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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ EM PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 624, referente ao período de 18 a 24 de junho de 2017. ***** Editor: Daslan Melo Lima ***** Timbaúba, Pernambuco, Brasil ***** Telefones: (81) 99612.0904 (Tim) e (81) 99277.3630 (Claro) ***** WhatsApp: +55 81 99612.0904 ***** E-mail: daslan@terra.com.br

sábado, 30 de março de 2013

FULANO DE TAL E O CARRO

Por Daslan Melo Lima

          Fulano de Tal mora perto do local onde trabalha. Poderia ir andando tranquilamente, mas prefere sair de casa de carro, enfrentando problema de estacionamento e expondo o veículo à ação do tempo e dos vândalos. Fulano de Tal tem de sair de casa de carro, pois fora das quatro rodas se sente maltrapilho, despido. O médico recomendou que Fulano de Tal fizesse caminhada, mas ele não escuta e prefere morrer um pouco a cada dia dentro do carro.
          Pobre sociedade de consumo que cria necessidades muitas vezes desnecessárias a todo instante. Todo ano, Fulano de Tal fica no vermelho. Entra em depressão quando sai o modelo novo do veículo da sua marca preferida. Perde o sono preocupado com as perguntas que vai ter de ouvir de amigos e parentes: “Quando troca de carro?” /
          Enquanto o tempo passa, Fulano de Tal se perde na corrida desenfreada pelo Ter, afinal precisa de um carro zero quilometro, antes que as contas no vermelho, a depressão e as noites sem sono matem o homem simples, leve e sábio que ele jamais será.
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Agachado diante de um outdoor cubano, no Paço Alfândega, Recife, Pernambuco. Detalhe: Fulano de Tal é uma ficção. Qualquer semelhança com alguém terá sido mera coincidência.

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DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO

EM NOME DO PATRIARCA RAMIRO BRANDÃO


          Ramiro Brandão completou 90 anos no dia 25 de março. No dia anterior, às 11h30min, foi celebrada uma Missa de Ação Graças na Capela da Escola Santa Maria, e logo em seguida a família ofereceu um almoço aos convidados no recinto do restaurante A Praça.
          O Tempo é atemporal, imutável, eterno. Somos nós que passamos pelo Tempo atropelando calendários e aprendendo com os amores e desamores, ilusões e desilusões. Em 1923, o Brasil tinha pouco mais de 32 milhões de habitantes, dos quais 2 milhões moravam em Pernambuco. O Presidente da República era Artur Bernardes; o governador de Pernambuco, Sérgio Loreto; e Urbano Borba, prefeito de Timbaúba. Nos Estados Unidos surgia a revista Time e no Rio era fundado o Copacabana Palace, a Escola de Samba Portela e a primeira estação de rádio. Mas para o bebê Ramiro Brandão isso pouco importava, assim como para outras crianças famosas nascidas naquele ano: Maria Callas, Rainier de Mônaco, Zuzu Angel, Millor Fernandes, Emilinha Borba e Fernando Sabino.   A Bíblia diz que há um tempo para tudo sob o sol, tempo de plantar e tempo de colher o que se plantou, tempo de chorar e tempo de sorrir. Para a família Brandão, cujos olhos ultimamente têm derramado muitas lágrimas, hoje foi tempo de sorrir, em nome dos 90 anos do patriarca Ramiro Brandão. (Trecho do meu discurso após a Missa, na Capela da Escola Santa Maria).
Ramiro Brandão e os filhos. Da esquerda para a direita: Risalva, Rebeca, Rute, o aniversariante, Rafael, Raquel e Ramirinho.  
Maria Mercedes e o esposo Ramiro Brandão
A alegria de amigas e familiares
Ramiro com a filha Risalva, genro, netos e bisnetas
Ramiro com o filho Ramirinho e netos
Geraldo, Ana Maria, Cristina e Julio Alfredo
Rute Brandão e o sobrinho Felipe Correia
Tres gerações. Rute Brandão ladeada pela filha Adriana e a neta Mariana

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Josefa de Oliveira Carolino (D.Dezinha), 100 anos a completar no dia 10 de junho, depois do aniversariante, foi a figura mais festejada do evento. Grande amiga da família e uma das personalidades femininas mais idosas e queridas de Timbaúba, D. Dezinha emocionou a todos com sua classe, elegância e lucidez. Foi um instante histórico e eu fiz questão de aparecer na foto.
Claudio Brandão ladeado pelo avô e D.Dezinha

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MEMÓRIA TIMBAUBENSE
Maria José de Queiroz Brandão
Maria José de Queiroz Brandão, D. Zezé (in memorian), filha do Sr. Júlio Queiroz, irmã de D. Fernadinha, Adalgisa, Lúcia, Ailza, Adhelbar, Carlos, Amauri, José Ulisses. 
      D. Zezé foi esposa do empresário Ramiro Brandão e teve sete filhos: Rute, RaquelRisalva, Rebeca e Ramiro Filho, além de Rômulo e Rosilda, falecidos na tenra idade.  Era uma pessoa extrovertida, caridosa, tinha muitos amigos e adorava viajar. 
          Uma curiosidade de D. Zezé: quando recebia um convite de casamento de pessoas amigas e muito queridas, o seu presente era o sapato do noivo (cromo alemão da melhor qualidade, marca Sândalo) e as sandálias brancas da noiva.  Outra curiosidade: ela adorava a cor vermelha e sempre dizia que quando partisse para a eternidade queria ser enterrada com essa cor. Edna Morais, atual gestora do Colégio Timbaubense, amiga da família, fez a sua vontade. O corpo de D. Zezé foi sepultado com um vestido de linho vermelho, manga 3/4. 
D.Zezé na solenidade de formatura do filho Ramirinho. 

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ROTEIRO POÉTICO DE TIMBAÚBA
Os pingos de uma chuva ansiosamente esperada começam a cair no centro da cidade...
...logo mais são milhares...
...até a sucata de uma fiação elétrica, vinda não sei de onde, aparece na enxurrada, como se quisesse agradecer a manhã abençoada. 
(Fotos: Henrique Pacheco Dias)

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ESCOLA MARIANA FERREIRA LIMA,
 A POESIA DE CADA DIA


          O Dia Nacional da Poesia (14/03) foi celebrado em grande estilo na Escola Estadual Mariana Ferreira Limalocalizada no bairro de Timbaubinha, durante uma manhã cultural que culminou com o lançamento de alguns volumes encadernados de dezenas de poemas produzidos por alunos do educandário.

          Maria das Neves Pontes, gestora geral, no início da solenidade disse o seguinte: 
"A escola deve ser um lugar em que a convivência com a poesia aconteça de fato, permitindo o contato com diferentes autores e estilos, reavivando a capacidade de olhar e ver o que é a essência do poético através de atividades que permitam uma compreensão maior da linguagem poética e lhe dê condições para que ensaie seus próprios passos em poesia. Com o projeto “A Poesia de Cada Dia” descobrimos o que os estudantes já sabem sobre poesia, ampliamos seu repertório através de atividades de leituras, escrita, declamações, pesquisa, análise e interpretação, exposição de ideias e composições. Nosso projeto nasceu da necessidade de inserir poesia para os estudantes da nossa escola com a finalidade de produzir textos poéticos para participar da seleção do concurso literário. Sua metodologia baseou-se no estudo preliminar dessa tipologia na discussão do gênero com cada grupo de estudantes, na leitura, escrita e apresentação do resultado obtido com o projeto de poesias, além de pretender despertar o interesse pela literatura e escrita de poesia."


     Tive a imensa satisfação de ter sido convidado para o evento, onde falei sobre minha experiência literária e declamei poemas e crônicas de minha autoria.



          No encerramento, Maria das Neves Pontes  posou com parte da equipe do corpo docente ao lado dos “potes das perspectivas”, mas antes explicou as bases dessa interação. Os funcionários, voluntários e estudantes receberam  um  formulário para escrever  suas perspectivas para 2013 e colocaram seus  sonhos dentro dos potes que  foram lacrados  e ficarão  expostos na sala dos professores. No dia da confraternização anual, os potes serão abertos e os formulários lidos para os presentes, ocasião onde cada um fará suas conotações (se conseguiu, por que , se não atingiu suas metas, o que houve e assim por diante).

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SESSÃO NOSTALGIA - SEMANA SANTA COM TERESINHA MORANGO



Por Daslan Melo Lima
          Saudades das semanas santas do meu tempo de criança. Cobriam as imagens dos santos nas igrejas com tecido roxo e nas sextas-feiras os rádios só tocavam músicas clássicas e sacras; ninguém varria casa; não penteava-se cabelo; não cortava-se unhas; não tomava-se banho; não... não.....   Havia certo exagero em muitas atitudes, sem dúvida, mas o respeito ao sacrifício de Jesus Cristo e aos mistérios da vida e da morte prevalecia sobre todas as coisas. 
         A “procissão do encontro” em São José da Laje, a cidadezinha alagoana onde nasci, era um ato singelo, emblemático e inesquecível, de Fé, Silêncio e Oração. Na frente dos andores de Nossa Senhora e do seu filho, duas jovens personificavam as figuras de Verônica e Maria Madalena. Lágrimas corriam pelos rostos das pessoas que a tudo assistiam.
          Eu preferia mil vezes aquela atmosfera mística e severa de antigamente do que a permissividade de hoje. Transformaram a Semana Santa num festival de lazer. Poucos param para refletir sobre o sacrífico de Cristo e os mistérios da vida e da morte. Pobre Semana Santa, carente de Fé, Silêncio e Oração.
            Peço desculpas aos meus inúmeros leitores se não vou me estender falando de Teresinha Morango, Miss Amazonas, Miss Brasil e vice-Miss Universo  1957, acima, em foto da extinta revista Manchete, embora esta secção seja dedicada às grandes misses do passado. A bela imagem da Miss Brasil 1957 diante de um crucifixo, em sintonia com o espírito das semanas santas de um tempo que se foi, é um pretexto para desejar a todos Feliz Páscóa, Páscoa na verdadeira acepção da palavra.

           Até a próxima semana, se DEUS permitir!
         
           
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sábado, 23 de março de 2013

GETÚLIO CAVALCANTI CONDECORADO COM A MEDALHA DA ORDEM DO MÉRITO GUARARAPES


Governador de Pernambuco Eduardo Campos e o compositor de frevos Getúlio Cavalcanti. ***** (Foto: Eduardo Braga)

Em comemoração à passagem da Data Magna de Pernambuco, o governador Eduardo Campos condecorou, na segunda-feira (18/3), dezesseis personalidades do Estado com a medalha da Ordem do Mérito Guararapes, a mais alta comenda concedida pelo poder público. A lista de agraciados contemplou nomes ligados à cena cultural nordestina, à religião, à política e também às áreas da saúde e da educação. A cerimônia foi realizada no Teatro Tabocas. Entre os homenageados, o compositor de frevos Getúlio Cavalcanti, natural da vizinha cidade de Camutanga, personalidade muito estimada em Timbaúba, onde foi aluno do Colégio Timbaubense. Ao Getúlio Cavalcanti, os parabéns de PASSARELA CULTURAL.

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UM PACOTE DE ALGODÃO DOCE


Por Daslan Melo Lima

          Na tarde pernambucana que morre, envelheço um dia a mais no bairro de Timbaubinha, em Timbaúba. Enquanto a noite não nasce, permito-me acreditar que sou igual ao Tempo, atemporal, eterno, morrendo com a tarde que logo mais será noite e renascendo na manhã de amanhã.
       Mergulhado em meus pensamentos e reflexões, volto subitamente para a realidade quando um vendedor passa na frente da minha casa anunciando: “Olha o algodão doce! Atenção, menino, vai passando o algodão doce !”
           Abro a porta e grito: “Eu quero!”  E enquanto o menino que fui saboreia lentamente o algodão doce, o homem que sou relaxa na tarde pernambucana que morre. 
       O Vento que sopra me diz que o vendedor é mensageiro do  Tempo e passou na minha rua confirmando que sou atemporal, eterno, morrendo com a tarde que logo mais será noite e renascendo na manhã de amanhã. Há poucos instantes eu era um adulto mergulhado em reflexões não tão doces, agora sou um menino saboreando algodão doce.Tudo tão simples e leve como se a vida fosse um pacote de algodão doce.

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DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO

 
ROTEIRO POÉTICO DE TIMBAÚBA
RUA DA BOMBA - Rua José Galdino de Lima, no bairro cujo nome remete a  explosivo: Rua da Bomba, embora a vida corra serena, pertinho do Terminal Rodoviário e do Estádio Municipal Ferreira Lima, sem pólvora, sem foguete, sem fogo, sem bomba... ***** Durante os meus primeiros anos em Timbaúba, morei nesta rua, na frente da casa onde residia Otoniel Mendes, o Daniel do Caixão (in memorian). Ele sempre me dizia que se fosse DEUS não permitiria que os poetas e os passarinhos morressem ***** Na Rua da Bomba a vida continua correndo serena, sem pólvora, sem foguete, sem fogo, sem bomba...     
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FOLIA 2013 - UM CARNAVAL PARA RECORDAR

Criado em 2009 por Roberto Travassos (Roberto Cajá), o bloco A Porta é a grande atração da quarta-feira de cinzas, saindo da casa do seu fundador, localizada na zona norte, no tradicional bairro de Timbaubinha,pelas ruas principais da cidade. (Fotos:Acervo-Roberto Cajá).
Da esquerda para a direita: Maviael, Renato Travassos, Garibaldi, Rogério Falcão, Roberto Travassos, Cezário e Jacques Ferreira.
A Porta, Quer vim, venha!
 
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SESSÃO NOSTALGIA – CARTA A EMÍLIA, MISS BRASIL


Por Daslan Melo Lima

PRÓLOGO

           
          Nos últimos dias de julho de 1955, a famosa revista O Cruzeiro, a publicação mais lida do Brasil na época, chegava às bancas com uma tiragem de 630.000 exemplares, trazendo como uma das chamadas da capa o 36º Congresso Eucarístico Internacional, evento católico realizado no Rio de Janeiro, e como ilustração o conjunto infantil, também católico, Canarinhos de Petrópolis. Na secção da escritora Rachel de Queiroz (1910-2003), chamada “Última Página”, localizada exatamente na última página de O Cruzeiro, a sua crônica intitulada Carta a Emília, Miss Brasil, era dedicada à cearense Emília Barreto Corrêa Lima, Miss Brasil, representante brasileira no Miss Universo 1955, realizado em Long Beach, concurso vencido pela sueca Hillevi Rombin (1933-1996).

Emília Corrêa Lima, Miss Ceará, Miss Brasil, semifinalista no Miss Universo 1955.
           Eu tenho no meu acervo um exemplar daquela revista e quero compartilhar a relíquia com todos os meus leitores. Abaixo, a crônica de Rachel de Queiroz, transcrita exatamente como se encontra em O Cruzeiro,  de 30/07/1955, respeitando a ortografia em vigor nos anos cinquenta. O texto é um verdadeiro poema em prosa, lindo, terno, humano, místico, sábio, filosófico... Uma pérola que vale a pena conferir.

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CARTA A EMÍLIA, MISS BRASIL

Rachel De Queiroz

Minha flor:

          Quando esta carta sair impressa você talvez já esteja a caminho da América, para a disputa do grande título. É que eu ando por longe, metida no sertão da sua e minha terra, o que dificulta a rapidez das comunicações; mas palavras de amor nunca são demais nem tardias, e são justamente palavras de muito carinho que lhe posso dizer.
          Faz algum tempo que não a vejo. A última vez foi em sua casa; - você e Iaci, de saída para um cinema, creio, se entremostraram ràpidamente na porta da sala, para se fazerem apreciar pela “tia” que chegava de viagem. E reparei logo nessa sua esbelteza de galgo ou de garça, que é talvez o maior dos seus encantos. Nesta nossa terra de brevilíneas, você, longilínea perfeita, é uma maravilhosa exceção. Porém, em lugar da sua beleza e da beleza de sua irmã, igualmente tão linda, o que a família quis comentar foram os seus triunfos de estudiosa, tão de acôrdo com as tradições dos Barreto e dos Corrêa Lima; as famílias sofrem essa preocupação de subestimar a beleza das suas moças. Têm medo de que elas fiquem por demais vaidosas, que percam o amor da virtude e dos estudos, pelo amor da bonita cara e do bonito corpo.
          Felizmente, minha querida Emília, você não se deixou iludir pelas boas intenções dos de casa, e ao invés de tratar apenas de estudar, não se despreocupou de ser bonita. Teve a inteligência de dar valor a esse dom sobre todos os dons, que é a beleza. Sim, não acredite nunca quando lhe disserem que beleza é um acidente que não tem valor, que não dá felicidade, que mais vale inteligência, etc. Isso são chavões nascidos do desejo e da necessidade de consolar os feios. Uma bela mulher é uma perfeita obra de arte. Seja bonita com orgulho, com tranqüilidade, com segurança; cuide bem do seu rosto e do seu corpo, pois nada neste mundo vale mais do que a beleza. Quando eu tinha a sua idade, recebi um prêmio literário. (Recordo isso porque seu pai, então no Rio, no entusiasmo fraternal pela estreante, foi o meu melhor eleitor.) Pois, querida, não êsse modesto prêmio, destinado a estimular uma principiante, mas todos os prêmios literários deste mundo, até o Nobel, eu o daria de bom-gôsto para ser bonita como você o é.
          Eles dizem que não há mérito em ser bonita. Claro. Como não há mérito em ser inteligente, nem em ter bom caráter, nem em ser um gênio musical, nem um maravilhoso poeta. Manuel Bandeira, que foi um dos seus juízes, já nasceu com o dom divino; e com êle nasceu o seu poeta predileto, Carlos Drummond de Andrade. Tudo são dons, dons gratuitos, que se recebem da fonte de todos os dons. Valerão eles menos por isso? E a beleza, entre os dons, é o mais alto de todos: o maior elogio que se pode fazer a uma realização, a uma paisagem, a um poema, é dizer que são belos. Por que a beleza é a coroa que os completa. Nem a virtude se concebe sem beleza, nem a divindade. Não só os deuses dos pagões eram belos: a própria Igreja, dentro da sua austeridade, pinta os santos formosos. Alguém poderia imaginar Nossa Senhora feia? E Cristo, se viesse ao mundo na figura de um homem malformado, não seria até uma profanação? Vi outro dia o retrato autêntico de Santa Teresinha no seu leito de morte: era uma mulher de feições severas, nariz forte, rosto descarnado e precocemente envelhecido. Mas a agiografia oficial jamais permitiu que a reproduzissem assim e, em todas as imagens do culto, Santa Teresinha nos é apresentada como uma jovem de angélica beleza. (E digo angélica, porque os anjos são também padrões de formosura). Por que isso? Não será por frivolidade que a Igreja assim se empenha em tornar seus santos; será antes porque, com o seu profundo conhecimento do coração humano, sabe que a beleza atrai o amor e a devoção. Porque a beleza é como um sêlo de Deus.
        Filha de uma mulher muito linda, sempre adorei a beleza de minha mãe. Contam os de casa que um dia – eu teria uns seis anos - ela me pôs de castigo por motivo que me pareceu imerecido. E ao jantar, horas depois, ainda zangada com a injustiça, eu disse, encarando-a: “Só fico morando aqui porque você é bonita. Se você fosse uma mãe feia, eu fugia de casa”. Ela era também muito inteligente mas, agora que a perdi, o que mais lembro da infância, da mocidade, de todos os tempos em que vivemos juntas, é aquêle rosto formoso, que enchia a nossa casa como uma luz. E ao escrever estas palavras, sinto uma saudade tão grande, parece que uma coisa rebenta dentro do meu peito, e talvez eu não a tivesse amado tanto se ela não fosse tão linda. Nós nos orgulhávamos daquela beleza como de um tesouro de família, e a condição de seus filhos nos parecia um privilégio. Para nós era uma rainha.
          Você foi escolhida a mulher mais bela do Brasil. É um grande título, não acredite em quem lhe deprecie o valor, nunca desdenhe o seu dom maravilhoso. Todos lhe queremos bem por isso, lhe somos gratos por ter nascido e se criado tão bonita, nos orgulhamos de você. Se na América não lhe derem o título máximo, é porque os cegos são êles. Não viu que no ano passado, em lugar da nossa radiante Martha Rocha, prefeririam aquela pequena escocesa de lábios finos?
          Aqui ficamos, numa ansiosa torcida. Mas, volte você ou não com a faixa atribuída a Miss Universo, de qualquer forma será a nossa Miss; a única que nos agrada e igualmente nos encanta, Emília Barreto Corrêa Lima, a Miss Maguari, a Miss Ceará, a Miss Brasil.

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EPÍLOGO

          Sem prejuízo da essência do primoroso texto de Rachel de Queiroz, desejo fazer duas pequenas correções na crônica. Manuel Bandeira (1886-1968) foi jurado do Miss Brasil em 1954 e não em 1955, enquanto Martha Rocha perdeu o título para Miriam Stevenson, norte-americana e não escocesa.


Emília Corrêa Lima, Miss Brasil 1955, na capa da revista Manchete.

          Emília Barreto Corrêa Lima é um nome que orgulha a memória do concurso Miss Brasil. Reinou com classe, elegância, e após o reinado casou, teve filhos, netos,  e hoje é uma tranquila viúva que mora no Rio de Janeiro. 

           Neste outono de 2013 que teve início há poucos dias, gostaria que todas as aspirantes aos tronos dos cobiçados reinados da beleza brasileira e seus coordenadores mergulhassem nesta Carta a Emília e refletissem nas sábias palavras de Rachel de Queiroz, “porque a beleza é  como um selo de Deus.”

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sábado, 16 de março de 2013

TÃO SIMPLES ASSIM



Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco, com poucos dias de eleito, tem dado ao mundo vários exemplos de humildade, tais como: 1) Apareceu na sacada com crucifixo simples de aço, e não o de ouro; 2) Ao entrar no elevador, os cardeais saíram para que o papa tivesse o privilégio de ir só, ele disse: “não, aperta que cabe todos”; 3) Seguiu para a capela de van, abrindo mão do veículo especial; 4) Não permitiu reservar lugares vips para autoridades assistirem sua posse, falou que o local é por ordem de chegada; 5) Pediu para as pessoas que moram muito distante do Vaticano que não gastassem muito dinheiro para vir para sua posse, aconselhou que ajudassem aos pobres. ***** Que estas atitudes do Papa Francisco possam calar fundo nos corações dos ostentadores e de quem prioriza o Ter e esnoba o Ser. Em minha opinião, só o fato de as pessoas estarem comentando seus gestos de simplicidade e humildade está valendo mais, muito mais, do que qualquer pregação evangélica, independente de religião. ***** Um pastor assim, tão simples assim, pode mudar muita coisa no Planeta Terra. ***** Amém! Assim Seja!

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FUMAÇA X MADRUGADA


        FUMAÇA, HUMILDADE E SIMPLICIDADE

Daslan Melo Lima


         Telhas, chaminé e fumaça. Três detalhes a lembrar o telhado das casinhas simples do interior nordestino. A imagem singela e familiar de uma chaminé soltando fumaça por cima de um telhado é a visão mais bela que guardarei das horas que antecederam a eleição do novo Papa.
        Contrastando com o ritual do Conclave, com as vestimentas formais dos Cardeais, com o cenário majestoso do Vaticano, ali estava a chaminé, importante em sua missão de soltar fumaça, preta ou branca.
       Independente de religião, rogo a DEUS para que o cardeal jesuíta Jorge Mario Bergoglio faça jus ao nome que escolheu: Francisco, um nome amado que simboliza simplicidade e humildade.
        Enquanto isso, por muito tempo, vai continuar bailando na minha cabeça a fumaça saindo por aquela chaminé, como se lá dentro um fogão à lenha estivesse preparando aquele café cheiroso e gostoso, com sabor de infância, humildade e simplicidade.
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Timbaúba-PE, 14/03/2013, um dia após Jorge Mario Bergoglio ter sido eleito Papa.

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        UMA MADRUGADA PARA ESQUECER

Daslan Melo Lima

           Na madrugada do dia 14 de março de 1969, o Rio Canhoto cismou que poderia ser Mar. São José da Laje dormia tranquila quando de repente uma tromba d’água transformou o Rio num Oceano furioso. Gritos. Desespero. Pânico. Lágrimas. Destruição.  Casas, ruas e vidas foram arrastadas pelas águas.
         Na noite da última quarta-feira, cumpri um ritual silencioso diante de duas testemunhas mudas daquele pesadelo: um quadro e um banco que escaparam da tragédia. O quadro, um vitral onde se lê “Jesus Cristo reina n’esta casa”, pertenceu a minha tia Lizete Macedo de Melo.  O banco fez parte do mobiliário da Loja São José, a casa comercial de José Francisco da Silva (Galego) e da sua esposa Soledade Lima, Tia Dade.
        Diante destas relíquias, não rezei pelas almas dos que se foram, pois na dimensão onde se encontram suas dores já se diluíram em louvores. Agradeci a DEUS pelo consolo dado aos que escaparam e pela força que até aqui Ele nos concedeu para administrar os traumas que ficaram.
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Timbaúba-PE, quarenta e quatro anos depois de uma enchente ter devastado São José da  Laje, a cidadezinha alagoana onde nasci.

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DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - Bruno e Janaína - Vitória Fausta - A poesia do Boulevard - Folia 2013 - Em nome de Bob

FATOS EM FOCO



VIDA A DOIS - Na romântica tarde do sábado, 09 de março, foi realizado na Chácara Meu Caminho, em Aldeia, Camaragibe-PE, o casamento de Bruno e Janaína, filha de Maria Dalva Ribeiro Marinheiro, produtora cultural, ex-gestora do Sesi e ex-diretora de cultura de Timbaúba. Há fotos lindas da cerimônia neste link,  

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MEMÓRIA TIMBAUBENSE



A MAIS BELA TIMBAUBENSE DOS ANOS DOURADOS - No final dos anos 50 e início dos anos 60, Timbaúba, então com 20.000 habitantes, vivia o período áureo das indústrias de calçados. E foi naquela época que uma jovem meiga, educada, inteligente, era apontada por todos como a mais bela moça de Timbaúba. Seu nome: Vitória Fausta Queiroz Moura.***** Ela tinha todos os predicados da menina da fina flor da sociedade pernambucana da zona da mata norte: era aluna da Escola Santa Maria, dirigida por freiras alemãs, estudava piano e acordeom e dirigia a ala feminina do Movimento Estudantil. Seu pai era poeta, jornalista, industrial, um dos donos da grande empresa Indústria de Calçados Criança, vice-prefeito da cidade e proprietário da Fazenda Santa Ana, terra onde hoje está situado o bairro de Santa Ana. ***** A famosa timbaubense, há anos radicada no Recife, perdeu seu esposo, o renomado  médico pediatra Luiz Carlos Pires da Nóbrega, no dia 03 deste mês. ***** Você poderá conferir a trajetória da vida de Vitória Fausta acessando a reportagem que PASSARELA CULTURAL fez há quatro anos sobre ela. Clique: 

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ROTEIRO POÉTICO DE TIMBAÚBA



A POESIA DO BOULEVARD - Rua Marçal Emiliano Sobrinho, eterna Rua Nova, trecho superior à margem da estrada de ferro, lembrando um "boulevard", que em francês significa avenida  arborizada. ***** Há charme e romantismo em certos termos franceses, mas pelo que já li, a palavra não tem nenhum pano de fundo romântico.  Sua origem  vem do dinamarquês "bulwoerk", obstáculo feito com troncos de árvores ou pedaços de madeira. Tudo teve início com os povos nórdicos que costumavam armar suas defesas com troncos de madeira.  ***** Passo na tarde dominical pela Rua Nova certo de que, na minha fantasia,  Paris é aqui e o Rio Sena está bem ali.  ***** “Mas que bobagem...”, diz o vento, e concordo com o seu raciocínio: “...quando um dia você estiver em Paris haverá de dizer o contrário: Timbaúba é aqui  e o Rio Capibaribe-mirim está bem ali.” *****  Daslan Melo Lima. 
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FOLIA 2013 - UM CARNAVAL PARA RECORDAR

Rosinha Albuquerque, Rodrigo e Raquel.
Renildo, de caneca na mão, posa com um grupo de familiares. Ele marcou época nas passarelas como Rei dos Estudantes de Timbaúba.
Milinha, Jacques Ferreira Filho e Ceres.
Alegria! Alegria !
Cíntia Barbosa acompanhada.

As postagens das melhores imagens do Carnaval de Timbaúba 2013, clicadas por PASSARELA CULTURAL,  continuarão na próxima edição.
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EM NOME DE BOB




Neste domingo, 17, em torno das 18h, Bob, o cachorro de Marcell Melo  fugiu de casa. Ele seguiu por trás do Mercadinho de Bebê (perto da Escola Santa Maria) sentido dos Correios. Como estava tendo o campeonato de kart e o movimento de carro estava grande, ele deve ter se assustado bastante. Qualquer informação, telefonar para (81) 3631.2026.
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Recado do Marcell Melo  postado no Facebook nesta segunda-feira, 18:


Bob, meu cachorro - quase leão - FOI ENCONTRADO hoje pela manhã por um vígia noturno. Gostaria de deixar aqui meus sinceros agradecimentos às pessoas que curtiram e/ou compartilharam a foto. Foram 108 compartilhamentos em tão pouco tempo, a maioria de pessoas não-amigas do facebook, mas que tentaram ajudar. Fiquei surpreso e feliz com tamanha generosidade do povo timbaubense.

Muito obrigado a todos vocês. De coração.
Deus lhes abenções.
Marcell Melo
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SESSÃO NOSTALGIA - MARIA AMÁLIA FERREIRA, MISS AMAZONAS 1948

Por Daslan Melo Lima

           Após várias semanas dedicando este espaço exclusivamente à memória do concurso Miss Pernambuco, no que diz respeito às listas com os nomes das participantes, estou  de volta às  minhas crônicas para focalizar grandes misses do passado, ao sabor dos meus sentimentos, resgatando fatos e fotos de um tempo que se foi, para sempre se foi. Desde que passei a editar PASSARELA CULTURAL, reservando espaço para estes mergulhos no túnel do tempo, ninguém imagina quantos momentos emocionantes já vivi. Várias rainhas da beleza já fizeram contato comigo. Também, filhos, netos, parentes e fãs de algumas que se foram e das que continuam neste plano terrestre.

         Vejam que coisa fantástica aconteceu recentemente. Prestem atenção. Em 31/03/2012,  dediquei este espaço à memória do concurso Miss Brasil 1949,  conforme consta neste link, http://passarelacultural.blogspot.com.br/2012/03/sessao-nostalgia-seccao-em-construcao_31.html  . No dia 22 do mês passado, recebi o seguinte e-mail:

Prezado Daslan, boa tarde. 
Meu nome é Sylvio Ferreira Coelho da Rosa. Foi com grande satisfação que encontrei na sua publicação "Passarela Cultural" uma referencia de imagem da minha mãe Maria Amália Ferreira, Miss Amazonas 1948.  
Tenho o número  da revista Vida Doméstica que traz a minha mãe na capa, (no anexo). Você teria mais alguma imagem do concurso do Miss Brasil no Quitandinha mostrando as misses? Se você puder enviar eu ficaria imensamente grato! 
No anexo, também mando uma imagem da minha mãe em 1975, na minha formatura na Marinha. Ela morreu em 1º/03/2006,  com 83 anos, vítima de câncer nos intestinos, e ainda era linda! Foi sepultada no cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro. 
Admiro muito o seu trabalho de resgatar essa época de tanta beleza e glamour.
Um forte abraço!


         Fiquei emocionado com o  contato do Sylvio e com as belas imagens da sua mãe que ele enviou-me. Falei para ele que seria um prazer disponibilizar mais fotos, mas que só tinha aquela postada há um ano, foto acima. Propus que me fornecesse dados biográficos de Maria Amália Ferreira, a fim de elaborar uma matéria exclusivamente dedicada a ela e com as fotos do seu acervo. O Sylvio enviou-me ao todo quatro imagens e valiosos dados ora publicados.


          Maria Amália Durand Ferreira, ou simplesmente Maria Amália Ferreira, nasceu em 15/04/1922, em Manaus, Amazonas, filha de Benjamin Constant da Costa Ferreira e Aldeída Durand Ferreira. Estudou em Manaus, foi eleita Miss Amazonas 1948, ficou em quarto lugar no concurso Miss Brasil 1949, realizado no Hotel Quitandinha, Petrópolis,  em 12/06/1949, e depois fixou residência no  Rio de Janeiro. Casou aos 31 anos de idade com  o carioca Álvaro Freitas Coelho da Rosa, fiscal sindical do Ministério do Trabalho, com quem teve três filhos, Cynthia, Sylvio e  Solange. Maria Amália foi funcionária do TRE-Tribunal Regional Eleitoral e teve outras funções administrativas como funcionária pública. Mesmo idosa, o seu empenho era notável, conseguindo passar até em um concurso para uma faculdade. Seu histórico de atividades rendeu duas aposentadorias, o que hoje já não é muito comum. 


            Sobre as lembranças que Amália guardava de sua época de Miss Amazonas 1948 e quarta colocada no Miss Brasil 1949, o Sylvio revelou o seguinte:
               Minha mãe sempre lembrava com bom humor e orgulho dos tempos de Miss Amazonas, e dizia para nós visitarmos o Teatro Amazonas, onde fez declamações no palco após vencer o concurso estadual.  Declamações em público sempre a encantaram, independente do evento ou do tema. Para ela, ter sido miss valeu a pena, e foi muito orgulho para a família. Ela falava que uma moça morena muito bonita chamada Jussara Marques, Miss Goiás, tinha ganho o concurso, e ela, sem dúvida, aprovou. Mostrava interesse pelos concursos atuais e sempre assistia quando possível.

Maria Amália Ferreira, Miss Amazonas 1948, na capa de Vida Doméstica, novembro de 1949, uma  das mais importantes revistas brasileiras da época.

       Minha mãe era discreta e elegante. Sempre que possível achava um local que tivesse comidas típicas do Amazonas, que muito apreciava, mas também gostava de pratos cariocas. Minha mãe era de bom temperamento e extremamente religiosa, gostava de assistir filmes bíblicos, tanto se emocionava, como também contestava alguma coisa que não estava de acordo com o seu conhecimento. Ela viajava muito pouco, os lugares sempre eram próximos do Rio de Janeiro.

Maria Amália Ferreira, em 1975, aos 53 anos de idade.


                Ao encerrar esta secção dedicada a Maria Amália Ferreira, Miss Amazonas 1948, quarta colocada no Miss Brasil 1949, agradeço ao Sylvio Ferreira Coelho da Rosa, seu filho, por ter feito contato e compartilhado comigo este material valioso que agora vem a público através da Sessão Nostalgia de PASSARELA CULTURAL.

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