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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ EM PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 621, referente ao período de 28 de maio a 03 de junho de 2017. ***** Editor: Daslan Melo Lima ***** Timbaúba, Pernambuco, Brasil ***** Telefones: (81) 99612.0904 (Tim) e (81) 99277.3630 (Claro) ***** WhatsApp: +55 81 99612.0904 ***** E-mail: daslan@terra.com.br

sábado, 28 de março de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - UM CANTO PARA CARMEM TEREZA

Daslan Melo Lima

     Carmem Tereza Moutinho Mascarenhas Leite, a filha mais velha da jornalista alagoana Nilza Mascarenhas, tinha qualidades que impressionavam a todos, um ar esperto e simpático, e quando mocinha todos diziam:  - Ela vai ser Miss

     Em 1961, com determinação, Carmem Tereza se inscreveu no concurso Miss Alagoas, representando o Jaraguá Tênis Clube, tornando-se logo a grande favorita ao titulo. A festa para escolha da Miss Alagoas 1961 foi realizada no ginásio da Fenix Alagoana. Na comissão julgadora estavam o vice-governador Teotônio Vilela, Benito Bentes (Presidente do Rotary Club), Dr.Derardo Campos, Sandoval Caju (Prefeito de Maceió), Anilda Leão (escritora), Arnoldo Jambo (jornalista) , Mendonça Junior (escritor), Lunalva Costa (Miss Alagoas 1960) e Ayres da Cunha.



     Carmem Tereza, com um corpo bem distribuído em 1,62 de altura, 54 Kg, 91 cm de busto, 61 de cintura, 92 de quadris e 23 cm de tornozelo, além de conquistar o público também soube conquistar o júri e foi eleita Miss Alagoas 1961.
     E lá se foi a garota, para um vôo mais alto: tentar ser Miss Brasil. Sorridente e tranqüila, de acordo com as fotos que ilustram esta matéria, reproduzidas da revista O Cruzeiro, de 1º/07/1961, Carmem Tereza enfrentou a passarela do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, e um publico estimado em 25 mil pessoas. Não obteve classificação entre as oito finalistas, mas ficou feliz com o sétimo lugar alcançado por sua amiga Maria Lúcia Santa Cruz, Miss Pernambuco, sua companheira de quarto. E não hesitou em ser uma das primeiras Misses a correr para abraçar a mineira Stael Maria Abelha, eleita Miss Brasil 1961.

     Ao trocar Maceió por Recife, foi morar no bairro de Boa Viagem, perto do azul do mar que lembrava Pajuçara. Casou com o empresário Fernando Campozana e abraçou a profissão de negociar com antiguidades. Adotou um casal de crianças e deu a elas um amor incondicional como só as mães verdadeiras sabem dar. Divorciou-se. Conheceu encantos e desencantos como todo ser humano comum, pois assim é a passarela da vida para todos os passageiros da Terra.

     Na noite de sexta-feira, 20 de março, Carmem Tereza teve um AVC, Acidente Vascular Cerebral, o mal popularmente conhecido como derrame cerebral, e morreu na madrugada do sábado, 21.



     DEUS convocou Carmem Tereza para uma outra missão na passarela de outra dimensão. A comissão julgadora e a platéia mudaram. Carmem Tereza está a caminho da verdadeira Luz. Uma faixa diferente, um manto especial, uma coroa singular e um cetro iluminado estão revestidos de eternidade para adornar minha conterrânea.


     A ti, Carmem Tereza, Miss Alagoas 1961, eu canto meu canto de nostalgia banhado de esperança, enquanto o mês de março de 2009 vai se despedindo da passarela das nossas vidas.

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sábado, 14 de março de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - JUSSARA MARQUES, MISS BRASIL 1949

Por Daslan Melo Lima


O CONCURSO MISS BRASIL 1949


          Treze moças de várias regiões brasileiras disputaram o título de Miss Brasil 1949, realizado no Hotel Quitandinha, Petrópolis, no dia 12 de junho de 1949:


Miss Acre - Glória Blemen
Miss Amazonas - Maria Amália Ferreira
Miss Espírito Santo - Yedda Finamore
Miss Estado do Rio – Cora Laterça
Miss Distrito Federal - Marina Cunha
Miss Goiás – Jussara Marques
Miss Maranhão - Norma Guedes
Miss Minas Gerais – Maria da Glória Drummond
Miss Pará - Brigitte Riebsch
Miss Paraná – Josemary Caldeira
Miss Pernambuco – Maria Auxiliadora Manguinhos
Miss Rio Grande do Sul - Myriam Hartz
Miss São Paulo – Margarida Frussa


          A favorita era a carioca Marina Cunha, Miss Distrito Federal, mas a vencedora foi Jussara Marques, Miss Goiana, e assim ficou o resultado:


1º Lugar: Miss Goiás, Jussara Marques
2º Lugar: Miss Distrito Federal, Marina Cunha
3º Lugar: Miss São Paulo, Margarida Frussa
4º Lugar: Miss Amazonas, Maria Amália Ferreira


          Maria da Glória Drummond, Miss Minas Gerais, casou-se com o colunista Ibrahim Sued (1924-1995), e se tornou grande figura de destaque da sociedade carioca com o nome de Glorinha Sued.


JUSSARA, UM BROTINHO GOIANO



Jussara Marques, Miss Brasil 1949, na capa de uma das mais prestigiadas revistas brasileiras da época, Vida Doméstica, agosto de 1949


          Jussara Marques, cujo nome às vezes aparece escrito nos meios de comunicação da época como Jussara Marquez, com “z”no final, era filha do casal Ormides Martins de Souza e Isaura de Souza Martins, nasceu em Itumbiara, Goiás, e foi morar em Goiânia em 1941, na Rua 02. Jussara Marques foi Rainha dos Estudantes, vice-Rainha da Primavera, Glamour Girl e Miss Goiás representando o Goiás Esporte Clube, patrocinada pelo jornal “A Folha de Goiaz”. No mesmo ano em que Jussara foi eleita Miss Brasil, sua família comemorou outro importante título de beleza: Jurema, a irmã caçula, foi eleita Rainha dos Esportes do Brasil. O reinado de Jussara Marques durou cinco anos, pois os brasileiros só conheceram outra Miss Brasil em 1954, quando houve novo concurso e a eleita foi a baiana Marta Rocha.



Todos se recordam do concurso de Miss Brasil de 1949, que polarizou as atenções de todo mundo, que escolhia sua candidata, fincava pé e fazia inimizades se aparecia um impertinente para dizer que fulana era a melhor do que beltrana. Marina Cunha, Miss Distrito Federal, era a candidata mais cotada para o título, inclusive pelos promotores do concurso e pelo Sr.Raul Guastini, seu cabo eleitoral nº 1. Mas houve um desentendimento entre Guastini e Marina. Os promotores do concurso ficaram aturdidos. Já se tinha como certa a escolha de Marina, como Miss Brasil. Mas Raul Guastini estava queimado e fez uma intervenção espetacular. Proibiu os mentores do Miss Brasil de eleger Marina. Se o fizessem...

- Quem pode ser Miss Brasil, meu Deus? - Esta era a pergunta dos promotores do concurso, quando alguém teve um estalo e gritou: - Jussara.
- Sim, Jussara!
Jussara Marques era exatamente um brotinho goiano, de 18 anos, de longos cabelos e beleza suave, ao mesmo tempo que exótica. O brotinho goiano recebeu faixa, título, presentes, propostas para o cinema, pedidos de casamento. Podia integrar-se na metrópole, casar com alguém bem posto na vida, ser estrela de filme de Lima Barreto. Não fez nada disso. Voltou à província. E há seis anos joga tênis, dá entrevistas e dirige seu Vanguard.


(Texto de Antônio Rocha, fotos de Gervásio Batista, revista MANCHETE,12/06/1954)




JUSSARA, NOME DE CIDADE EM GÓIAS


          A cidade goiana de Jussara , a 240 km de Goiânia, tem esse nome em homenagem à Miss Brasil 1949, sugestão de Orozimbo Coimbra Bueno, pai de Jerônimo Coimbra Bueno, então Governador de Góias. A cidade de Jussara está localizada no oeste goiano e é um dos principais municípios da região. Tudo começou com a fundação da Colônia Agrícola Água Limpa, em terras do município da cidade de Goiás. Os primeiros colonos, Estevão Fernandes Rebouças e Limírio Neves de Mota, ergueram uma capela em louvor do Senhor Bom Jesus da Lapa, dando início ao povoado chamado de Água Limpa. Em 1950, o nome mudou para Jussara. No dia 12/11/1953, Jussara foi elevada a distrito. Emancipou-se em 14/11/1958. A agropecuária é a sua maior fonte de economia e a terra fértil propicia o cultivo da lavoura com grande êxito.



JUSSARA, UMA DAS GRANDES DAMAS DA SOCIEDADE DE BRASÍLIA


          No segundo semestre de 1954, Jussara Marques casou-se na Igreja de Nossa Senhora das Dores, em Belo Horizonte, com o bancário Marcelino Champagnat de Amorim, seu primeiro e único namorado, natural de Patos de Minas.


Nos anos 70, morando em Brasília e gozando do imenso prestígio de ser uma das grandes damas da capital do país, Jussara posou para esta foto ao lado de três dos seus quatro filhos. Mulher ativa, elegante e inteligente, a Miss Brasil 1949 dividia o tempo com o lar, o tênis e a vice-presidência da Casa do Candango. (Foto: Revista FATOS & FOTOS,17/06/1974)



JUSSARA, A MORTE DE UMA MISS

          Jussara Marques morreu no dia 24/02/2006 e no dia seguinte o Diário de Goiás assim destacou o seu falecimento:


Mulher apaixonada pelas artes, atenciosa com a família e sem nenhuma vaidade. Apesar de ter entrado para a história do estado como a primeira e única goiana a ser eleita Miss Brasil, em março de 1949, Jussara Souza Marquez de Amorim era simples, não se apegava a bens materiais. Os sentimentos eram mais importantes. Ontem, aos 74 anos, morreu e deixou filhos, netos e parentes conscientes desses valores. 

Jussara vivia no bairro de São Conrado, no Rio de Janeiro. A sua companhia era o filho Vinícius Marquez, 40. Ele era motivo de orgulho por se tornar teatrólogo. Assistir às peças dele era como um presente para a Miss Brasil. Desde jovem, ver as cortinas se abrirem a encantava. “Minha mãe era uma artista. Sempre gostou de tudo relacionado a área cultural. Artesanato era um de seus dons”, descreveu a jornalista Paula Marquez, 42, por telefone, durante o velório no Cemitério do Caju. 


O último pedido de Jussara foi para que os familiares jogassem suas cinzas no mar carioca. A cremação seria hoje de manhã. A cerimônia de despedida não tem data marcada por causa do carnaval. “Nessa época o Rio de Janeiro pára”, justificou Paula, que se consolou logo em seguida. “Pelo menos minha mãe não sofreu”, disse. A Miss Brasil morreu de câncer. A doença, descoberta no final do ano passado, se espalhou do pulmão para outros órgãos em pouco mais de um mês. 

Após se emocionar outra vez, Paula lembrou das atividades de Jussara. “Ela viajava o País inteiro para negociar obras de artes”, disse. Era fã de Van Gogh. Na literatura, se deliciava com o chileno Pablo Neruda. O verso “Dois amantes felizes não têm fim nem morte, nascem e morrem tanta vez enquanto vivem, são eternos como é a natureza”, do poema Walking Around, pode ser usado para traduzir o pensamento da filha ao se recordar da mãe e do pai, Marcelino de Amorim, que morreu há 13 anos.


.................Foto: revista Manchete, 04/07/1959...........................



A única Miss Brasil por Goiás deu nome ao município de Jussara (a 223 km de Goiânia). Na época, era o povoado de Água Limpa. “Ela ficou muito agradecida, disse que foi maravilhoso”, conta Paula. A filha lembrou que a mãe ganhou uma fazenda na região, mas nunca tomou posse da terra. “Não importava o dinheiro. O carinho recebido nas homenagens a emocionava.


Paula disse que Jussara aproveitou o período em que foi eleita Miss Brasil, mas que não serviu de pretexto para alimentar o ego. “O que passou, passou. Depois foi cuidar da vida, teve quatro filhos”, contou. Gostava de preparar comidas típicas de Goiás, como arroz com pequi e empadão goiano. Os netos eram muito paparicados. Ao se casar em 1954, mudou-se para Belo Horizonte (MG). Depois, morou no Rio e Distrito Federal. O marido era bancário. A paixão pelas terras cariocas falou mais alto e por lá ficou até a morte. “Mas sempre visitava Goiânia, onde tem parentes”, ressaltou. 

EPÍLOGO



          Jussara tinha orgulho de suas raízes e em entrevista ao repórter Antônio Rocha (Manchete, 12/06/1954) declarou:

Tenho raiva de quem fala mal de Goiás. Logo que eu cheguei ao Rio briguei com Halfed – o fotógrafo, sabe? - porque ele me perguntou se era verdade que uma onça comera o porteiro do cinema. Respondi-lhe que em Goiás os cinemas não tinham mais porteiros. Tantos botassem tantas as onças comiam.



          Imagino o orgulho de quem nasce na cidade de Jussara explicando a origem do nome da sua cidade natal. Deve ser mais ou menos assim:  Sou de Jussara, com dois “s”. Juçara com “ç” é nome de palmeira. O nome da minha cidade homenageia Jussara Marques, uma jovem linda que foi eleita Miss Brasil 1949.
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P.S.: Saiba mais sobre o concurso Miss Brasil 1949 neste link : 
http://passarelacultural.blogspot.com.br/2012/03/sessao-nostalgia-seccao-em-construcao_31.html 
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sábado, 7 de março de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - Adalgisa Colombo e Luz Marina, o cisne e a pombinha

Daslan Melo Lima

       
          Setembro de 1958. A redação da empresa Diário de Notícias, responsável pela edição da revista Mundo Ilustrado, recebeu a visita de Luz Marina Zuluaga, Miss Colômbia, eleita Miss Universo 1958. Entre a chegada e o coquetel, Luz Marina percorreu as dependências do moderno parque de arte gráfica, acompanhada de Adalgisa Colombo, Miss Brasil, vice-Miss Universo 1958.
          A viagem de catorze dias de Luz Marina ao Brasil foi patrocinada por Max Factor, um dos promotores do concurso Miss Universo. Luz Marina veio divulgar a nova linha de produtos de beleza de Max Factor, inclusive o lançamento de um batom com o nome Luz Marina.
          Simples, com um sorriso sem formalidades e uma naturalidade que encantou a todos, Luz Marina posou para os fotógrafos Campanella Neto e Adir Vieira. A revista Mundo Ilustrado de 04/10/1958, circulou com quatro páginas e nove fotos dedicadas à bela colombiana. O texto abaixo e as fotos em preto e branco foram extraídas da reportagem Luz Marina Quer Voltar Ao Seu Mundo De Verdade, de Maria de Lourdes Pinhel.



As duas mulheres mais belas do mundo de 1958 posando para Campanella Neto. Luz Marina usava um colar de contas brancas que dava três voltas no pescoço. Adalgisa Colombo portava um colar de cores variadas que dava sete voltas no pescoço.


          Luz Marina é simples, recatada, meiga, possui um charme que a todos cativa. Vendo-a é que podemos compreender – pondo-nos no lugar dos juízes de Long Beach – o porquê da sua vitória, o segredo do pontinho que tirou o cetro da nossa Adalgisa. 

          É que Adalgisa é bela - mas sabe que o é - tem classe, experiência, sabe posar, agradar aos fotógrafos, mas cada movimento seu é calculado, cada palavra estudada com antecedência, para produzir efeito. Ela é, sempre, a modelo profissional, com o sorriso e o andar da passarela.

         Luz Marina, ao contrário, é a moça que nunca sonhou ser eleita e encara o que lhe está acontecendo como uma aventura maravilhosa. Nada espera conseguir de vantajoso com a sua coroa e no próximo ano, quando for escolhida sua sucessora, voltará à sua casa, à sua vida, aos seus amigos – exatamente como era antes. 

          Luz não tem ambição: tudo que aspira é casar-se, ser uma ótima dona de casa e ter muitos filhos. Daqui a alguns anos terá alguns quilinhos a mais, uma família numerosa e um lar muito feliz.

          A diferença entre elas é que Adalgisa é altaneira como um cisne, e Luz humilde como uma pombinha. mas os juízes preferiram a sua espontaneidade e modéstia aos gestos estudados da nossa Miss Brasil.





          Luz Marina nasceu no dia 31 de dezembro, há 19 anos, na localidade de Pereira Caldas, na Colômbia. Estudava no Colégio de Religiosas de La Presentation, em Manizales, e sempre foi ótima aluna; freqüentava festinhas – sempre em companhia da sua Mama, a simpática D.Margarita – jogava tênis e montava a cavalo. 

          Jura que nunca teve namorado. Tem 4 irmãos: Herman, o mais velho, tem 25 anos e é o chefe da família desde a morte do pai; Oscar tem 22 e é o mais alegre; Jorge é o caçula, com 15. Amparo, de 16, é muito parecida com Luz - o que quer dizer que é belíssima, também. “No mais, no mais! Miss Universo, na família, basta uma” – diz-nos D.Margarita, assustada, quando lhe perguntamos se Amparo se candidataria ao título, daqui a alguns anos.

          Luz Marina é perfeita mignon – 1,63 de altura – bem proporcionada, tem a pele de uma linda tonalidade trigueira, olhos brilhantes e escuros, um pequeno sinal junto do lábio superior e uma boca bem desenhada, que está sempre entreaberta num sorriso. É a Miss menos Miss que se possa imaginar. Temos a impressão de que se sente envergonhada com tantas atenções e homenagens. Durante a visita às oficinas – onde assiste, encantada, à impressão do novo número do MUNDO ILUSTRADO – Luz interessa-se por tudo e conversa animadamente, sem demonstrar fadiga, embora esteja cumprindo um exaustivo programa que não lhe permite descanso algum.

“O que mais queria era poder andar nas lojas e comprar algumas coisas lindas, de “recuerdo”. Mas não posso! Ontem, tentei sair, usando uns óculos escuros e um turbante. Mesmo assim, reconheceram-me logo! Tive de voltar correndo para o Hotel. Não sei como fazer1” – queixa-se, desanimada. Conta-nos que nunca, nem sonhando, imaginou ser eleita; estava felicitando Adalgisa pensando que ela fora a escolhida, quando recebeu a notícia. Quase desmaiou. Adora viajar, e gostou imenso dos Estados Unidos, mas não queria viver lá ,e muito menos tentar o cinema.





          “Tudo o que pretendo é voltar a ser eu mesma, casar-me e ter muitos “niños”. Gosto da vida de casa, de ler romances de amor, de dançar - e aqui no Rio aprendi o samba – de usar roupa esporte, de jogar tênis e andar a cavalo”.

          Luz Marina não é supersticiosa nem tem medo de andar de avião. Usa perfume “Nuit de Noell” e uma maquiagem muito suave. O seu hobby é colecionar caixas de fósforos, e tem predileção por anéis.É profundamente católica e o santo de sua devoção é São Judas Tadeu. O que mais detesta é ir ao dentista. Acha os “muchacos brasilenõs” maravilhosos diz-nos, sorrindo, que o seu futuro marido terá de ter bons sentimentos, ser trabalhador... e ganhar dinheiro. Para uma Miss Universo, até que não é muito exigente, não acham?
          Por fim, embora sempre amável, Luz Marina mostrava sinais visíveis de cansaço. Tirou os sapatos para repousar os pés, segurou a cabeça nas mãos, fechou os olhos. 

“Estou exausta! Daqui a pouco adormeço, nesta poltrona! Desde manhã ando nesta roda viva, e hoje ainda tenho três compromissos e à noite serei entrevistada na televisão. Quem me dera estar de volta á casa, descansando na fazenda...” 
          E explica-nos que essa fazenda, que a sua família possui nos arredores de Manizales, é o seu refúgio; lá é que vai repousar dos compromissos extenuantes e esconder-se dos admiradores. 
Prometeu aos irmãos que estará de volta no dia 31 de outubro para poderem apagar, juntos, as 20 velhinhas do seu bolo de aniversário.
          Luz diz-nos que espera voltar ao Rio, quando não for mais Miss Universo, para poder apreciar as belezas da nossa cidade e, como qualquer turista anônima, sair e fazer compras sem ser importunada pelos fãs. Mas isso será difícil, pois a uma moça tão bonita como Luz Marina - mesmo não tendo mais a coroa - é impossível passar despercebida. E terá de suportar, pelo menos, os galanteios e os ”fiu-fius” dos seus admiradores cariocas.

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Adalgisa Colombo em foto recente,extraída do site de Leila Schuster


          Adalgisa Colombo preparou-se intensamente para ser Miss Brasil. Perdeu a motivação para conquistar a coroa de Miss Universo quando se apaixonou pelo empresário Jackson Flores e com ele casou antes de terminar o seu reinado de Miss Brasil. No ano passado, recebeu uma homenagem durante a realização do Miss Brasil, pelos 50 anos do título. Na ocasião, declarou que estava muito emocionada mas que não ia chorar.
          Um cisne é um cisne.


Luz Marina em foto recente - Jornal El País

          Luz Marina foi até o final do seu reinado, casou tempo depois com o médico Enrique Vélez e teve quatro filhos. No ano passado, em sua Colômbia querida, deve ter recebido várias homenagens pelos 50 anos do título de Miss Universo. Nessas ocasiões, deve ter declarado que estava emocionada e se permitiu chorar.
          Uma pombinha é uma pombinha.

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