Colombo (1940-2013) ficou no segundo lugar do Miss Universo 1958, realizado em Long Beach, título conquistado pela colombiana Luz Marina Zuluaga (1938-2015). Sônia Maria Campos foi a sétima colocada no Miss Mundo 1958, realizado em Londres, no ano em que o título foi para Penelope Anne Coelen, da África do Sul.
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Sônia, a que lia Shakespeare e cobrava impostos, vai levar aos ingleses a morena de Pernambuco.



Os olhos pernambucanos de Sônia Maria, em cuja retina ainda há lembranças das águas  mansas do Capibaribe (ou do Beberibe?)
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A pernambucana Sônia Maria Campos apareceu na passarela e, muito antes das primeiras palmas -  ela foi a mais aplaudida da noite -  sua mãe caiu no choro. Sônia, porém, estava serena. Um brinco de pérola caiu da orelha, aos primeiros passos. A moça não teve dúvida, arrancou discretamente o outro e jogou no chão. Sônia, que já leu Shakespeare no original, é do Recife mesmo, mas se criou na Zona da Mata. Trabalha há três anos na Diretoria de Rendas do Interior, e agora, depois que ela é miss, a arrecadação do estado cresceu: todo mundo quer pagar impostos. As concorrentes de Sônia eram louras, e o Sr. Gilberto Freyre, em Apipucos, liderou uma campanha a favor das morenas.

Sônia, quando fala, constrói frases. Por exemplo: “Eu comecei a querer ser miss desde o dia em que compreendi que se deve colaborar com todo movimento que contribua para o engrandecimento do Brasil”. Quando chegou ao Rio, houve um almoço em sua homenagem, os repórteres transformaram a sobremesa em entrevista coletiva. Sônia disse que foi candidata pelo Santa Cruz e acrescentou: “quando me refiro ao Santa Cruz, quero dizer o povo, porque o Santa Cruz é o próprio povo”. Então, perguntei: “Nesse caso, que é que você acha do problema da sucessão governamental em Pernambuco?” Ela nem pestanejou: “É cedo ainda para eu me manifestar”. Fala manso como as pernambucanas, e as mãos tomam parte na conversa. Gosta de dizer, depois da vitória: “Minha vida mudou um pouco, mas o meu eu – a Sônia da Boa Vista, a que trabalha na Diretoria de Rendas – continua sendo o mesmo.”
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As duas maiores paixões dos brasileiros 



Futebol e Misses, as duas maiores paixões dos brasileiros nas décadas de 1950 e 1960. ***** Acima, os campeões mundias de 1958. Em pé, da esquerda para a direita: De Sordi, Zito, Belini, Nilton Santos, Orlando e Gilmar. Agachados, na mesma ordem: Garrincha, Didi, Pelé, Vavá, Zagalo e o massagista Mário Américo.***** Abaixo, Teresinha Morango, Miss Amazonas, Miss Brasil e Vice-Miss Universo 1957 coroando  Adagilsa Colombo, sua sucessora no trono de Miss Brasil. 


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             E assim se passaram quase sessenta anos. Depois daquele 1958, o Brasil ganhou outras quatro Copas do Mundo. A gaúcha Ieda Maria Vargas foi eleita Miss Universo em 1963 e a baiana Martha Vasconcellos em 1968. A coroa de Miss Mundo foi conquistada por uma brasileira uma única vez, em 1971, com Lúcia Tavares Petterle, Miss Guanabara, Vice-Miss Brasil 1971.

          Quase seis décadas depois, garotas lindas desse nosso imenso País tropical ainda sonham com a faixa e a coroa de Miss Brasil. Enquanto isso, sonho com o dia de ver o concurso Miss Brasil retomar à imensa popularidade que desfrutava nos anos cinquenta e sessenta.

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