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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ EM PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 649, referente ao período de 11 a 17 de dezembro de 2017. ***** Grato por sua atenção.

sábado, 29 de janeiro de 2011

SÃO JOSÉ LAJE, ALAGOAS, AS EMOÇÕES DO 11º ENCONTRO DE LAJENSES

11º ENCONTRO DE LAJENSES
São José da Laje, AL, 08 de janeiro de 2011
Fotos: Timbafest/Passarela Cultural


Outras imagens do evento poderão ser conferidas no site www.princesadasfronteiras.com.br 


     Enaura Buarque, Daslan Melo Lima e Rejane Lima.
Kátia Cavalcanti e Daslan Melo Lima
Luciana Belowodsky com seu lindo bebê e Daslan

Daslan, Mabel Rose, Quitéria Martins, Lucia Melo, Lili Martins e Rejane Lima

Jailson Correia, Gilvanete e Daslan
Daslan ladeado por Terezinha Cavalcanti e seu filho Cleber
Daslan, Rejane Lima, Vânia Buarque e Gizenete Carvalho.

Daslan, em pé, na extrema direita, com alguns membros da família Teixeira.
Vânia Buarque e Dydha Lyra
A nova geração da família Teixeira
Ederlindo Jr,  Perinaldo, Eliane Aquino, Ana Otília e Fernando Godoi
Thomaz Albuquerque, Eliane Aquino, Ana Otília e Fernando Godoi
Dydha Lyra e Ladorvane Cabral

A cada edição de PASSARELA CULTURAL, outras fotos serão postadas.


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SESSÃO NOSTALGIA - BERTINI MOTA, MISS ALAGOAS 1955


Daslan Melo Lima 
   
     Lembro-me dos vizinhos falando "Será que ela vem pra São José da Laje ? Vai ser uma festa ! Está tudo pronto para recebê-la . Ela vai desfilar no Clube Gente Nossa e lá só entra os ricos. É a mulher mais bela de Alagoas ! "
     As lembranças chegam de um tempo onde menino não ousava entrar nas conversas de adulto. Eu era curioso e já tinha levado muitos fora por querer saber demais. Anos depois , fiquei bem informado sobre aquela que era alvo de tantos elogios : Bertini Mota, Miss Alagoas 1955.  Não sei se ela esteve realmente no Clube Gente Nossa . Só sei que olho bem para a foto acima e volto a sonhar com a minha terra natal. Fecho os olhos e estou na Rua do Rosário, na frente do Clube Gente Nossa, vendo chegar em carro aberto a linda Bertini Mota, Miss Alagoas 1955. 

      Aos 18 anos, a moça de Palmeira dos Índios, sertão de Alagoas, que já havia sido eleita Rainha da Primavera em Maceió, foi convidada para participar do concurso de miss. A mãe de Bertini, dona Laura, ficou escandalizada, não queria expor a filha, sétima na fileira de 11 crianças. Levou a garota para falar com o padre, que delegou a decisão ao pai de Bertini, José Pinto de Barros. “Para mim, isso não é surpresa, porque ela já é uma miss desde que nasceu", consentiu o pai, que viria a ser prefeito de Maceió durante a ditadura. Dona Laura conformou-se e assumiu o papel de chaperona da filha, acompanhando-a a São Paulo e ao Rio de Janeiro, depois que ela foi eleita miss Alagoas, para o concurso nacional de miss. (Flávia Tavares, jornal  O Estado de São Paulo, 22/04/2007)
      Bertini Mota não obteve classificação entre as finalistas do concurso Miss Brasil 1955, título conquistado pela cearense Emília Corrêa Lima. 


     Perder o título de Miss Brasil não impediu que Bertini fosse homenageada pela Marinha cearense, por exemplo – um navio trazendo uma faixa com seu nome atracou no porto, onde lhe ofereceram uma festa. Ou que fizesse viagens pelo Brasil para inaugurar supermercados. A participação no concurso de miss abriu as portas para que ela, com seus 90 cm de busto, 52 cm de cintura e 90 cm de quadril, partisse para as passarelas. Os tecidos dos vestidos de gala usados na noite do evento foram cedidos pela Casa Canadá, que convidou Bertini para ser manequim profissional por 8 cruzeiros por mês, “um dinheirão”. Paco Rabanne e Pierre Cardin também contrataram a encantadora alagoana.  Até hoje, Bertini desfila para três grifes cariocas.  Fez figurações em novelas como Felicidade e no humorístico Chico Anysio Show. (Flávia Tavares, jornal  O Estado de São Paulo, 22/04/2007).
 
     Bertini Mota reside no Rio de Janeiro e há mais de 15 anos trabalha na coordenação do concurso Miss Brasil, na condição de chaperona. Foi casada duas vezes e não teve filhos, mas adotou Taís, filha de uma ex-empregada com o porteiro do prédio onde mora. Não a conheço pessoalmente, mas tenho  orgulho de tê-la na minha lista de amigos no Orkut, onde seu sobrenome aparece escrito Motta, com dois "t". Nascida em um 06 de abril, seu pensamento preferido é "Aprendi com a primavera a me cortar e voltar sempre inteira", de Cecília Meireles. A propósito, os originais das imagens em preto e branco que ilustram esta matéria pertencem ao Arquivo Pessoal de Bertini.  
 

            O Clube Gente Nossa e a Rua do Rosário foram levados para o Mar pelas águas do Rio Canhoto, em março de 1969. Minha primeira quadrilha junina foi lá. A solenidade de conclusão do curso primário foi lá. A primeira homenagem que ganhei, uma medalha de bronze, por ter sido aprovado em 1º lugar na segunda série ginasial, foi lá. O mais belo "drama”, espetáculo teatral de variedades de D. Maria do Rosário, foi lá. Pedaços de sonhos ficaram lá, para sempre lá.

Bertini Mota em abril de 2007. Foto: André Luiz Mello/AE, jornal O Estado de São Paulo, 22/04/2007.
      Falar sobre Bertini Mota, uma pessoa tranquila, educada, dotada de  classe e  elegância, é trazer para perto de mim as lembranças mágicas do meu tempo de menino em São José da Laje, a cidadezinha alagoana onde nasci. É fechar os olhos e imaginar que estou na Rua do Rosário, na frente do Clube Gente Nossa , vendo chegar em carro aberto a eterna Miss Alagoas. 
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sábado, 22 de janeiro de 2011

SESSÃO NOSTALGIA - ENQUANTO CHOVE LÁ FORA

Daslan Melo Lima  
 
     No nordeste brasileiro, terra do Sol, chove copiosamente nesta noite do quarto sábado de 2011, em Timbaúba, Pernambuco. Uma chuva bem-vinda, a fim de compensar o calor sufocante que imperou durante a semana. Para combinar com a atmosfera do ambiente, estou ouvindo um cd de Tito Madi, onde ele canta “Chove lá Fora”.
 A noite está tão fria / Chove lá fora / E essa saudade enjoada não vai embora / Quisera compreender porque partiste / Quisera que soubesses como estou triste.
     Em mim, uma vontade de ficar “viajando” ao sabor da música, meditando sobre os amores e desamores da minha caminhada, mas preciso redigir a minha Sessão Nostalgia. Aleatoriamente,  abro um dos meus álbuns de recortes sobre concursos de Misses, decidido a evocar um tempo que se foi, enquanto chove lá fora.
SANDRA MATTERA, QUINTO LUGAR NO MISS GUANABARA 1968
Esta é a nova imagem. Sandra Mattera (vinte anos) como ficou depois da mudança a que a submeteu o cabeleireiro Silvinho, seu namorado durante algum tempo. Silvinho ensinou-lhe regras de comportamento, escolheu suas roupas a dedo e criou um novo e sofisticado penteado para ela. (Revista Intervalo, Ano X, nº 492, 1972). 
     Sandra Mattera pertenceu ao quadro de bailarinas (leia-se chacretes) do programa de Abelardo Barbosa, o Chacrinha (1917-1988).
JULIANA REIS, RAINHA DO TURISMO BRASILEIRO, E SIMONE AUGUSTO, MISS BRASIL MUNDO 1987
Juliana Reis, Rainha do Turismo Brasileiro 1987. (Foto: Coluna de João Alberto, Diario de Pernambuco, 27/08/1987). 

Simone Augusto, Miss Pernambuco 1985 e Miss Brasil Mundo 1987. (Foto: Coluna de João Alberto, Diario de Pernambuco, 14/11/1987)
     Juliana Reis, modelo pernambucana, manequim profissional, 19 anos, que também atuava como professora de ginástica,  representou  a Cadeia HP de Hotéis de Pernambuco e conquistou o  titulo de Rainha do Turismo Brasileiro, concurso realizado em Natal-RN. Seu nome chegou a ser  cogitado para disputar  o  Miss Brasil Mundo, mas ela desistiu. Quem terminou indo em seu lugar foi Simone Augusto, Miss Pernambuco 1985, que venceu a disputa e terminou sendo a quarta pernambucana a representar o Brasil no Miss Mundo, em Londres. As outras três foram: Sônia Maria Campos (1958), Dione Oliveira (1959) e Edilene Torreão (1960).
CAROLE JOAN CRAWFORD, MISS MUNDO 1963
Uma jamaicana de 18 anos está com a coroa e o cetro de Miss Mundo: Carole Joan Craworfd cujo nome, certamente, homenageia a antiga estrela de Hollywood, agora com beleza renovada através da xará. Carole Joan Craword enfrentou com bom humor o mau tempo londrino, e a saudade do sol não lhe tirou a vitória. (Foto: Revista Manchete, 23/11/1963)
     Ponto final. Missão cumprida. Posso agora continuar ouvindo Tito Madi  cantar "Chove lá Fora" quantas vezes eu quiser.  Vou “viajar” ao sabor da música, meditando sobre os amores e desamores da minha caminhada, enquanto chove lá fora.
 E a chuva continua / Mais forte ainda / Só Deus pode entender como é infinda / A dor de não saber / Saber lá fora, onde estás, onde estás / Com quem estás agora, agora.
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sábado, 15 de janeiro de 2011

CRÔNICAS DE DASLAN MELO LIMA

                       MEU PRIMEIRO REFERENCIAL DE CARNAVAL
 

                Daslan Melo Lima


          Mais do que em outras épocas do ano, é no carnaval que me lembro de certo carnaval em São José da Laje, a cidadezinha alagoana onde nasci. Eu era criança e estava no quintal da minha casa quando ouvi uns ritmos contagiantes. Corri para ver o que era. Mulheres exageradamente maquiadas, animadíssimas, com vestes coloridas, dançavam e cantavam.

"Arreda povo / que as vencedoras vem aí / com a sua marcha fulô... /// Arreda povo / que as vencedoras vem aí /   com suas marchas formosas / somos madeira para reagir.  /// É fogo! / É  lenha! / É brasa! / É carvão! / Nós somos Vencedoras, madeira de fogão. /// É fogo! / É brasa! / ninguém pode apagar /  nós somos as vencedoras /  a flor do carnaval..."

          Extasiado diante de tantas cores, sons e animação, voltei correndo ao encontro da minha mãe e implorei para que ela viesse comigo até à janela  ver o bloco “As Vencedoras” que estava passando. Chorando, ela recusou e disse: “É por causa delas que estou sofrendo”. Elas eram as “mulheres perdidas” da Rua da Linha, as puaras, e alguma delas seria amante do meu pai.

         Fiquei dividido entre as cenas do carnaval e o pranto de minha mãe. O impacto emocional, somado a outros problemas decorrentes da turbulenta vida conjugal dos meus pais, marcou para sempre a minha vida. O primeiro carnaval que presenciei sempre esteve associado a sofrimento, lágrimas, pecado... 

            Há muito tempo que aprendi a administrar minhas emoções e a sofrer menos diante de lembranças amargas. Mas para chegar até aqui perdi muitas cores... muitos sons... muitos carnavais.

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    TIMBAÚBA, A MAGIA DA PEDRA DO DESCANSO



No pequeno distrito timbaubense que tem por nome Livramento do Tiuma, mas que todos conhecem como São José do Livramento, distante poucos minutos do centro de Timbaúba, existe uma paisagem mágica: a Pedra do Descanso.  Segundo os moradores antigos da localidade, no início do século passado as pessoas se jogavam do alto da pedra para ficarem livres dos seus sofrimentos, para "descansarem".
De outro ângulo da localidade, Timbaúba aparece lá embaixo, majestosa entre as serras,  digna do nome "Princesa Serrana."

Estive recentemente na Pedra do Descanso, onde renovei minh'alma de sonhos, romances, fantasias e Fé.  Generoso é o nosso DEUS, que de graça nos dar paisagens como a da Pedra do Descanso. Misericordioso é o nosso DEUS. As almas das pessoas aflitas que se jogaram no abismo estão lá no alto, em alguma morada do PAI, cumprindo uma nova missão em outra dimensão. 
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TEDY E JUDY, EM NOME DAQUELA MATINÊ 

     Na tela do cinema, dois lindos atores juvenis viviam os papéis de um casal de adolescentes, amigos, felizes, românticos.  A personagem do ator chamava-se Tedy e a da atriz  Judy. Não recordo os nomes dos atores e o título do filme, um dos primeiros que assisti em um domingo, numa matinê, nome dado na época às sessões da tarde.  Durante a projeção, desejei entrar na tela, dar as mãos a Tedy e a Judy e com eles ficar lá, num mundo mágico de sonhos e fantasias, para sempre.
 
      
     Na adolescência, achei no lixo um bibelô de porcelana. Levei-o para casa e dei-lhe o nome de Tedy.  O tempo correu. Há dez anos, durante um final de semana em Gravatá-PE, encontrei em um antiquário a parceira perfeita para Tedy.  Comprei-a e batizei-a  com o nome de  Judy. Desde então, Tedy e Judy permanecem  juntos  sobre um móvel da minha casa.
     O tempo corre. Suspeito que meus bibelôs sobreviverão ao meu corpo físico. Serei pó antes deles.  E quando isso acontecer, desejo que os meus descendentes respeitem essas pequenas recordações do menino sonhador que um dia eu fui. Deixem Tedy e Judy sempre juntos , em nome daquela minha matinê de um domingo que se foi, para sempre se foi.
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OLHA A COCADA, MORENINHA, BRANQUINHA, MOLINHA E GOSTOSA


     O progresso ainda não acabou com a poesia de algumas cenas que perduram ao longo dos anos em Timbaúba-PE. Quase todos os dias, o Sr. Antonio Luiz da Silva, 60 anos, casado, dois filhos, morador do Alto do Cruzeiro, desce o morro para vender cocadas nos bairros afastados do centro da cidade. 
      "Olha a cocada, moreninha, branquinha, molinha e gostosa", apregoa ele, de alto e bom som. Uma cocada custa 25 centavos e o que o vendedor lucra reforça o orçamento doméstico. 
     De vez em quando, compro suas cocadas, nem sempre para lanchar, mas para reencontrar o menino que um dia eu fui. E para sentir pena dos adultos que esqueceram o sabor dos doces singelos e caseiros, como as cocadas moreninhas, branquinhas, molinhas e gostosas do Sr. Antonio.





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INSENSATO CORAÇÃO

     Estou acompanhando a nova novela da Globo, Insensato Coração. Algumas tramas da televisão são as caras dos dramas da vida real.  Na novela, Pedro Brandão, personagem vivida por Eriberto Leão,  apaixona-se por Bruna (Paola Oliveira),  nas vésperas do casamento com Luciana (Fernanda Machado). A  consciência  do Pedro não permite que vá adiante, e ele rompe o noivado.
     Fico imaginando quantas festas de casamentos foram realizadas como se fossem um show, uma peça de teatro, com os noivos em conflito por seus  corações indecisos e muitas vezes comprometidos com outro alguém. Não tenho dúvida que existem casais felizes e  fiéis e que  unidos continuarão até que a morte os separem. Mesmo assim, acho estranho aquele famoso juramento que ele e ela recitam no altar:
"Eu (...) te recebo (...) e prometo ser fiel , amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por todos os dias da nossa vida, até que a morte nos separe"

     O juramento é lindo, mas esse termo "até que a morte nos separe" soa como hipocrisia. Para os nossos pobres corações de seres humanos, cumprindo aqui no Planeta Terra uma  complicada missão, à mercê dos mistérios da vida e da morte, da carne e da alma, entendo que o juramento ideal de uma cerimônia de casamento seria  o Soneto de Fidelidade, de Vinícius de Moraes, mais adequado para o nosso insensato coração.
De tudo ao meu amor serei atento / Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto / Que mesmo em face do maior encanto / Dele se encante mais meu pensamento. /// Quero vivê-lo em cada vão momento / E em seu louvor hei de espalhar meu canto / E rir meu riso e derramar meu pranto / Ao seu pesar ou seu contentamento ///
E assim, quando mais tarde me procure / Quem sabe a morte, angústia de quem vive / Quem sabe a solidão, fim de quem ama /// Eu possa me dizer do amor (que tive):/ Que não seja imortal, posto que é chama / Mas que seja infinito enquanto dure.

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                                              RUA DO ZUMBI, 12 

     Há muitos anos, o menino que um dia eu fui passava por essa rua diariamente. Na frente da casa em ruínas, destroçada pela inundação do ano passado que atingiu São José da Laje-AL, choro em silêncio.  Foi nela que morou Lizete Macedo de Melo, minha amada e inesquecível tia. 
     Espero que ninguém das imediações se espante quando no silêncio da noite ecoar um lamento. É o lamento do menino que um dia eu fui, andando de pés descalços pela Rua do Zumbi e entrando na casa número 12 ao encontro dos mistérios da vida e da morte.
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NINGUÉM ME IMPEDIRÁ DE SONHAR



     Durante recente festa, encontrei vários conterrâneos-contemporâneos desacompanhados dos seus cônjuges, por dois motivos predominantes:  viuvez e  divórcio. Mas havia outro motivo: seus esposos e esposas acharam melhor ficar em casa do que irem à festa.   
     No mesmo evento, entre os conterrâneos-contemporâneos acompanhados,  encontrei  minha prima Rosa e seu esposo Ranulfo Caldas, um dos casais da minha geração que continuam juntos. O primeiro presente que Rosa ganhou do namorado foi um disco de vinil, um LP da cantora Giane, então no auge do sucesso, nos mágicos anos sessenta. Na minha última viagem a Alagoas, levei de lembrança para Rosa um cd da cantora Giane.  Os olhos de Rosa brilharam de emoção ao mostrá-lo ao Ranulfo, e logo passaram a cantarolar e relembrar as músicas  que marcaram suas vidas.
     Sonhar não é proibido. Apesar dos desencontros e desilusões que fazem parte da caminhada de todo ser humano, ainda acredito em grandes amores e sonho com um mundo de ventura. Tal como nos versos de "Longe do Mundo" (The End of the World, de Dee e Kent, versão de Fred Jorge) , uma antiga canção interpretada por Giane, ninguém me impedirá de sonhar.
     Só me restou amargura, depois de ouvir teu adeus. / Só eu sei como é fácil dizer que um dia hei de te esquecer. / Quando a saudade caminha e vem minh´alma encontrar, / deixo então a saudade rolar na pranto que por ti vivo a sonhar. /// Talvez um outro amor te enlouqueça, te envolva e te abrace com calor, / mas sei tu és meu, nesse mundo irreal, que vives sonhos de amor. /// Lá onde mora a ventura, em um jardim de luar, / sei que irei outra vez te encontrar, / ninguém me impedirá de sonhar.

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O PARAÍSO DO MUNDO

     "A terra natal, mesmo que seja uma aldeia, é sempre o paraíso do mundo", disse Machado de Assis (1839-1908), escritor e poeta carioca.
     Recentemente, estive em São José da Laje,  a cidadezinha alagoana onde nasci. Sou um romântico-sentimental incorrigível. Para mim, o Rio Canhoto e seu imenso leito de pedras, cenário mágico da minha infância, é a mais bela paisagem do Planeta Terra. 
     São José da Laje é uma pequena aldeia, mas continua sendo o paraíso do mundo para o menino que um dia eu fui, e que continua ao lado do homem que sou. 

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CONFIDÊNCIAS DO SOL

     Um homem passa imprindo velocidade em seu carro possante rumo à praia. O  Sol é causticante, mas o ar condicionado anula o intenso calor que lá fora faz.

     Um homem caminha lento rumo ao seu trabalho no canavial. O Sol é causticante e a poeira aumenta o intenso calor que na estrada faz.

     Estou de férias e na mesma estrada passo,  ouvindo confidências do Sol. Ele me diz que o homem que no carro voa tem inveja da pele naturalmente bronzeada  do homem que na estrada passa. Por sua vez, o homem que na estrada passa gostaria de estender-se sob o Sol  de uma praia.

     Eu, o homem do carro e o homem do canavial. Três destinos incomuns. Em comum, a condição humana e este momento numa estrada que leva à praia.
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 QUERIDA, UMA CANÇÃO NA TARDE
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     Final de mais uma tarde morena  em Timbaúba. Acompanhado de Rock’n Roll, meu cão boxer de cinco meses de idade, faço minha caminhada diária. Tenho inveja do meu cachorro. Ele não sabe que morre a cada dia. Só eu, na condição de ser humano, envolvido com os mistérios da vida e da morte, é que sei  que morro a cada dia.
     Uma bela voz na tarde interrompe minhas inquietações existencialistas.  Um homem no bairro Jardim Guarany canta Querida, o maior sucesso da carreira de Jerry Adriani.
"Querida, quero lhe dizer,  / que toda a minha vida entreguei a você. / Procure olvidar o que lhe fiz, / Querida perdoa-me, / Querida  não vá.”
     O homem está no terraço de sua casa, em pé, e ao seu lado, numa cadeira de balanço, uma mulher com cara de quem chorou. Trata-se de um casal idoso, a cena é teatral e a vontade que tenho é de perguntar o que aconteceu. Mas continuo minha caminhada torcendo para que haja um final feliz para a dupla.
"Oh, Querida relembre os momentos tão felizes / que juntinhos passamos sob a luz do luar. /
Diga ao menos meu bem, / que de mim não tem mais rancor, / pra que eu possa esquecer todo o meu amargor.
     Contorno todo o bairro de Jardim Guarany e na volta, ao passar pela residência do casal, observo com alegria que ele e ela estão juntos, tranqüilos, na janela, como dois namorados. Abençoado seja esse homem e essa mulher que sabem contornar os altos e baixos de uma longa caminhada a dois e que sabem fazer concessões em nome dos sentimentos investidos na relação.
     Apresso meu passo e  começo a recitar baixinho um trecho da música do Jerry Adriani. Inexplicavelmente, meu cachoirro começa a latir. Suponho que esteja querendo penetrar nos meus segredos e que esteja dizendo  que os humanos são complicados demais.
     "Oh, Querida, você não sabe como eu me sinto em não tê-la mais ao meu lado. / Minhas noites são tão frias, / minhas horas tão vazias. / Mas se voltasse, se você voltasse, tão feliz eu seria.”
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DE CARA LAVADA, DE ALMA LAVADA


     - "Você é igualzinho como aparece nas fotos. O mesmo rosto, sem photoshop", disse-me uma pessoa quando a ela fui apresentado. Satisfeito com a observação, respondi: - "De que adiantaria externar uma imagem ilusória? Não vale a pena. Isso se aplica ao aspecto físico e ao espiritual."   

     Tenho o maior respeito por quem opta em publicar suas imagens depois de as mesmas passarem por um tratamento especial, mas acho que não vale a pena. Outro dia, o redator de um site perguntou se poderia postar uma foto  minha na internet e aplicar um efeito para retirar alguns sinais do meu rosto. Respondi que não e que preferia assumir o resultado do excesso de melanina, próprio de quem tem pele negra, herança dos meus ancestrais africanos. 

     Se você paga um preço muito alto por ser você mesmo, preço mais alto ainda pagaria para se enquadrar num perfil diferente daquele que o destino lhe deu. Essa foi a lição mais dolorosa e mais importante que a Vida me ensinou.

     De cara lavada, com o rosto marcado por sinais, sem photoshop, eis como quero que minha imagem seja publicada. De alma lavada, externando no olhar marcas de charadas indecifráveis e saldos de sonhos/pesadelos/ilusões/desilusões/encontros/desencontros/amores e desamores, eis como desejo dar aos mãos aos anjos e aos demônios da minha caminhada.

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SESSÃO NOSTALGIA - SUE ANN DOWNEY, MISS INTERNACIONAL DO IV CENTENÁRIO DO RIO DE JANEIRO


Daslan Melo Lima
PRÓLOGO
     Em 1965, ano do IV Centenário do Rio de Janeiro, o Maracanãzinho foi palco do concurso que elegeu a Miss Internacional do IV Centenário. O certame contou com a participação de 21 concorrentes que vieram de várias partes do mundo para o evento, antes de seguirem para Miami Beach, onde foi realizado o Miss Universo. A grande noite da beleza aconteceu numa quarta-feira, 30 de junho, dias antes da eleição de Miss Brasil, realizada no sábado, 03 de julho, no mesmo Maracanãzinho.   
OS CRITÉRIOS PARA ELEIÇÃO E A COMISSÃO JULGADORA
Ingresso para a noite do Miss Internacional IV Centenário. Imagem salva do site Mercado Livre.
Graça, simpatia e bom gosto do traje típico (embora a beleza não fosse esquecida) foram os ingredientes principais que levaram à escolha da Miss Internacional do IV Centenário do Rio. (Revista Fatos & Fotos)
No concurso Miss Beleza Internacional do IV Centenário, o júri procurou principalmente a simpatia das participantes, a graça e a beleza dos trajes típicos. A plástica propriamente dita, embora merecesse atenção, não era fator decisivo para a escolha da vitoriosa. (Revista Manchete, 17/07/1965)
No Maracanãzinho, o público ficou perplexo. Não sabia se dirigia o olhar para as belas candidatas internacionais em desfile, ou para o júri, composto de nada menos de seis ex-Misses Brasil. Estas eram as únicas tranqüilas. (Manchete, 17/07/1965)

Na comissão julgadora, da esquerda para a direita: Ângela Vasconcelos, Miss Brasil 1964; Teresinha Morango, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1957; Vera Ribeiro, Miss Brasil 1959; Ieda Maria Vargas, Miss Brasil e Miss Universo 1963; Emília Corrêa Lima, Miss Brasil 1955, e Martha Rocha, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1954. (Imagem: revista Fatos & Fotos)
 AS CANDIDATAS
     Vinte e uma jovens participaram do Miss Internacional do IV Centenário do Rio de Janeiro: Miss Alemanha, Ingrid Bethke ; Miss Argentina, Nelida Jukna ; Miss Áustria, Karin Ingberg Schmidt;  Miss Bélgica, Lucy Emilie Nossent; Miss Espanha,  Alicia Borrás; Miss Estados Unidos, Sue Ann Downey; Miss Finlândia, Virpi Liisa Miettinen; Miss  França, Marie-Thérèse Tullio;  Miss Grécia, Aspa Theologitou; Miss Holanda, Anja Christina Maria Schui; Miss Indía, Persis Khambatta; Miss Inglaterra, Jennifer Warren Gurley ; Miss Irlanda, Anne Elizabeth Neill ; Miss Israel, Aliza Sadeh;  Miss Itália, Erika Jorger; Miss Japão, Mari Katayama;  Miss Noruega, Britt Aaberg; Miss Paraguai, Stella Castell Vallet; Miss  Portugal, Maria do Carmo Paraíso Sancho; Miss Suécia, Ingrid Norrman; e  Miss Uruguai, Sonia Raquel Gorbarán Barsante
As cinco finalistas do Miss Internacional do IV Centenário. Da esquerda para a direita: Miss Alemanha, Ingrid Bethke, terceiro lugar; Miss Estados Unidos, Sue Ann Downey, primeiro; Miss Finlândia, Virpi Miettinen, segundo; Miss Grécia, Aspa Theologitou, quarto; e Miss Israel, Aliza Sadeh, quinto lugar. (Imagem: revista Fatos & Fotos)
     Das 21 jovens que participaram do concurso, oito delas se destacaram no Miss Universo: Virpi Liisa Miettinen, Miss Finlândia, eleita vice-Miss Universo; Sue Ann Downey, Miss Estados Unidos, vencedora do melhor traje típico e terceira colocada; Ingrid Norrman, Miss Suécia, quarto lugar; Anja Christina Maria Schui, Miss Holanda, quinta colocada; Aspa Theologitou, Miss Grécia , semifinalista; Aliza Sadeh, Miss Israel, semifinalista; Karin Ingberg Schmidt, Miss Áustria, eleita Miss Fotogenia,  e  Ingrid Bethke, Miss Alemanha, eleita  Miss Simpatia.  

Sue Ann Downey, loura, 20 anos, estudante da Ohio State University, Miss Estados Unidos, Miss Internacional do IV Centenário do Rio de Janeiro, terceira colocada no Miss Universo 1965. (Foto: Revista O Cruzeiro, 24/07/1965)
 EPÍLOGO

     O concurso Miss Universo 2011 está agendado para acontecer no Brasil, no mês de setembro, em São Paulo, SP. Encerrando esta Sessão Nostalgia, transcrevo abaixo um oportuno texto publicado no Miss Memorabilia, http://www.missmemorabilia.blogspot.com
                                       O PEQUENO MISS UNIVERSO DE 1965

     De certa maneira o Miss Universo 2011 chegará ao Brasil com 46 anos de atraso. Desde a vitória de Ieda Maria Vargas em 1963, especulava-se e a imprensa anunciava a possível realização do evento no Rio de Janeiro em 1965.  A vinda do concurso faria parte das comemorações do IV Centenário do Rio de Janeiro. Era um tempo de Brasil não tão conhecido no exterior, não havia virado moda, muito menos meca de investidores internacionais. Para o Miss Universo, no entanto, o Brasil tinha então o maior concurso nacional fora do território americano; a imprensa brasileira cobria em massa o evento de beleza; e, concurso de miss fazia parte das paixões nacionais.

     Não se sabe se efetivamente a organização Miss Universo cogitou realizar o evento aqui, mas declarou que as dificuldades de telecomunicações da época impossibilitariam a transmissão do evento para os Estados Unidos – e era verdade. Como consolo, vinte e uma belezas desceram no Rio de Janeiro para concorrer ao título de Rainha Internacional do IV Centenário. O concurso foi de certa maneira um pequeno Miss Universo realizado no trepidante ambiente do Maracanazinho em clima de final de Miss Brasil. Um julgamento de misses para misses – o corpo de jurados era formado inteiramente por algumas ex-misses Brasil. 
      Mr. Philip Botfeld, diretor do Miss Universo, prestigiou o evento; mas sofreu a implacável vaia do Maracanazinho ao afirmar em sua saudação ao publico brasileiro que o Brasil era famoso no mundo inteiro pela democracia.  A chamada Revolução começava a mostrar sua cara e o as arquibancadas do ginásio era um espaço de livre expressão popular.
 
     A vitória da americana Sue Ann  Downey, conforme relata O Cruzeiro: “(...) quase ganha o coro das vaias irreverentes daquele Maracanãzinho, que vaia até minuto de silêncio. Mas Sue Ann cresceu em simpatia, simplicidade, penetrando na admiração do carioca. Seu desfile, solitário e macio, após a vitória, sensibilizou a platéia, que acompanhou os seus passos com palmas bisadas”. Ela era bonita, mas foi uma vitória com sabor de boa vizinhança - importante na época!
 
     Em 2011 o Miss Universo chegará, mas terá a responsabilidade de conquistar o Brasil. Muitos, talvez, o olhem com indiferença ou desconfiança. Não basta fazerem do Brasil o cenário do concurso, o show deverá agradar ao paladar brasileiro. Nossas ex-misses Universo já não são lembradas ou reconhecidas por uma parcela grande dos brasileiros. Se os brasileiros não lembram bem de suas vitórias, jamais esquecem as suas derrotas e misses que perderam o MU por polegadas, votos de minerva ou votações computadorizadas – estas seguem no inconsciente coletivo. A organização Miss Universo terá de entender como funciona o Brasil e saber que brasileiro é expert em mulher bonita. Em país de urna eletrônica, hoje sim somos modelo de democracia e em eleição gostamos de justiça!  

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domingo, 9 de janeiro de 2011

SESSÃO NOSTALGIA - GLADYS ZENDER, INESQUECÍVEL DE TODAS AS MANEIRAS


Daslan Melo Lima
Por trás daqueles imensos óculos escuros estava um dos rostos mais lindos do mundo. Na mão esquerda trazia um anel. Era Gladys Zender, a peruana que em 1957 tornou-se Miss Universo. Naquele ano, ao retornar para sua terra, passou pelo Brasil. Pelo visto, gostou. Pois agora, com o marido, escolheu o Rio de Janeiro para a lua-de-mel. Aqui começa sua nova vida. Em Copacabana. No Pão de Açucar” (Texto e imagem: Revista Fatos & Fotos , 10/11/1965, uma das relíquias dos meus álbuns de recortes)
Gladys Zender, Miss Universo 1957. (Foto:www.forusperu.net)
     Certa vez, antes de um show de Nat King Cole (1919-1965), em Las Vegas, ela foi apresentada ao cantor e disse que adorava ouvir Unforgettable. Durante o show, Nat King Cole interpretou em sua homenagem a famosa música de Irving Gordon (1915-1996). Uma versão em português de Unforgettabele diz assim :
Inesquecível é o que você é
Inesquecível, seja perto ou longe
Como uma canção de amor que se liga a mim
Como pensar em você me faz sentir coisas!
Nunca, antes, alguém foi tanto para mim

Inesquecível, de todas as maneiras
E, para sempre, é como você ficará
E é por isso, minha querida, que é incrível
Que alguém tão inesquecível
Ache que eu sou  inesquecível

Inesquecível, de todas as maneiras
E, para sempre, é como você ficará
E é por isso, minha querida, que é incrível
Que alguém tão inesquecível
Ache que eu sou inesquecível também

Gladys Zender em 2007, em foto da revista Cosas, cinquenta anos depois de ter sido eleita Miss Universo 1957
      Gladys Zender continua casada com o político Antonio Meier, uma bela e harmoniosa união que lhe deu quatro filhos, entre eles o cantor e ator Christian Meier. 

     Inesquecível Gladys Zender, Miss Peru, Miss Universo 1957, dedico a você minha segunda Sessão Nostalgia do ano de 2011, pois você  é  Inesquecível, de todas as maneiras / E, para sempre, é como você ficará.”


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