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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ EM PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 632, referente ao período de 13 a 19 de agosto de 2017. ***** Editor: Daslan Melo Lima ***** Timbaúba, Pernambuco, Brasil ***** Telefone: (81) 9.9612-0904 (Tim). ***** WhatsApp: +55 81 9.9612.0904 ***** E-mail: daslan@terra.com.br

sábado, 26 de setembro de 2015

VERDADES SECRETAS, UMA VODKA PARA VISKY E LOURDECA


A novela “Verdades Secretas”, de Walcyr Carrasco, uma das melhoras tramas dos últimos anos, cujo último capítulo foi ao ar na noite de ontem, merece nota dez. Personagens envolvidas em cenas verossímeis fizeram o telespectador refletir sobre as ilusões e desilusões da carreira de modelo. Atores e atrizes deram um show de interpretações dignas do Oscar.  ***** Duas personagens, aptas a  figurarem como principais de um novo folhetim, retrataram de forma ímpar o desamor e a solidão: Visky, o gay vivido por Rainer Cadete; e Lourdeca, a funcionária acima do peso da agência de modelos, na pele de Dida Camero. A “libélula” e a “baleia assassina” foram vítimas de discriminação, e nos momentos em que desabafavam, entre um gole e outro de vodka, terminavam na cama fazendo sexo, como uma fuga para a solidão e o desamor.  ***** ”Verdades Secretas” vai continuar durante muito tempo em minhas lembranças, principalmente quando, entre um gole e outro de vodka, eu me lembrar das atuações de Rainer Cadete e Dida Camero. – Daslan Melo Lima

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DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO

UM FATO EM FOCO

          Esta pessoa foi encontrada perambulando pela BR 408, nas imediações da Usina Cruangi, Timbaúba, PE, na noite de 27/07/2013, e resgatada pela Policia Militar. Diz chamar-se Ivelise Maria Justino Alves, não sabendo informar idade, familiares, de onde veio, etc.
         Qualquer informação, entre em contato com o CAOP-Cidadania/MPPE , (81) 3182.7411, caopjdc@mppe.mp.br ; Policia Militar (81) 3631.5241; Promotoria de Justiça de sua cidade ou pelo e-mail contatodesaparecidos@gmail.com, com a Srª Amanda. Ivelise  encontra-se abrigada em um lar de idosos em Timbaúba, PE, e aparenta boa saúde. 
      Detalhe: A idosa tem uma cicatriz de 15cm na  perna  esquerda, já bastante antiga, acima do joelho, com a marca bem visível do corte e dos pontos, mas sem queloide, provavelmente devido a uma cirurgia ortopédica.

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TULIPA RECEPÇÕES


No imóvel onde durante muitos anos funcionou a famosa Padaria Paris, próximo à sede da Banda 1º de Novembro, foi inaugurada a Tulipa Recepções, um local destinado a marcar época na região.
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Devido a um problema nas tarefas de manutenção do blog, outras fotos sobre a inauguração da Tulipa ainda estão pendentes para postagens. 

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SESSÃO NOSTALGIA - – “Vai pra casa Claudinho!” Memórias de Fernanda Boscolo de Camargo, vice-Miss Brasil 1980

 Daslan Melo Lima



         Na terceira semana de fevereiro de 1981, a Placar, revista esportiva semanal da Editora Abril, saiu nas bancas tendo como uma das chamadas de capa a foto de Fernanda Boscolo de Camargo, Miss Santos, Miss São Paulo, vice-Miss Brasil e nossa representante no Miss Beleza Internacional 1980, ao lado do noivo Claudio José Oddoni Agnello, o Claudinho, atacante do Santos Futebol Clube. A reportagem era de Fábio Sormani.
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VAI PRA CASA, CLAUDINHO!


Boa pinta e bom de bola, Claudinho é noivo da Miss Brasil. No Santos, todo mundo barbariza; “Vai pra casa, Padilha!” Fernanda foi convidada para ser estrela de cinema. Mas o ciumento Claudinho, seu futuro marido, não quer dividi-la com ninguém. As fotos lhe dão razão, vai pra casa...


          A onda se espalhou: até fora de Santos estão pegando no pé de Claudinho. É o par mais bonito da cidade. Além de Miss Brasil, é também Rainha das Praias Brasileiras.

      Fernanda Boscolo de Camargo, 18 anos, Rainha das Praias Brasileiras, Miss Tanga Internacional, Miss Santos, Miss São Paulo e Miss Brasil-80. Entre outras coisas, é também noiva do Claudinho, atacante do Santos – que de uns tempos para cá passou, obviamente, a ser chamado de “Padilha”. Quando Fernanda chega à Vila Belmiro para ver seu noivo jogar, com seu 1,71m, 54 Kg, 89 cm de busto, 90 de quadris, 63 de cintura, 54 de coxas, 21 de tornozelo e pé tamanho 36, inspira toda torcida santista, que fica esbravejando: “Vai pra casa, Claudinho!”. E o pior, segundo Claudinho, é que a brincadeira já ganha contornos indiscretos: - estive jogando em Elias Fausto, uma cidadezinha do interior paulista, e até  lá o pessoal sabia da história, mas eu não ligo, nem posso.
      Mas há uma coisa  que Claudinho, por mais que tente, não consegue esconder: um terrível ciúme de Fernanda. É que ela, depois de todos esses prêmios, recebeu vários convites para fazer filmes e televisão. Recusou todos: - Entre o mundo artístico e o Claudinho, prefiro ele, é claro.
Depois dessa prova definitiva de amor, novo beijo. Aí  ela passa a falar de futebol, “esporte que aprendi a gostar”. E Fernanda já está se preparando para ser mulher de jogador, missão ao que não lhe parece tão difícil, “pois tudo é questão de costume”. Claudinho, por sua vez, prepara seu espírito para ser marido de miss.
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A MULHER DE CLAUDINHO


     Em 02/03/1987, a revista Placar, em reportagem de Márcia Pereira, voltou a focalizar em sua páginas Fernanda Boscolo de Camargo, por sua vitória no concurso "A Mais Bela Mulher Casada do Brasil". 



     Padilha era um personagem de Jô Soares que fez muito sucesso no início dos anos 80. Casado com uma mulher estonteante, Padilha vivia sendo aconselhado pelos amigos a não deixar um instante sua bela cara-metade. “Vai pra casa, Padilha” tornou-se uma frase famosa no Viva o Gordo. Naquela época, o jogador Claudinho, do Santos, começou a namorar Fernanda Bôscolo de Camargo. Não demorou muito e seu sossego acabou. Era chegar nos treinos ou apresentar-se para a concentração, lá vinha o coro de todo o elenco: “Vai pra casa, Claudinho”.
     Pudera! Fernanda, então com 18 anos, já havia sido Rainha das Praias Brasileiras, Miss Tanga Internacional, Miss Santos, Miss São Paulo e Miss Brasil 1980. Suas medidas perfeitas – 1,71 m, 54 Kg, 89 cm de busto, 90 cm de quadris, 63 cm de cintura, 54 cm de coxas – levaram-na até Tóquio, onde representou o Brasil no com curso Miss Beleza Internacional.
     Suas medidas perfeitas, também quase deixam Claudinho maluco: em pouco tempo, não só os companheiros de clube, mas as torcidas nos estádios não perdoavam o jogador. E era “Vai pra casa, Claudinho” por todo lado. Pior: por mais que tentasse esconder, seu ciúme pela noiva era terrível. Fernanda recebeu várias propostas para fazer filmes e televisão. Recusou todas: entre o mundo artístico  e Claudinho, preferiu subir ao altar.
      Casada há três anos, e hoje com um filho – Bruno, de 1 ano e dois meses - , Fernanda nunca deixou de se manter em forma. Faz natação e musculação todos os dias e nem na época da gravidez abandonou os esportes. E, para não perder o hábito, venceu no mês passado o concurso “A Mais Bela Mulher Casada do Brasil”, promovido pelo Ilha Porchat Clube, de São Vicente, SP.
     E Claudinho, onde anda? Depois de ter sido campeão paulista pelo Santos em 1978, o atacante se transferiu para a portuguesa em 1982, e no ano seguinte resolveu encerrar sua carreira na Portuguesa Santista. Hoje, é um bem sucedido publicitário na agência de propaganda MPM, em São Paulo. O ciúme por Fernanda ainda é o mesmo dos tempos de namoro. “Se alguém olha para ela com segundas intenções, parto para a briga”, adverte.

      Mas de uma coisa ele não escapa. Todos os dias, no final do expediente de trabalho, antes de pegar a estrada para Santos, onde mora, ouve a famosa frase de alguns colegas: “Vai pra casa, Claudinho”.
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   POR ONDE ANDA FERNANDA BOSCOLO DE CAMARGO

           Navegando na internet, encontrei uma matéria sobre a vice-Miss Brasil 1980, no site luliculinariaarteedecor.wordpress.com , do restaurante Luli datada de 23/10/2012. O  Luli está localizado em São Vicente, SP, junto à Ponte Pensil, ao final da Avenida Saturnino de Brito, de onde  se pode avistar as  baías de Santos e São Vicente.


          Divertindo-se com um grupo de amigas, a Miss Brasil Internacional do ano de 1980, a santista Fernanda Bôscolo de Camargo, curtia o Luli na noite de sexta-feira. Descontraída, aceitou falar sobre carreira e a experiência de vida. Hoje atuando em representação comercial, ela que abriu mão da carreira para casar com o ex-jogador Claudinho, da Seleção Brasileira, e campeão paulista pelo Santos, não tem do que se queixar. Tendo se projetado em um período em que não havia tanta mídia e a internet nem existia, ela afirma que há aqueles que ainda duvidam de que ela foi Miss. Em um rápido bate-papo, ela ensina que a vida é feita de opções. Confira a entrevista.
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Luli - Como foi o inicio de tudo?
Fernanda -  Eu nasci em São Paulo e vim com seis anos para Santos. Quando eu tinha 15, fui para São Paulo e aos 17, voltei. Começou a ter estes concursos no Ilha Porchat Club. Ai, me falavam, participa, participa. Eu participei. Era o Rainha das Praias. No começo, tinham 200 candidatas. O concurso foi feito em cinco semanas. A cada semana eu era classificada e na final, entre 20, eu acabei vencendo. Eu nem esperava, porque eu era uma garota de praia, nem sabia andar de salto alto. Foi uma surpresa muito grande para mim.
Depois deste concurso, uma pessoa que se tornou minha amiga, queria que eu fosse para Caracas, no Miss Tanga Internacional. Eu não usava nem tanga. O biquíni era no estilo cocota, mais baixinho. Eu tinha conhecido o Claudinho Agnelo, um dos meninos da Vila da década de 80. Ele jogou na Seleção Brasileira e me emprestou um uniforme. No concurso, todas as meninas estavam arrumadas e eu andando com uniforme da Seleção Brasileira. Eu nem liguei muito para o concurso, eu era muito moleca, meninona. Então, eu fui Miss Santos, Miss SP e Miss Brasil 2. Naquele ano de 80, a Miss Brasil 1 participou do Miss Universo, a Miss Brasil 2, do Beleza Internacional, em Tóquio, e a 3, do Miss Mundo, em Londres.
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Luli - Passado este tempo, qual o aprendizado que fica desta experiência profunda?
Fernanda: Faz muito tempo, são 32 anos, mas guardo na memória momentos maravilhosos que tive como Miss Brasil. Eu fui a única Miss Brasil que ganhou um concurso internacional na Venezuela. Lá, elas ficam o ano todo se preparando para serem misses. Elas já venceram vários concursos. O país é uma fábrica de misses. E eu fui a única brasileira que ganhou um concurso lá. Eu aprendi que não adianta só ser bonita, tem de ter o conjunto, simpatia, saber desfilar…
Depois de ir para Tóquio, no Miss Beleza Internacional, e ver modelos de todo o mundo, todas as belezas diferentes, eu percebi que o que vale é o conjunto. Você tem de saber brilhar, saber se diferenciar das outras, saber se apresentar na passarela. Tem de conquistar o público, e principalmente, o júri que está te avaliando.
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Luli - Há influência dos bastidores?
Fernanda: Depende do concurso. No Miss Beleza Internacional, não por mim, que não almejava ganhar, mas a menina que venceu, não era a mais bonita. Ela era da Costa Rica e tinha morado no Japão uns cinco anos. O pai dela era do consulado do Japão. Então, era muito estranho, porque ela estava sempre envolvida em fotografias. A gente ia para um lugar e ela não ia. Ela queria saber quanto custava uma gravação do concurso para poder oferecer para o país dela. Ai, ela venceu e no palco houve um telefonema da família, que ligou para comemorar. Parecia preparado. Mas havia meninas lindas. Ai a gente vê que alguma coisa sempre tem. Hoje, explora-se muito qualquer oportunidade de brilhar e aumentar os ganhos numa eventual carreira.
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Luli - Como foi aquele período pra você?
Fernanda: Como eu tinha começado a namorar com o Claudinho, era muito fã dele, gostava muito do Santos e dele, quando eu fui para a Venezuela, recebi muitos convites, como para a Playboy e Rede Globo, inclusive. Eu estava namorando e ele me proibiu muita coisa. Eu namorava e segui o caminho. Eu poderia ser rica e famosa ou eu casava. Em preferi casar. Eu casei, casei duas vezes, tenho dois filhos, o Lucas, de 23 anos, arquiteto, e o Bruno, de 27, jogador. Ele jogou na primeira divisão do futebol da Arábia.
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Luli - Poderia ter feito algo diferente?
Fernanda: Eu era muito nova, eu me relacionei muito cedo. Eu era muito amiga da Xuxa e eu sempre tenho isso como exemplo. Ela seguiu um caminho, eu segui outro; ela seguiu o caminho da fama, de ter dinheiro, eu quis casar e ter meus filhos. Ela está super bem, mas ela é um pouco sozinha, solitária. Eu não sou rica, não sou famosa, mas eu estou bem comigo, com meu coração, eu estou muito legal, tenho os meus filhos. Cada um escolhe uma vida e eu escolhi essa.
Naquele período, nós não podíamos sair na rua. O Claudinho era jogador famoso, tinha acabado de ganhar o título de campeão paulista pelo Santos, e uma miss, a única miss de Santos, que foi Miss São Paulo e ganhou título de Miss Brasil. A gente saia e ficava todo mundo em cima, conversando, dando autógrafo. O Milton Neves, da Bandeirantes, vivia falando, vai para casa Padilha. Vai deixar tua mulher em casa? No cinema, antes de começar o filme, apagavam as luzes, e todo mundo ficava, “vai pra casa, vai pra casa”. Era uma coisa muito louca. A gente acaba acostumando, depois, casa, tem filhos, torna-se dona de casa e vai mudando.
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Luli - Alguém cobra alguma coisa?
Fernanda - Quando passo na rua, muita gente me conhece e não acredita tanto assim que eu fui miss, porque normalmente uma miss é muito famosa e eu não fui tanto famosa, eu sou uma pessoa normal, eu trabalho, tenho uma empresa de representação comercial. Então, só as pessoas que me conhecem sabem o valor que tem. Eu não sei o valor que eu tenho. Eu promovi concurso de miss no sul de Minas. Nas prefeituras, quando eu falava que eu era miss, os prefeitos ficavam malucos. Oh, uma Miss Brasil aqui. Tem realmente um peso, é uma coisa muito forte.
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Luli - Quem são seus ídolos?
Fernanda - Ah, eu chorei muito com a morte do Ayrton Senna. Para mim foi o top de tudo. Acho que igual a ele não existe. Eu era muito fã.
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Luli - Um sonho?
Fernanda - O sonho é correr o mundo, como sempre. Eu conheci muitos lugares, conheci os Estados Unidos quase inteiro, a Europa, não muito. Então, o sonho pode ser esse, conhecer o mundo. Eu fui casada duas vezes, acho que tenho muito ainda que curtir a minha vida.
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         PASSARELA CULTURAL sabe do  valor que você tem, Fernanda Boscolo de Camargo, tanto que  no dia 04/02/2012 rendeu  um tributo à sua trajetória de rainha da beleza,
o que gerou comentários  de várias partes do Brasil: de  Mario J., do Rio Grande do Sul;  Muciolo Ferreira, de Pernambuco; Roberta Boscolo de Camargo, sua irmã, de São Paulo; e do Edison Oliveira Brandão, de Minas Gerais. 
               Uma vez Miss, sempre Miss. Miss para sempre Miss.

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sábado, 19 de setembro de 2015

“Não há saber mais ou saber menos: Há saberes diferentes.”


SABERES DIFERENTES – A Escola de Referência em Ensino Médio Jornalista Jáder de Andrade recebeu no dia 03 a visita de Paulo Dutra, Secretário Executivo de Educação Profissional e Integral do Estado de Pernambuco, o qual proferiu uma palestra para os alunos do educandário. Enquanto estava atento ao que ele falava, ao mesmo tempo registrava algumas imagens para a minha coluna sociocultural do jornal Correio de Notícias e mergulhava na citação de um ícone da pedagogia, Paulo Freire (1921-1997), gravada numa coluna do auditório: “Não há saber mais ou saber menos: Há saberes diferentes.” ***** O pedreiro que está concluindo uma pequena obra na minha casa, não saberia estar aqui no meu lugar digitando e compondo esta crônica; em compensação, eu não seria capaz de construir uma parede. Insondáveis saberes diferentes, cada um com sua missão. – Daslan Melo Lima.

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DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO


Dona Santa e o segredo da felicidade: "tenho alegria todo dia"
 

         
          Na tranquilidade de um rosto marcado pelas linhas de quem já ultrapassou oito décadas de vida está uma mulher simples e generosa. Em 1996, Santina Pessôa Bezerra, ou simplesmente Dona Santa Pessôa, coordenadora paroquial da Pastoral da Criança, em parceria com o então pároco de Timbaúba, o Cônego Orlando do Nascimento Silva e com o Movimento Mãe  Rainha, inaugurou a Creche Mãe Rainha, organização não governamental, com personalidade jurídica de direito privado, filantrópico de caráter beneficente, assistencial e educacional, sem fins lucrativos. Inicialmente, a creche foi instalada numa pequena residência cedida por Lucy Pessoa Bezerra, na Vila da Cohab, atendendo doze crianças com idade de zero a seis anos. Diante da grande procura das mães carentes, o espaço tornou-se pequeno e passou a funcionar na APA - Ação Paroquial de Assistência, até que em 2012 instalou-se  num imóvel de propriedade de Emilinha Melo, na  Praça Jáder de Andrade, 89, atendendo hoje uma média de 80 crianças.
       Nascida no dia 20/03//1924, Dona Santa foi criada no seio de uma família numerosa, doze irmãos, fez o curso  ginasial e sempre demonstrou vocação religiosa. Sonhava ser freira e não casou. O destino deu outro rumo à sua caminhada. Aposentada como costureira, acorda cedo e passa o dia inteiro na creche. Fala pouco de si, limitando-se a informar que tem alegria todo dia, mas os olhos ganham um brilho especial quando o assunto é a missão da instituição. 
      “A administração da casa é formada por uma diretoria eleita para um período de dois anos. Temos a colaboração de um médico pediatra, um assistente social, uma psicóloga, um advogado e outros voluntários. Conforme a nossa proposta de trabalho, os pais são estimulados a participar das reuniões mensais de avaliação e desenvolvimento das crianças e também incentivados a colaborar nas atividades da creche, quando necessário.  Servimos quatro refeições por dia.  Aos que desejarem colaborar conosco, peço que façam contato através do e-mail crechemaerainha1996@gmail.com, ou pelo telefone (81) 3631.0756.”
        Dona Santa tem no seu currículo dois prêmios importantes: o Troféu Madalena Arraes,  de Mulher do ano de 2009; e a Comenda Isnar Cabral de Moura, outorgada pela Funjader - Fundação Jáder de Andrade, em 2014. Honrarias mais que merecidas para uma pessoa iluminada que diz ter alegria todo dia e que encontrou o segredo da felicidade: fazer o bem e contribuir para a construção de um mundo melhor.  
   
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MEMÓRIA TIMBAUBENSE




TÚNEL DO TEMPO – Naquele 1968, o nosso País vivia uma delicada transição política.  Os estudantes iam às ruas em protesto contra o governo militar que estabeleceu o Ato Institucional nº 5, suprimindo direitos políticos e individuais em prol do fortalecimento da repressão. Nesse clima conturbado, Nilza Simões, o irmão Nicomedes (em memória) e a amiga Verônica Lucena passaram alguns dias no Rio de Janeiro. 
A foto em preto e branco é testemunha de um tempo onde, por coincidência, uma das músicas mais tocada chamava-se "Retrato em Preto e Branco", de Chico Buarque de Holanda, que diz "Eu trago o peito tão marcado / De lembranças do passado / E você sabe a razão / Vou colecionar mais um soneto / Outro retrato em branco e preto / A maltratar meu coração.”

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Roteiro poético de Timbaúba


A embarcação e um mar sereno. Tudo azul, tranquilamente azul. O pequeno mural de azulejos afixado na varanda da Creche Mãe Rainha, na Praça Jáder de Andrade, leva nossos sentidos para navegar ao lado da brisa do mar das nossas fantasias, azuis ou multicores.    

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SESSÃO NOSTALGIA – Zélia Medeiros, Miss Paraíba 1966, deixa o relógio me olhar

Daslan Melo Lima

     No Estado da Paraíba, quando o assunto é beleza, o nome de Zélia Maria Neves de Medeiros, ou simplesmente Zélia Medeiros, Miss Paraíba 1966, é tido como ícone. 


Loura, 18 anos de idade, Miss Cabo Branco, Miss Paraíba 1966, aluna do tradicional Colégio Nossa Senhora de Lourdes, Zélia Medeiros desfilou na passarela do Sport Club Recife, durante um dos intervalos do concurso Miss Pernambuco 1966. ***** Foto: Clodomir Bezerra/O Cruzeiro, Ano XXXVIII, nº 39, 29/06/1966.
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      Zélia Medeiros conquistou os pernambucanos e recebeu todo o apoio de personalidades ligadas ao mundo da mídia e da beleza, tais como José de Souza Alencar, o Alex; Fernando Barreto; Múcio Catão; João Alberto;  Arnaldo Nolasco; Timbi; Marcílio Campos (que confeccionou o traje de gala com o qual ela desfilou no Maracanãzinho); e a empresa Varig.


         Zélia Medeiros foi garota-propaganda da empresa A Girafa Tecidos. Um poema de sua autoria, O Relógio e o Espelho, foi destaque na revista Tambaú, nº 3, 1966.
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O Relógio e o Espelho

Zélia Medeiros

E o espelho reflete o ar triste e acabrunhado.
Que dizes de mim?
Que pensas?
Que sou um punhado de rosas,
Espinhos que furam as mãos do jardineiro?
Que sou uma vela de que o pavio arrancaram?
Mentes, espelho!
Refletes somente a face da beleza dos cosméticos.
Não te agradecerei se me olhares,
com estes lindos olhos cor de miosótis.
Não te agradecerei se me olhares,
com esta boca rubra de desejos oprimidos.
És mudo, inerte, intransponível,
na tua face de retratar a alma.

Fazes então como o relógio...
Que canta músicas alegres, tristes,
mas que canta!
Canta canções de ninar!
Marca horas angustiantes.
Marca abraços de instantes.
O relógio que corre mundo
e volta ao lar.
O relógio trabalhando ou a parar;
Atrasando-me em me adiantar;
eu o prefiro ao teu fitar
frio e vulgar.
Para, espelho! Para!
Deixa o relógio me olhar.

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     Na décima nona tarde deste setembro de 2015, que logo mais será passado, revendo imagens de Zélia Medeiros, eu pergunto ao tempo por onde anda a eterna Miss Paraíba 1966. 
    Em algum lugar deste nosso imenso Brasil, ela deverá estar mais sábia. Eu também estou mais sábio, embora o espelho frio não reflita minh’alma. Faz muitos anos que ele deixou de refletir o rosto jovem do adolescente que um dia eu fui. Por isso, agora, declamo em silêncio um trecho do poema de Zélia Medeiros. 

O relógio trabalhando ou a parar;
Atrasando-me em me adiantar;
eu o prefiro ao teu fitar
frio e vulgar.
Para, espelho! Para!
Deixa o relógio me olhar.

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PAUSAS NA PASSARELA - Taynara Gargantini, uma "paranabucana" de olho no título de Miss Panamericana Internacional 2015

 Daslan Melo Lima        

         
          Os que fazem a Organização Miss Brasil Latina apresentaram recentemente a  representante do nosso País num dos mais tradicionais concursos de beleza do mundo, o Miss Panamericana Internacional, que acontece todos os anos em Los Angeles, Estados Unidos, este ano comemorando  a sua 30ª edição. Ela é Taynara Santana Gargantini, ou simplesmente Taynara Gargantini, Miss Brasil Panamericana Internacional 2015.  
      Taynara Gargantini nasceu em Paranavaí, Paraná, em 20/02/1990, e morou seis anos no Recife. No seu currículo constam os seguintes títulos de beleza: Miss Clube dos  Oficiais da Polícia Militar de Pernambuco, Top 10 e Miss Simpatia do Miss Pernambuco 2011; Miss Paraná Latina, Miss Simpatia e segundo lugar no Miss Brasil  Latina 2012; Miss Pernambuco Mundo 2013; Miss Paranavaí Universo 2014; e Reina Internacional de la Ganderia (Rainha Internacional da Agropecuária) 2014, tradicional concurso de beleza  que é realizado todos os anos em Córdoba, Colômbia.
         
          No dia 03 de outubro, Taynara viajará para Los Angeles em busca de mais esse título cuja final está agendada para 10 de outubro. "Eu só tenho a agradecer a Deus as oportunidades maravilhosas que Ele tem proporcionado em minha vida. Aos coordenadores Fernando Bandeira Diniz e Luiz Welter de Souza serei eternamente grata por me escolherem para representar o Brasil no Miss Panamericana Internacional 2015, em Los Angeles, Estados Unidos. Obrigada pelo carinho e pela confiança no meu trabalho. Em outubro serei mais uma vez Brasil lá fora. Vou trabalhar muito para dar o meu melhor e buscar essa coroa para o Brasil. Que venha mais um desafio!”, declarou emocionada, com um quê a lembrar Grazielli Soares Massafera, Miss Brasil Beleza Internacional 2004, a hoje atriz global Grazi Massafera.

       Conheci pessoalmente a Miss Brasil Panamericana Internacional 2015 no dia 25/10/2011, no Teatro Boa Vista, Recife, quando da eleição da Miss Brasil Latina 2012. Eu estava na comissão julgadora e ela na passarela, onde conquistou um honroso segundo lugar. 


Beleza: Igor Braga, usando maquiagem Makiê. Vestido: Alisson Fernando Couture. Biquini: Companhia da Moda. Fotos: Guto Costa

       Gosto de chamá-la de “paranabucana”, assim como a define Walberto Camará, que a lançou nos concursos de beleza em Pernambuco. "Paranabucana", a mistura perfeita do frio do Paraná com o calor de Pernambuco.  Se depender da sua determinação, carisma e atributos físicos muito bem distribuídos em 1,74 de altura, Taynara Gargantini voltará para o Brasil vitoriosa, mesmo que não conquiste o cobiçado primeiro lugar. 

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sábado, 5 de setembro de 2015

DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO

A MUSA DO TIMBAÚBA FUTEBOL CLUBE



Jady Torres de Moraes, estudante, 18 anos, é a Musa do Timbaúba Futebol Clube 2015. 

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SESSÃO NOSTALGIA - As musas da Casa Canadá, berço do glamour carioca nos anos 50 e 60

A edição da revista Joyce Pascowitch de agosto 2015 dedicou seis páginas a uma das maiores referências de glamour da história brasileira, a Casa Canadá. A reportagem, que  tem a assinatura do jornalista Renato Fernandes, contou com algumas informações prestadas por mim, com base no meu acervo de publicações que marcaram epóca na imprensa do nosso País, O Cruzeiro e Manchete. Abaixo, transcrevo a reportagem na íntegra, como um documento precioso de um tempo que se foi, com o meu abraço a você, leitor, leitora, e os meus votos de um setembro iluminado, poeticamente e espiritualmente iluminado. - Daslan Melo Lima.

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CERTINHAS PERO NO MUCHO


Por Renato Fernandes

(Getty Images)

Concentração do high society carioca nas décadas de 1950 e 1960, a Casa Canadá era um dos locais preferidos para locomotivas gastarem fortunas em modelitos. Os desfiles eram feitos por manequins que marcaram época, frequentaram os grandes  salões, figuraram em colunas sociais e até mesmo arrumaram um “bom partido”.

          Nos anos dourados, tendo o Rio de Janeiro como berço, a Casa Canadá de Luxe era o endereço certo para senhoras da alta sociedade carioca – e do resto do Brasil – comprarem. Situada na avenida Rio Branco, a butique funcionava sob o comando de Mena Fiala e de sua irmã Cândida, que fazia as compras em Paris até cinco vezes por ano. “Quando eu recebia um convite para uma festa, na mesma tarde já saía correndo para comprar um vestido novo. Era assim com todo mundo: para cada jantar, uma roupa. A Casa Canadá de Luxe era uma delícia”, conta Martha Rocha em sua biografia. Os desfiles realizados por lá geravam congestionamento de Cadillac rabo de peixe. Também consolidaram a profissão de manequim, procuradas por anúncios em jornais. Para isso eram necessários: beleza, elã, cinturinha 58 cm e, no mínimo, 1,70 metro de altura.
          Em 17 de junho de 1945 aconteceu o primeiro desfile. As modelos eram contratadas e exclusivas: “Entravam às 9h e só saíam às 17h. Tinham de estar sempre prontas para desfilar caso chegasse um cliente”, revelou Mena Fiala à revista Manchete em 1988. “Era Mena quem selecionava e ensinava as manequins a desfilarem, em estilo francês. Nessa época, os desfiles eram muito intimistas, com locutor e normalmente sem passarela”, diz Manoel Borrelli, dono da agência BRM Models. “A importância que representava para uma manequim ser contratada pela Canadá de Luxe era a certeza de arranjar um casamento”, afirmou o jornalista Tarlis Batista na Manchete. As manequins da Canadá de Luxe tiveram uma legião de fãs e admiradores secretos. Em seus desfiles regados a petit fours era possível ver o escritor José Lins do Rego, o jornalista Antônio Maria e a primeira dama Sarah Kubitschek. Algumas conquistaram seus milionários, mas, para outras, o trabalho servia para pagar as contas e dar um salto maior na carreira. Ser manequim da maison era sinônimo de glamour e luxo – para poucas.
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A atriz Ilka Soares na Casa Canadá de Luxe. ( Arquivo Pessoal publicado no livro “A Bela da Tela”)

Ilka Soares, a bela

          Diferente das demais, quando Ilka Soares começou a desfilar na Canadá de Luxe, seu nome já era um sucesso no cinema nacional – embora estivesse naquele momento sem convites para atuar. Exatamente por isso, Ilka não teve dúvidas e se candidatou para ser manequim da maison. Magra e um dos mais belos rostos do nosso cinema, foi contratada na hora e desfilou por anos. “Aprendi o ofício de manequim também por pura intuição, esforço e disciplina”, conta em sua biografia “A Bela da Tela”, de Wagner De Assis. Como modelo da Canadá, passou a ser convidada para frequentar os salões do high. “Comecei a adorar aquela história de ir ao Country Club, conhecer pessoas interessantes. Muitas eram riquíssimas, esse mundo de luxo é atraente. Sempre tinha um namorico aqui ou ali, mas nada de muito sério”, conclui. Em 1958, a bela protagonizou um romance de mentirinha para a imprensa quando o ator Rock Hudson, um dos maiores galãs de Hollywood na época, veio passar um Carnaval no Brasil. Foram a muitos bailes do Municipal e do Hotel Gloria abraçados, sorrindo e mais nada. Rock era homossexual e, naqueles tempos, assumir, nem pensar: tinha de disfarçar.
           Ilka sempre trabalhou, fez sua parte. Casamentos, teve mais de um. O primeiro com o cineasta e ator Anselmo Duarte, com quem teve dois filhos. Depois, com Walter Clark, teve uma filha. No início dos anos 1970, encabeçou uma campanha de cigarros em que posava ao lado de Leila Diniz, Clementina de Jesus, Elke Maravilha, Danuza Leão e Tania Caldas.
           A atriz fez uma bela carreira no cinema e na televisão, sempre transbordando charme. Aos 50 anos, em 1984, surpresa: posa nua para a revista “Playboy”. “As fotos são lindas! Próprias para uma senhora. Foram feitas por J.R. Duran. Nem recebi tanto dinheiro. Achei que ia viajar, comprar carro, casa, mas não foi bem assim. No final da negociação estava topando pelo desafio”, disse em sua biografia. Nada mal. Ilka também é tida como o primeiro nu do cinema nacional no filme “Iracema” (1949), uma índia de olhos azuis. Da Argentina, um de seus maiores admiradores fala com exclusividade para a J.P, o figurinista e diretor de arte Patrício Bisso: “Em 1987, filmamos Brasa Adormecida. Lembro que nos intervalos das filmagens eu mostrava as fotos dos filmes que Ilka tinha feito no passado e ela se lembrava de todos os vestidos que tinha usado nas películas. Lembrava dos detalhes, tecidos, cores e se ficavam bem ou não”. Hoje, quem passa pela rua Tonelero, no Posto 3, em Copacabana, e vê Ilka pegando um táxi não tem dúvida. A postura, o élan e a elegância são os mesmos dos tempos da Canadá de Luxe.
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A manequim Adalgisa Colombo em pose na Casa Canadá. (Revista Manchete)
  
Adalgisa Colombo, a chic

          Os desfiles na Casa Canadá serviram e muito para Adalgisa Colombo ganhar o concurso de Miss Brasil 1958 e ainda ser nossa vice-Miss Universo. Na primeira noite que desfilou no Maracanãzinho como concorrente de Miss Distrito Federal, tinha todo apoio de dona Mena Fiala, e veio clássica. Nada de cabelos soltos como toda miss costuma até hoje desfilar nas passarelas. Adalgisa surgiu com os cabelos presos, altiva e desfilando como se estivesse na maison. Não era a preferida do público – até então, Ivone Richter, Miss Riachuelo, era a mais aplaudida. “Mena Fiala uma vez declarou: ‘Você tem tudo para ser uma manequim famosa, minha filha. Tem altura, silhueta, estampa… Só não tem idade. Não se pode ser manequim aos 15 anos. Deixe passar um pouco de tempo, depois volte’”, diz o “missólogo” Daslan Melo Lima.
           Adalgisa voltou e em pouco tempo já estava vestindo os modelos da Canadá de Luxe. Porém seu sonho continuava. Paciente, ela foi desenvolvendo durante todos aqueles anos uma técnica que a fizesse colocar as mãos na coroa. Quando entrou na passarela da beleza do Miss Distrito Federal 58, sabia tudo. Já em Long Beach, com a faixa de Miss Brazil, com Z, e seu maiô Catalina, Adalgisa mais uma vez veio que veio. Segura, desfilou na passarela com as pernas lambuzadas de óleo e não de pancake, como faziam as outras. Não fez por menos, deu uma cavadinha no maiô inteiro, na época saiotezinho. Não foi Miss Universo porque não quis. Sua autossuficiência e segurança eram tantas que a afastaram do título, conquistado pela Miss Colômbia. Adalgisa renunciou à faixa e à coroa para logo depois do concurso ir viver ao lado do primeiro marido em Nova York, o empresário Jackson Flores, com quem teve um filho. “Adalgisa figurou entre as melhores e mais bem pagas modelos da América, trabalhando para lojas como Lord & Taylor e Bergdorf Goodman”, conclui Daslan Melo Lima.
           Anos depois, já separada, voltou ao Brasil e se casou com o poderoso Flavio Teruszkin, dono de uma das maiores construtoras do Rio de Janeiro, e assim passou a assinar Adalgisa Teruszkin – como costumava sair nas colunas do Zózimo e do Ibrahim Sued. Adorava seus fãs e os tratava com todo carinho. Educadíssima, era capaz de mandar uma foto sua autografada pelo seu motorista. Adalgisa nasceu para brilhar. Durante toda sua trajetória nunca se envolveu em escândalos. Apenas sua morte, só anunciada após o enterro, é que causou tumulto na imprensa: a causa nunca foi revelada.
           Faleceu em 7 de janeiro de 2013, aos 73 anos. Seus fãs não puderam se despedir.
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A fenomenal Georgia Quental na capa de antigas edições da extinta revista Manchete, de 1963 e 1964. 
  
Georgia Quental, a temperamental

          Bomba no cinema nacional! Em 1963, estreia o filme Boca de Ouro, de Nelson Pereira dos Santos, baseado na obra de Nelson Rodrigues. De repente, uma grã-fina chamada Lúcia abre o vestido e mostra seus seios perfeitos para um bicheiro, interpretado por Jece Valadão. Quem é ela? Georgia Quental, a fenomenal. “Para mim, ela foi um símbolo da Canadá de Luxe na década de 1960”, diz Ruy Castro. La Quental também é conhecida por seu temperamento forte. Fortíssimo. Casar, nunca casou. Filhos, não teve.
           Teve um romance com o ator Milton Moraes. Questionado pelo jornalista Simon Khoury se a exuberante Georgia Quental foi importante para ele, Milton foi direto: “Fui um homem-objeto para La Quental, que se preocupava mais com seu corpo do que com minha alma”, respondeu. Além de temperamental, Georgia sempre foi decidida. Mesmo sendo top na Canadá de Luxe, a moça tinha o sonho de ser Miss Brasil. Em 1962, tentou, representando o Rio Grande do Norte. Não foi classificada entre as três finalistas. No mesmo ano deu uma entrevista para a revista Fatos e Fotos: “Diziam que os juízes estavam com medo que eu fosse me comportar mal nos Estados Unidos ou na Inglaterra. Vivem falando que sou maluca, que não tenho responsabilidade. De certo, acharam que eu não ia aparecer nos programas marcados para a Miss Brasil. Mas isso é injusto”.
           Georgia entrou na Canadá por meio de anúncio de jornal, para ajudar a mãe viúva no orçamento. Fãs tinha, de montão. Receio de perder seu lugar de top, também. Quando aparecia alguma jovem mais alta que ela para se candidatar à manequim, La Quental fazia a cabeça de dona Mena Fiala para não contratar a concorrente. Fechou a carreira como manequim muito bem, em Paris, já com quase 40 anos, desfilando para Pierre Balmain.
           Hoje é uma senhora sempre arrumada que pode ser vista na Academia da Terceira Idade no bairro Peixoto, no Rio, vestindo malha ton sur ton bege, até mesmo o tênis. E lá, fazendo exercícios nos aparelhos da praça para manter a forma. Ainda continua a chamar atenção.
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A atriz e manequim Norma Bengell em desfile para a Casa Canadá (Reprodução do livro “Norma Bengell”

Norma Bengell, a rebelde

          Foi aos 16 anos, no Copacabana Palace, que Norma Bengell teve a oportunidade de conhecer Mena Fiala. “Me inscrevi para participar do desfile da Festa das Rosas. Quem poderia garantir que eu não encontraria ali um bom homem? Afinal, era um concurso para meninas ricas da sociedade. Eu era a única pobre”, diz La Bengell em sua biografia. Norma não ganhou o concurso, ficou em segundo lugar, mas, sem querer mais passar perrengue com a mãe desquitada, foi pedir emprego para Mena, que a aceitou. Norma largou os estudos e passou a trabalhar diariamente como manequim do ateliê. “Os vestidos eram feitos sobre o meu corpo e me espetavam com alfinetes para ajustá-los. Quando chegava uma cliente, eu desfilava o modelo para ela decidir se comprava ou não. Tinha 1,72 metro, mas como era jovem demais e estava um pouco acima do peso, não servia para manequim destacada”, revelou na biografia. Mais rechonchuda, acabou virando manequim de roupas esportivas. Ficava o tempo inteiro em pé e passava o dia com fome. “Era entediante. O sonho de ser manequim estava realizado, mas não era aquela maravilha”, conclui.
           Um tempo depois, perdeu os quilinhos a mais, virou uma linda mulher e foi convidada por Gisela Machado para ser uma das vedetes de seu marido, Carlos Machado. Abortos, 16. Nunca escondeu. Nunca quis ser mãe. Se casou com milionário? Não. Mas com famoso, sim. O ator italiano Gabriele Tinti. Antes, teve um tórrido romance com Alain Delon, quando morava na Europa. Depois de quase dez filmes na Itália, numa carreira irregular, encontrou seu amor mais cúmplice e duradouro em uma mulher.
           Norma Bengell morreu em outubro de 2013.


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