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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - Ecos do Carnaval de 2016

SESSÃO NOSTALGIA - Aquele janeiro em Manizales

Daslan Melo Lima



     Festival em Manizales. A cidade colombiana dos Andes se engalanou para receber as quinze beldades latino-americanas concorrentes ao título de Rainha Continental do Café. Eleita Analida Alfaro, representante do Panamá. 
      A revista O Cruzeiro, de 09/03/1957, circulou com uma matéria de quatro páginas dedicadas à eleição da primeira Rainha Internacional do Café, evento realizado em 24/01/1957, nome como hoje é conhecido o tradicional concurso, com reportagem de Jorge Ferreira e fotos de Eugênio Silva. Direto do Túnel do Tempo, aquele janeiro em Manizales.
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Manizales (Colômbia, janeiro) - Manizales  é uma joia encravada nos Andes. Montanhas de neves eternas, vales verdes e férteis, um céu azul de transparência cristalina - eis a paisagem que a compõe. E aí se encontra um dos povos mais hospitaleiros da América. Comunicativo, vivendo com um profundo sentido humano, reparte com o forasteiro a sua alma, a sua casa e o seu pão. Para o manizalito, a sua Feira Anual tem um significado tão grande como tem para o carioca o seu Carnaval. Durante uma semana Manizale engalana-se, enfeita-se e vive numa perene embriagues de alegria. Recorda a tradição hispânica e transforma-se em Sevilha. Vai à "plaza de toros", e ali rende homenagens quase alucinantes a Cesar Giron, ou a Manolo Vásquez ou a esse bravo Paco Mendes - três rapazes que brincam com a morte, em passo de "ballet", vencendo pela astúcia, mas lealmente, os mais belos e ferozes produtos das mais famosas "ganaderias" colombianas. Nas "soirées" elegantes põe fraque e cartola, sem quebra de naturalidade, e vive faustosamente grandes momentos, dentro de um luxo elegante. Pois foi nessa Manizales de requinte e de touradas, Manizales garbosa,  altiva e cavalheiresca que se elegeu e coroou a primeira Rainha Continental do Café. 
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AS CONCORRENTES

 Quinze eram as jovens que disputavam o ambicionado reinado, representando a graça e a beleza da maioria dos países latino-americanos, Cléia Honain, do Brasil; Glória Aristizabal, da Colômbia; Martha de la Espriella, da Costa Rica; Norma Dominguez Valdés, de Cuba; Magda Mejia Guzmán, da República Dominicana; Marlene Guillén, do Equador; Sônia Magaña, de El Salvador; Hilda Rivera, da Guatemala; Glória Berger, de Honduras; Mercedes Espinoza, do México; Lila Bendaña, da Nicarágua; Analida Alfaro, do Panamá; Bertha Melgar, do Peru; Ivonne Mattei, de Porto Rico; e Irma de la Rosa, da Venezuela. Em Manizales, foram alvos de todas as atenções, e a hospitalidade carinhosa do povo manizalito envolveu esse admirável grupo de beldades: elementos da riquíssima sociedade local hospedaram, em seus lares, as campeãs de beleza da América Latina.




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CLÉIA, A BELEZA COR DE JAMBO


Carnaval no Rio? Não. É apenas
a brasileira Cléia Honain, ao tomar parte no desfile das concorrentes.

     O casal Roberto Robledo acolheu a rainha brasileira, desdobrando-se para que a jovem Cléia se sentisse como se estivesse na sua pátria. Vinte e quatro de janeiro foi o dia da decisão. No "coliseo cubierto" da cidade seria eleita aqueia que, pela primeira vez, iria ostentar o título e Rainha Continental do Café. Os juízes - srs. Germán Bribar, embaixador da Espanha; Leif Ohrvall, embaixador da Suécia e "el honorable señor" Wilfrid MacCullough, do Canadá - teriam (como tiveram) que sofrer para proclamar seu "veredictum". Percebia-se, porém, que das quinze, cinco delas logo poderiam ser apontadas como prováveis ganhadoras: Brasil, México, Guatemala, Panamá e Colômbia. E, desas cinco, sentia-se que o cetro estaria pendendo entre o Brasil e Panamá. Os juízes escolheram Analida Alfaro e o povo "manizalito" elegeu Cléia Honain como rainha do seu coração.  

      Ela volta ao Brasil com a admiração do povo de Manizales. Desde logo a sua beleza invulgar, a sua tez cor de jambo e aqueles raros, grandes e vivos olhos verdes cativaram os manizalitos. E ela incendiou, ainda, o coração de alguns jovens colombianos, recebendo, em três dias, quatro propostas de casamento de rapazes multimilionários de Cali, Manizales e Bogotá. Acontece, disse-nos Cléia, que meu coração está no Brasil. 
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QUEM É A RAINHA

   
 Analida Alfaro - 50% panamenha e 50% colombiana - foi solenemente coroada por "don" Manoel Mejija, diretor da Federação Nacional de Cafeicultora da Colômbia. O bravo e grande capitão da cafeicultura colombiana estava sinceramente emocionado, quando depositou  a coroa sobre os lindos e sedosos cabelos louros de Analida. A jovem panamenha - que indubitavelmente dignifica o trono -  é uma criatura realmente bonita e suas feições lembram a Joan Fontaine e, mais ainda, a Gina Lollobrigida. Tem dezoito anos, cursou escola panamenhas e norte-americanas. Simples nos gestos, sem afetação no comportamento, recebeu a notícia de sua eleição com um sorriso e um monossílabo: Yo?
      Além do título, e por causa dele, Analida ganhou uma coroa de ouro, cravejada de brilhantes, um cadillac dourado 1957 e uma viagem de 30 dias aos Estados Unidos, para onde deverá partir em abril.

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    Depois daquele janeiro em Manizales, oito brasileiras já foram classificadas em primeiro lugar no concurso Rainha Internacional do Café: Denise Guimarães Prado (1959); Mercedes Elizabeth Carrascosa Von Glehn (1961); Márcia Gabrielle (1985); Ana Márcia Marques de Moura (1988); Regilaine Bittencourt de Miranda (1995); Francine Eickemberg (2001); Mariana Notarangelo de Fonseca (2010); e Priscila Medeiros Durand (2014).
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      Depois daquele janeiro em Manizales, o seu povo continua comunicativo, vivendo com um profundo sentido humano, repartindo com o forasteiro a sua alma, a sua casa e o seu pão. 

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